Capítulo 79

Quando ele saiu, eu corri pra trancar a porta, puta que pariu, um tesão do caralho me rasgando por dentro, eu parecia uma vadia drogada caçando qualquer merda pra enfiar na buceta e me acalmar. Só parei de tremer quando enfiei a mão toda na boca e gritei abafado, tipo uma maluca tentando não explodir. Precisava dum banho frio, gelado pra caralho, pra apagar esse fogo. Corri pro banheiro, arranquei a roupa toda, meu corpo inteiro ligado no 220, pele arrepiada, buceta nojenta escorrendo uma gosma que parecia não acabar.

Sentei no vaso pra mijar e tentei respirar um pouco, mas a cabeça não parava.

— Por que eu não dei pro moleque? Ah, se arrependimento matasse…

Eu ficava pensando sozinha, conversando com meus botões. Não tinha resposta pra isso, mas rolava uma culpa filha da puta, porra, eu tinha chegado na casa hoje e já tava quase abrindo as pernas pro garoto! E ainda tinha mais quatorze dias ali, se não rolasse bem ou desse alguma merda, eu ia ter que aturar a situação sozinha com ele. E o pior, ele era bem mais novo que eu. Se alguém descobrisse ou se o puto contasse, eu tava fudida pra caralho!

— Julinha, você botou ele pra mamar nos seus peitos, esfregou caldo de buceta na goela dele, vai lá no quarto dele e senta na rola, mulher!

Eu não tinha coragem.

No calor do momento, quando eu tava descontrolada, já não tive coragem, agora mais fria então, ia ser bem mais difícil. E outra, amanhã a Mariana ia vir pra cá, e tudo ia ficar melhor.

Tomei um banho, talvez o quarto do dia, lavei a calcinha e fui dormir porque tinha que acordar bem cedo. Eu tinha uma casa pra vigiar.

No dia seguinte, eu acordei eram umas sete da manhã, o sol já invadindo o quarto como se quisesse me lembrar que a vida não para, mesmo com a cabeça cheia de merda da noite anterior. Vesti uma calça jeans velha, confortável, e calcei um tênis surrado, porque eu tava ali pra trabalhar, não pra desfilar. Era um trabalho fácil, vai, só vigiar a casa, lidar com entregas e gente, mas já me dava uma preguiça pensando em sorrir falso o dia todo.

Hoje tinha entrega de plantas que eu ia ter que receber e pagar, e à tarde o jardineiro vinha dar uma olhada e começar a plantar as coisas. A faxineira ligou dizendo que só vinha amanhã, óbvio que a vaca aproveitou que a tia Kátia não tava pra dar uma de preguiçosa. Eu sorri no telefone, toda educadinha, dizendo que tava tudo bem, que ela ia ser descontada só um dia, mas que amanhã era pra vir sem falta. Ser chefe, mesmo que temporária, é bom demais, dá um gostinho de poder.

Deu umas dez horas e a Mariana tava quase chegando, já mandando mensagem cheia de ansiedade pra saber como tava tudo. Subi as escadas pra acordar o moleque, a tia tinha falado pra não deixar ele na cama depois das dez, eu podia muito bem ignorar que ela nunca ia saber, mas vai que, né? Doutora Júlia aqui é responsável, ou pelo menos finge bem.

Parei na frente da porta do quarto dele e bati de leve, e lá de dentro veio a voz dele, calma, como se o safado já tivesse me esperando acordado.

— Entra, Julinha.

Eu entrei e, caralho, pela primeira vez fiquei parada ali, boba, olhando em volta com uma inveja que apertava o peito. Que quarto era aquele, puta merda, parecia coisa de filme de adolescente rico que não tem preocupação na vida. A cama era enorme, king size fácil, com uma cabeceira alta e estofada, lençóis amassados como se ele tivesse rolado a noite toda

Na parede, uma TV gigante, daquelas de tela plana fina, pendurada como se fosse cinema particular, com um console de videogame conectado e controles jogados na mesinha ao lado. Do outro canto, um PC gamer montado, torre toda iluminada com luzes coloridas piscando devagar, monitor curvo imenso, teclado que fazia barulhinho desses mecânico, e uma cadeira gamer cara, toda ergonômica com apoio pros braços e pra cabeça. Tudo feito sob medida, armário embutido com portas de correr, prateleiras cheias de jogos, headsets pendurados, e até um frigobar baixinho no chão, daqueles que a gente sonha em ter no quarto pra não precisar descer pra pegar água.

O quarto inteiro cheirava a limpo, a novo, com tapete fofo no chão e janela grande deixando entrar luz sem estragar a vibe de caverna gamer. Fiquei ali, sentindo uma pontada de “por que eu não nasci nessa família?”, mas ao mesmo tempo pensando que, com um quarto daqueles, até eu ia querer ficar trancada o dia todo.

— Bom dia, Julinha! — falou ele deitado todo enrolado em lençóis de não sei quantos mil fios.

Tomtom, achou que ia me enganar com esse plano mais velho que minha avó. Ele tava deitado na cama, peito de fora, magricelo que dava até dó de olhar, parecia um palito de fósforo tentando posar de galã. Eu apostava meu grelo cortado fora que o safado tava pelado embaixo daqueles lençóis, só esperando eu cair na armadilha.

— Tomtom, levanta que tá tarde, vamos, vem tomar café.

Aí eu me toquei na hora: porra, eu nem preparei café nenhum. A casa tem cozinheira, mas a tia dispensou a mulher, dizendo que a gente teria que se virar com iFood ou comida congelada. Beleza.

— Não posso…

Quando ele soltou isso, eu cruzei os braços e fiquei encarando, esperando o golpe besta que ele tava armando. Conheço esses truques de menino, né?

— Por que você não pode? — perguntei, já sabendo que o puto tava pelado ali embaixo.

Na cabeça dele, eu ia ficar babando, morrer de tesão com aquela cena ridícula e correr pra fazer um boquete matinal. Coitado, parecia até filme pornô ruim daqueles que a gente ri antes de pular.

— Eu tou de pau duro…

Eu explodi numa gargalhada primeiro, alta pra caralho, depois fiquei sem graça, vermelha que nem tomate. Eu não sou de ficar encabulada fácil, mas o moleque conseguiu me quebrar direitinho. Só que aí eu olhei melhor pra cara dele e encuquei — não era cara de quem tava tentando me enrolar. Era cara de desespero puro, tipo cachorro que comeu algo errado e sabe que vai levar bronca.

— Como assim, Tomtom? — perguntei, meio incrédula, tentando não rir de novo.

— Me ajuda, Julinha? — ele choramingou, puxando o lençol mais pra cima, tentando cobrir a linha da cintura como se eu não soubesse o que tava rolando ali.

Eu juro que não sabia mais se era armação ou verdade. Parte de mim achava que era cilada, parte achava que o coitado tava mesmo lascado.

— O que houve, Tomtom? Vai tomar banho gelado que o pau amolece, anda logo, levanta!

— Não, é que… — ele parou, pensou mil anos, cara de quem tá decidindo se confessa ou morre com o segredo. — Eu tomei um remédio…

Puta que me pariu. A regra número um de quem cuida de casa com criança é esconder os remédios, né? E olha que o moleque nem é mais criança!

— Que remédio você tomou, Tomtom? Meu Deus, vou ligar pra minha mãe agora… — Isso eu falei sinceramente, foi meio sem pensar e meu coração bateu na goela de nervoso.

— Não, Julinha, pelo amor de Deus, não faz isso não! — ele quase gritou, olhos arregalados, lençol apertado como se fosse escudo.

Eu fiquei ali parada, olhando pro desastre na cama, e não sabia se ria alto, se dava uma bronca daquelas ou se saía correndo pra não explodir de nervoso. O dia tava só começando e já parecia que esse trabalho de “vigiar casa” ia virar novela das oito, com direito a trama médica e tudo. Até onde eu sabia, esse tipo de remédio os moleques tomavam direto pra se acharem os fodões, e nunca ouvi falar de alguém que morreu por causa disso, tipo, o pior era ficar com o pau duro horas e virar meme na emergência. A questão era: o Tomtom sabia disso ou tava achando que ia explodir?

Eu me virei pro lado, fingindo mexer no celular como se tivesse algo super importante rolando. Precisava ficar séria, não podia rir nem fodendo, senão o coitado ia achar que eu tava zoando a cara dele. Da cama, ele me olhava todo apreensivo, olhos grandes de cachorro pidão, e eu morrendo de curiosidade pra saber por que caralhos ele tinha tomado aquela porcaria. Andei devagar até a beirada da cama, sentei do lado dele com cara de enfermeira profissional, coloquei a mão na testa dele como se medisse febre e soltei, tentando não deixar a voz tremer de vontade de gargalhar.

— Tomtom, eu preciso ver como ele tá.

Eu mordi o canto da boca pra não rir, porque, vai, eu tava morrendo de curiosidade de ver o pau dele de verdade. Na noite anterior, eu só vi o volume no short, um pedacinho pulou pra fora quando a coisa esquentou, mas tava escuro pra caralho, mal deu pra ver direito.

— Anda, garoto, eu preciso ver seu pau pra saber se vou ter que te levar pro médico.

Ele riu sem graça, todo vermelho, com aquela vergonha de menino que não sabe onde meter a cara, e puxou o lençol devagar pra longe do corpo.

E a coisa tava lá.

Dura que nem uma pedra.