Capítulo 76
Ele pegou a calcinha como se fosse a relíquia mais sagrada do planeta. Olhar vidrado, mão tremendo, parecia que nunca tinha visto um pedaço de tecido na vida. Eu fiquei pensando: como pode homem fetichizar um troço que vive babado, manchado de sangue e com rastro de peido? É nojento pra cacete! Aquela ali até tava limpinha, só tinha uma babinha inocente.
Eu sabia que ele ia cheirar, lamber, chupar e, se bobear, amanhã se eu vestisse de novo eu engravidava só de encostar. Ri sozinha do absurdo e disparei pra deixar ele mais à vontade:
— Pode lavar no seu banheiro, não precisa ir pra lavanderia. Lava com sabonete e depois traz aqui pra eu conferir se lavou direito.
Parei um segundo e já me arrependi: ia voltar mais nojenta do que eu entreguei.
Ele não falou porra nenhuma. Saiu igual flecha, cruzou o corredor e eu só ouvi a porta do quarto dele bater e o trinco girar. Se trancou com a minha calcinha no quarto dele, óbvio.
Me joguei na cama e comecei a rir igual louca. Tinha que contar pra Mariana na hora. Liguei e despejei tudo.
— Garota, tu não tem juízo nenhum! — ela ria e me dava bronca ao mesmo tempo.
Na hora eu pensei “merda, falei isso logo pra ela que me pegou com o meu padrasto”, mas ela me deixou tranquila quando continuou:
— Amanhã quando eu chegar aí, eu te ajudo a perturbar esse moleque!
— Ahn! Então você vai conseguir vir? — Eu era só alegria!
— Eu ia falar, mas você não cala a droga da boca! — berrou ela do outro lado no melhor estilo da nossa filha.
— Ahn prima, não esquece de trazer biquíni, tá?
— Tá… — ela fez uma pausa breve — mas esse garoto é pauzudo? Você não comentou isso.
— Prima, eu nem consegui ver direito, tava meio pra fora e ele com a mão na frente. Se quiser eu tiro uma foto e te mando — falei só pra zoar.
— Julinha, deixa de ser puta. Quero foto de pau nenhum não.
— Ué, você que tá perguntando do pau dele.
Eu não desliguei o telefone, só deixei no ouvido enquanto terminava de arrumar a cama: fechei as cortinas, joguei todos os edredons e travesseiros em cima, aumentei o ar condicionado até o quarto virar polo norte. Meus peitos viraram duas pedrinhas de gelo, marcando durinho na blusinha fina. Deitei, me enterrei nos cobertores e liguei a TV em volume baixo enquanto continuava falando com ela.
A conversa rolou solta: o que a gente fez nesse tempo afastada, as provas que eu prestei, que ela vai prestar de novo no ano que vem, blá blá blá. Atualizei sobre o estado meu olho, tirei uma selfie rapidinha e mandei. Tava bem melhor, só uma mancha grandona que diminuía todo dia, dor zero, só a marca indo embora.
— Mariana, eu vou desligar, ele tá voltando — sussurrei, ouvindo a porta do quarto dele abrindo e os passinhos rápidos no corredor vindo pro meu.
Desliguei, joguei o celular no criado-mudo e fiquei quietinha, deitada de ladinho, fingindo que tava distraída na TV, mas de olho na porta. O coração já acelerando de curiosidade pra ver a cara dele depois da missão “lavar calcinha”.
Ele parou na porta, olhar no chão, voz baixinha:
— Lavei… coloquei na lavanderia dependurada.
A cara dele era um misto de culpa e vergonha, tipo cachorro que fez xixi no sofá. Eu tinha mandado trazer pra eu conferir, mas dane-se, não ia ser chata a esse ponto. E, vamos combinar, meia hora lavando uma calcinha? Deus sabe o que o moleque aprontou ali no quarto dele. Só de imaginar ele cheirando, lambendo, se esfregando… caralho, aquilo me deixou acesa de um jeito estranho. Saber que alguém tá gozando com uma peça sua é nojento e excitante ao mesmo tempo.
— Vem cá, vem ver televisão comigo — falei, levantando o edredom inteiro.
— Nossa, Julinha, tá frio demais aqui!
— Tá não, eu gosto de frio. Entra logo.
Eu queria era aproveitar: o ar condicionado da minha casa era uma merda, barulhento e inútil. Aqui era um sonho gelado.
Ele entrou debaixo da coberta, todo quentinho. Puxei ele pra deitar no meu ombro — eu sou carente pra caralho, adoro ficar agarradinha. Como achava ele inofensivo, deixei rolar. Mas fiz questão de colar bem, espremer o peito contra o corpinho magro dele, sentir o bico duro roçando no braço dele, e ainda joguei uma perna por cima, quase encostando na virilha, roçando de leve no volume do short.
Ele ficou mudo. Mudo total. Nem respirava direito. Só senti o coração dele batendo louco contra o meu braço.
Você deve tá achando que eu fico enrolando, né? Não é isso. Eu tava doida por uma sacanagem, doida mesmo, mas faltava aquele empurrãozinho final. Primeiro dia na casa, duas semanas pela frente, e se eu ferrasse tudo? Se ele contasse pra alguém, se ficasse traumatizado, se eu me apaixonasse por esse moleque virgem e saísse destruída? Eu tava ali perdida nesses pensamentos, o anjinho bom que sumiu, fazem meses tentando voltar pra minha cabeça. Quando do silêncio do quarto, só a TV murmurando, ele abriu a boca.
— Julinha, lembra da menina que eu falei que eu gosto?
— Lembro, a autista, né?
— Então… na verdade eu não chamo ela pra sair porque eu tenho vergonha de…
Fez uma pausa tão longa que achei que ia engasgar e morrer ali do meu lado.
Eu virei o rosto, esperando.
— Pelo amor de Deus, garoto, completa a porra da frase.
— Eu tô com vergonha de falar.
— Fala, porra, vira homem!
Ele nem piscou com o quê eu disse, devia ouvir isso direto do pai dele.
— É que… eu…
— Você… eu entendi, vai, fala.
— Eu não sei beijar.
Pronto. Era o empurrão que faltava.
Fingi choque total, olhos arregalados, boca aberta. Levantei de uma vez, sentei na cama virada pra ele, joelhos dobrados, encarando o coitado deitado ali feito um passarinho assustado. Ele era bonitinho pra caralho, cabelo bagunçado, boca pequena, olhos grandes. Pensei sério: “vale investir no mercado futuro?”.
— Senta, vai…
Me ajeitei de frente, conferindo rápido se os peitos estavam dentro da blusa. Nem precisava: com aquele frio do inferno, os bicos estavam duros, apontando pra ele por cima do tecido fino, quase rasgando.
Ele sentou de lado, sem entender nada. Gesticulei pra virar de frente. Quando virou, passei as pernas por cima das coxas dele, quase montando, joelhos abertos dos dois lados do quadril dele, tão perto que dava pra sentir o calor do corpo dele subindo. Eu tava só de blusinha e shortinho fino, sem nada por baixo. O short subiu todo, marcando a rachinha da buceta no tecido, e o grelo roçando no pano cada vez que eu mexia o quadril de leve.
Ele me olhou mais assustado que nunca. Olhos pulando do meu rosto pros peitos, pros meus olhos de novo, pro meio das minhas pernas e depois reiniciava tudo de novo.
— Olha no meu olho — ordenei, voz baixa, quase rouca.
Ele tentava. Fixava dois segundos e já desviava, virava o rosto, baixava a cabeça. Parecia que eu queimava.
Eu sentia tudo: o coração dele batendo louco contra o meu joelho, o tremor da coxa dele de tão nervoso, o pau endurecendo rapidinho embaixo do short. Minha buceta latejava tanto que eu tinha certeza logo daria para ver o molho por cima do tecido do pijama. Eu tava no controle total e aquilo me deixava bêbada de tesão. Peguei o queixo dele com dois dedos, forcei devagar pra cima até os olhos dele baterem nos meus.
— Quieto. Só olha. Não precisa ter vergonha de mim.
E ali, pertinho, com os peitos roçando de leve no peito dele, o grelo quase encostando no volume que já tava num volumão que eu conseguia ver de soslaio, eu sorri devagar.
— Quer aprender a beijar? — perguntei com a voz safada.
— Sério? Você vai me beijar?
— Vou. Você quer ou não quer?
— Quero, claro que quero… muito — saiu afobado, voz tremendo.
Eu ri baixinho, olhei pra porta aberta. Sempre penso na Mariana quando a porta tá aberta, “caralho, como eu queria tá gravando isso pra mostrar pra ela depois”.
— Tá, o seguinte: vira um pouco a cabeça de lado e deixa os lábios encostarem. Toma cuidado pra não bater no rosto da menina, tá?
Ele fez que sim com a cabeça, guloso.

