Capítulo 101
Laura semi cerrou os olhos pra gente como se pudesse ler nossas mentes por um instante. Ficou quieta um segundo, talvez por educação, mas dava pra ver que tava curiosa pra caralho. A Mariana, para segurar a língua, correu pra encher o copo de todo mundo de novo. Foi aí que eu percebi uma coisa: a gente não era de beber, Mariana e eu éramos tipo flex, qualquer coisa já deixava a gente doida. Mas pelo visto a Laura era pior. Dava pra ver pela cara vermelha dela, os olhos brilhando mais que o normal, ela já tava bem mais altinha que a gente.
— E vocês duas, tão namorando? Como é essa coisa de relacionamento aberto? — ela perguntou de repente, tomando mais um gole.
Eu tinha comentado isso com ela no escritório, mas não era uma coisa muito bem combinada com a Mariana. A gente nunca tinha falado de “relacionamento” assim, só se pegava quando dava. Mas minha prima é piranha, mais que eu, e soltou na hora:
— Por que, quer entrar?
— Tipo marmita do casal? — Laura completou rindo, a voz já meio enrolada.
— Meu Deus, isso tá indo rápido demais — falei baixinho, quase pra mim mesma, e acho que as duas nem ouviram.
— É ué! — Mariana respondeu, rindo alto, já se aproximando mais da Laura na água.
— E vocês costumam chamar gente, assim... pra ficar com vocês? — Laura ajeitou o cabelo molhado pro lado e perguntou meio pisando em ovos, mas com aquela curiosidade safada nos olhos.
— Não, aconteceu uma vez só, e foi meio por acidente — respondi, lembrando da Diana, sentindo o rosto queimar de vergonha misturada com tesão.
Meu grelo tava latejando forte debaixo da água, a periquita toda melada, e eu apertava as coxas tentando disfarçar. A Mariana tava com aquela cara de quem já tava imaginando putaria, os peitos dela roçando de leve no meu braço enquanto ela se mexia na água. A Laura olhava pra gente com aquele sorrisinho, os peitos grandes boiando na superfície.
Eu tava morrendo de vergonha por estar falando essas coisas, mas o tesão tava ganhando fácil. A casa só nossa, a bebida subindo, três mulheres peladas na piscina... eu sabia que ia dar merda. E, no fundo, eu tava louca pra que desse.
A Mariana me olhou de canto, com aquela cara de quem ia fazer merda e ia ser agora, e abriu a boca falando sem ninguém perguntar:
— O bom de ficar a três é o beijo triplo! É maior bom!
Eu arregalei os olhos. O velho golpe do beijo triplo! Gente, só pra constar, beijo triplo é bom, mas não é essas coisas que a gente vê em vídeo. Tu dá cabeçada, sai toda babada, nariz esbarrando em tudo... É divertido, mas confuso demais pro meu gosto.
— Tu já fez, Laura? — Mariana perguntou, já com os olhos brilhando.
— Não, mas tenho curiosidade — Laura respondeu, sorrindo daquele jeito safado.
— Bora, Julinha, topa? — minha prima falou com uma naturalidade fudida, como se estivesse convidando pra tomar um refrigerante.
— Pode ser... — murmurei, a voz saindo baixa, o rosto queimando.
Eu tava morrendo de vergonha. Normalmente eu não fico assim, mas aquela mulher era uma deusa, e eu tava numa situação meio desconfortável — pelada na piscina com um bando de mulher na mansão do meu tio. Meu corpo inteiro estava quente naquela água fria como se eu tivesse embaixo do sol.
Eu nem lembro da Laura falar que sim. A Mariana simplesmente puxou nós duas pra perto, os corpos quentes se encostando na água. Começamos as três numa crise de riso que sempre precede o beijo, aquele nervoso gostoso. Depois vieram as narigadas e cabeçadas, boca batendo em queixo, dente esbarrando em lábio. Era uma bagunça molhada e desajeitada.
E foi então que eu senti primeiro, não o corpo se tocando debaixo da água, mas o hálito quente. O bafo da Laura, doce de espumante, misturado com o da Mariana que eu já conhecia tão bem. De repente as três bocas se encontraram de um jeito mais certo, línguas se tocando devagar, molhadas, quentes. Um beijo triplo bagunçado, babado, com gosto de álcool e desejo. Eu sentia o peito da Laura roçando no meu, o bico duro dela arranhando de leve minha pele, enquanto a mão da Mariana apertava minha cintura por baixo da água.
Meu corpo inteiro arrepiou. Vergonha e tesão brigando dentro de mim, mas o tesão ganhando de lavada. Eu tava ali, pelada, beijando duas mulheres na piscina dos meus tios, e em vez de correr, eu só queria mais. A língua da Laura era macia, explorando devagar, enquanto a da Mariana era mais faminta, como sempre. A água batia entre a gente, os peitos se esfregando, e eu soltei um gemidinho baixo que saiu sem eu mandar.
A gente se separou rindo, ofegantes, bocas vermelhas e babadas. Laura passou a língua nos lábios, olhando pra gente com os olhos semicerrados.
— Caralho... isso foi bom — ela murmurou.
Mariana riu alto, apertando minha coxa debaixo da água.
— Eu falei que era bom, né? — a Mariana soltou, rindo alto.
Eu não sei o que foi falado depois disso, porque eu só mergulhei do jeito que eu tava, o cabelo inteiro levantando na água. Queria me afogar ali pra não gritar de tesão. Embaixo da água apertei minha buceta com força, quase com raiva, os dedos afundando na carne quente e melada, o grelo latejando pedindo mais. Subi pra respirar de novo e vi as duas rindo de mim.
— Julinha, tua prima falou que esse foi o ensaio. Vamos mais um? — Laura perguntou, com aquele sorrisinho safado.
— Claro! — respondi, a voz saindo tremida, concordando sem nem pensar direito.
Aí o bagulho ficou doido. As três viraram os copos de uma vez, esvaziando tudo, e voamos uma pra cima da outra que nem bicho, eu nem sei quem começou. Dessa vez os corpos chegaram primeiro e as mãos tavam muito mais bobas que da primeira vez.
