Capítulo 80

Tomtom tinha um pau comprido, envergado de um jeito esquisito, tipo uma banana que amadureceu torta, fino no corpo, mas com uma cabeça desproporcional, grandona e meio cogumelo mutante. Tava duro pra caralho, levemente roxeado nas pontas, com as veias saltando como se tivesse sendo apertado prendendo a circulação toda. Eu olhei calmamente, com cara de “médica experiente” que sabe o que tá fazendo, e me segurei com as duas mãos pra não colocar as mãos ali e dar o gostinho pro moleque tão fácil.

— Que horas você tomou isso?

Quando eu perguntei, a cara dele mudou como se tivesse tomado um soco na barriga, um desconforto tão grande que eu quase soltei uma gargalhada na hora. Ele não respondeu, mas eu apostava meu grelo que tinha sido logo depois de sair do meu quarto na noite anterior.

— Por que você tomou isso, Tomtom?

Pra minha surpresa, essa ele respondeu, todo baixinho e envergonhado.

— Eu queria experimentar pra ver como é.

— Entendi… — eu só falei, fingindo que tava tudo normal, mas por dentro pensando: “coitado, o bichinho deve ter engolido essa merda achando que ia me deixar de queixo caído, tipo, me impressionar com uma rola dura o dia inteiro”. Podem rir da cara dele à vontade, vai, mas olha só, pelo menos o Tomtom foi o único idiota que se esforçou de verdade por mim, né? Tipo, tomou o remédio pra tentar durar mais na putaria ou sei lá o quê. No fundo, foi uma burrice fofa pra mim, e eu fiquei impressionada sim, mais pela falta de noção dele, porque, caralho, experimentar viagra sozinho é nível master de cabaço, daqueles que morre virgem tentando bancar o garanhão.

Antes que eu decidisse o que fazer com aquele poste roxeado ali na minha frente, a campainha tocou alto, e pela hora só podia ser a Mariana chegando.

— Anda, vai tomar um banho gelado e bebe bastante água pra limpar isso do corpo.

Ele ia ficar bem, eu achava, essa história de água eu não sabia se funcionava mesmo, mas soava como solução de adulta responsável, e o importante era ele não correr pra ligar pra mãe dele contando o drama do pau duro eterno. Desci as escadas que nem flecha, coração ainda acelerado com a cena ridícula lá em cima, e corri pra entrada da casa. Minha prima linda e maravilhosa tava ali na porta, com mala e cuia, pronta pra invadir aquela mansão enorme comigo, e eu já tava doida pra mostrar cada canto pra ela, fofocar tudo e rir dessa loucura toda.

— Prima! Que bom que você veio! Eu tava com saudades de você! — gritei, correndo pra dar um abraço apertado nela, sentindo aquele cheiro familiar que me acalmava na hora.

— E aí, como estão as coisas?

— Você não vai acreditar se eu te contar, entra que eu te mostro a casa e vou contando tudo no caminho.

Eu contei tudo pra Mariana enquanto a gente andava pela casa, e contei nos mínimos detalhes, inclusive o que rolou com o moleque na noite anterior e como eu deixei ele louco. Mariana ouvia atentamente, boca aberta tipo peixe fora d’água, sem acreditar no que saía da minha boca. Ela ria alto, quase babando de tanto achar graça, mas quase se estragou de vez quando eu cheguei na parte do viagra e como o coitado tava no quarto, com a rola dura que nem poste torto.

Marian que sempre sonhou em ir para área da saúde sempre foi mais responsável com essas coisas que eu e falou séria.

— Julinha, é tudo muito engraçado, mas você sabe qual remédio ele tomou?

— Sei lá, deve ter sido viagra, né? Esses moleques vivem tomando essa merda pra se acharem os fodões.

— Então, prima, pede pra ele a caixa, vamos ver a bula direitinho. Porque remédio funciona diferente em cada pessoa, vai que o garoto tem um piripaque e a gente não sabe o que dizer pro médico.

Mariana tinha razão, como sempre, a safada é mais prática que eu nessas horas. Se o Tomtom desse um treco, eu ia ficar feita idiota explicando pro doutor que o menino tomou “alguma coisa azul pra deixar o pau duro”.

— Vamos lá no quarto dele, tá preparada pra ver uma rola dura e torta? — falei, passando o braço por cima do ombro dela, quase dando um beijo na boca ali no meio da sala, de tanta intimidade que a gente tinha.

— Claro! — ela respondeu rindo, animada pra caralho com a bagunça, olhos brilhando como se fosse aventura.

Quando chegamos as duas no quarto dele, o Tomtom parecia estar no banheiro, e pelo barulho do chuveiro correndo forte, o coitado tinha seguido meu conselho do banho gelado. Eu parei na porta do banheiro, que tava escancarada como se ele não ligasse pra privacidade, e gritei dali mesmo.

— Tomtom, eu tou com a Mariana aqui, me fala uma coisa, onde tá a caixa do remédio que você tomou?

— Tá na gaveta da cabeceira da minha mãe, do lado direito — respondeu a voz dele debaixo do chuveiro, meio abafada pela água, mas clara o suficiente pra gente ouvir.

Mariana e eu nos olhamos com aquela cara de “bingo”, e partimos como bala pro quarto principal da casa. Era o motivo perfeito pra xeretar tudo sem culpa, tipo, “a gente tá só pegando a caixa, né?”. Meu coração já acelerou só de pensar em invadir o quarto deles.

O quarto era imenso, do tipo que faz a gente se sentir pequena e pobre ao mesmo tempo, grande pra caralho, com pé direito alto que dava uma sensação de palácio. A cama era um convite escancarado pra rolar e se perder, king size enorme com dossel daqueles de madeira escura, lençóis brancos impecáveis que pareciam saídos de hotel cinco estrelas, e travesseiros fofos empilhados como se ninguém nunca dormisse ali de verdade. Tinha quase uma sala de estar dentro do quarto, com sofá de couro, poltrona, uma mesinha de centro e até uma lareira falsa que devia ser só pra enfeite. As janelas eram do chão ao teto, com cortinas pesadas que bloqueavam a luz, e o chão de madeira nobre brilhava como se alguém polisse todo dia.

A gente começou a xeretar porta por porta, animadas que nem criança em loja de doce. A primeira era um banheiro, luxuoso pra porra, com pia dupla e espelho iluminado. A segunda, Mariana abriu antes de mim e soltou um “caramba”.

— Caramba, tem dois banheiros no quarto? Isso que é vergonha de fazer xixi um na frente do outro.

O banheiro dela era todo branco, chique pra dedéu, com armário lotado de maquiagem, perfumes caros e cosméticos que eu nem sabia pra que serviam, e uma banheira enorme no meio do chão, daquelas compridas que cabe uma pessoa só, tudo em granito clarinho que brilhava. O dele era o oposto, tudo preto fosco, masculino moderno, com chuveiro daqueles de chuva e prateleiras cheias de produtos de homem, tipo aftershave e cremes que cheiravam a dinheiro.

A terceira porta era um closet gigantesco, o pé direito alto ia do chão ao teto, com armários infinitos, prateleiras iluminadas cheias de roupas dobradinhas perfeitamente, sapatos alinhados que nem exposição — eu parei babando nos saltos da minha tia, aqueles scarpins vermelhos que deviam custar um rim.

— Mariana, vamos lá pegar a caixa logo antes que alguém entre e veja a gente aqui.

O Tomtom tinha falado claramente onde estava o remédio, na gaveta da cabeceira, lado direito, mas a gente, óbvio, virou duas loucas e cada uma foi pra um lado da cama revirar uma cômoda diferente, como se fosse caça ao tesouro. Do meu lado tinha livros empilhados, uns papéis com anotações de trabalho que pareciam importantes, canetas caras e um monte de remédios alinhadinhos, tudo organizado. Não precisei fuçar muito pra achar a caixa, tava jogada ali no meio, o moleque nem se deu ao trabalho de guardar direito como os outros, preguiçoso do caralho.

— Prima, a vaca da Kátia larga ouro jogado na gaveta, é mole? — Mariana soltou, mostrando uns brincos dourados enormes e um cordão que fazia conjunto, brilhando que nem coisa de novela.

— E isso é ouro mesmo? — me estiquei pra ver melhor toda curiosa. — Achei o remédio.

— É sim, prima, reconheço de longe, e tem mais aqui — ela continuou fuçando, olhos brilhando como se tivesse achado mina de ouro.

— Prima, guarda isso porque depois se sumir a culpada sou eu — falei baixinho, já imaginando a bronca da tia se algo tivesse faltando, meu cu ia virar tambor.

Mariana soltou um “é” de quem concorda na hora e colocou tudo de volta no lugar, cuidadosa, mas aí a cara dela mudou pra uma surpresa daquelas, olhos arregalados.

— Julinha, olha isso!

Ela tinha um cartão na mão, preto fosco, daqueles que parecem pesados só de olhar. Ele era estranho, não tinha um design elegante ou nada escrito, apenas um chip dourado no meio, e só.