A nova diversão dele era me levar para o escritório quando o prédio inteiro dormia em silêncio. O andar estava deserto, sem uma alma viva, e o ar carregava aquele cheiro antigo de papéis amarelados e carpete úmido — um odor que, em vez de repugnar, me envolvia como um segredo compartilhado. Havia uma paz estranha ali, um vazio que parecia ecoar dentro de mim, reconfortante e perigoso ao mesmo tempo. Como se o mundo lá fora tivesse desaparecido, deixando apenas nós dois e o que restava da minha dignidade.

Eu estava parada ao lado da mesa nua, sob a luz branca e impiedosa que caía do teto como uma lâmina fria. Completamente despida de roupas, mas não de desejo. A pele arrepiada respondia ao ar condicionado que zumbia baixo, e cada respiração fazia meus seios se moverem devagar, pesados de expectativa. Os saltos altos — a única peça que ele permitia — apertavam meus pés, lembrando-me a cada segundo da minha posição: exposta, oferecida, obediente.

Fiquei ali, imóvel, como ele queria. O corpo vibrava por dentro, um tremor quase imperceptível que começava entre as coxas e subia pela coluna. Minha intimidade latejava, úmida, e eu sentia o calor escorrer devagar pela pele interna das pernas, tocando os tornozelos antes de manchar o couro dos saltos. Era humilhante. Era delicioso. Eu me odiava por querer tanto aquilo — por sentir, no fundo do peito, que aquela vulnerabilidade me tornava mais viva do que qualquer outra coisa.

Ele, sentado do outro lado da mesa, parecia perdido em papéis e telas. A gravata frouxa pendia sobre a camisa branca de algodão, um botão aberto revelando um triângulo de pele morna. A luz desenhava sombras suaves no contorno do seu maxilar, mas ele mal me olhava. Como se eu fosse parte da decoração. Como se meu corpo nu não fosse nada além de um capricho que ele poderia ignorar até o momento exato em que quisesse usá-lo.

— Você!

A voz dele cortou o ar como um comando baixo e rouco. Meu coração deu um salto violento. Saí do transe de pensamentos que me consumiam — imagens cruas, molhadas, desesperadas — e pisquei, voltando ao presente. Ele fez um gesto breve com a mão, indicando o espaço escuro sob a mesa, sem tirar os olhos do que quer que estivesse fingindo ler.

Um sorriso lento, malicioso, nasceu nos meus lábios. Senti a boca se encher de saliva, quente, ansiosa. O desejo pulsava tão forte que quase doía. E, no fundo de mim, uma voz pequena e teimosa sussurrava: "isso tudo é muito arriscado, mulher!". Mas o corpo já se movia, obediente, deslizando para baixo da mesa com a elegância de uma gata, mesmo sabendo que ele não me dirigia o olhar.

Eu me ajoelhei no escuro apertado sob a mesa, o carpete úmido roçando meus joelhos. O ar ali embaixo era mais denso, carregado do cheiro dele — um misto de couro da cadeira, sabonete caro e algo mais primal, quente, masculino, que me invadia os pulmões e fazia meu ventre se contrair. A luz branca do teto mal chegava até mim; apenas um brilho difuso desenhava o contorno da sua coxa, da braguilha que ele já havia aberto com um gesto impaciente. O tecido da calça escorregou para os lados, revelando-o: grosso, latejante, a pele macia esticada sobre a rigidez que pulsava como se tivesse vida própria.

Meu coração batia tão forte que eu o sentia na garganta. "Eu amo esse pau, mas isso é arriscado demais...", repetia a voz teimosa dentro de mim, mas meu corpo já se inclinava, faminto, traidor. Eu o tomei devagar primeiro, só a ponta da língua deslizando pela base quente, sentindo a textura aveludada, o calor que queimava. O sabor era salgado, levemente doce. Eu o envolvi com os lábios, devagar, mas ele não queria devagar. A mão dele desceu, firme na minha nuca, os dedos se enroscando no meu cabelo como se eu fosse a única coisa que o ancorava ao mundo.

E então veio a intensidade.

Ele empurrou para dentro da minha boca com um gemido rouco que vibrou no ar entre nós. Eu o recebi inteiro, profundo, até sentir a cabeça grossa tocar o fundo da minha garganta. Lágrimas quentes brotaram nos cantos dos meus olhos, não de dor, mas de uma rendição feroz que me deixava trêmula por dentro. Eu chupei com força, os lábios apertados ao redor dele, a língua pressionando a veia que pulsava loucamente. O ritmo era implacável — ele guiava minha cabeça para cima e para baixo, cada estocada mais funda, mais urgente. O som molhado, obsceno, ecoava baixo sob a mesa: o estalo dos meus lábios, o gorgolejo da minha garganta quando ele se enterrava até o limite, a saliva escorrendo pelo meu queixo e pingando nos meus seios nus.

Minha buceta latejava em resposta, molhada demais, pulsando vazia, cada investida dele na minha boca enviando choques de prazer direto para o meu centro. Eu me sentia usada, possuída, e, paradoxalmente, poderosa. Porque era eu quem o fazia gemer assim, quem o fazia perder o controle fingido de homem compenetrado. Eu o chupava mais forte, mais fundo, os músculos da minha garganta se contraindo ao redor dele como se eu quisesse engoli-lo inteiro. As lágrimas escorriam agora, misturando-se à saliva, e eu gemia ao redor dele — um som abafado, desesperado, que vibrava contra sua pele.

Ele apertou minha nuca com mais força, os quadris se erguendo da cadeira, fodendo minha boca com uma fome quase brutal. O cheiro dele me dominava, o calor da sua coxa contra minha bochecha, o peso dele na minha língua. Eu me sentia cheia, invadida, viva de um jeito que doía no peito. "Olha o que você me obriga a fazer!", pensei, enquanto meu corpo inteiro tremia de desejo e a boca se enchia de algo quente e pegajoso — e eu engoli.

Acho que foi ali, naquele instante, que entendi as secretárias que se rebaixavam a isso — não por fraqueza, mas pela fome silenciosa de um pouco de luz, de um favor que valesse a humilhação. Eu não precisava de nada daquilo. Não trabalhava ali, não mendigava promoções nem olhares de aprovação. Aquele homem era meu marido. E mesmo assim eu estava de joelhos, nua, com o gosto dele ainda quente na garganta e o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito.