Capítulo 81
Peguei o cartão da mão da Mariana pra olhar melhor, mas não tinha nada de especial ali. Não era cartão de crédito, não era nada chique, só uma chave eletrônica. Daquelas que abrem porta sem fazer barulho. Metade daquela casa funcionava assim. Com sorte, aquilo abria a adega e a gente tomaria uns vinhos legais mais tarde.
— Mariana, guarda isso de volta — devolvi, já perdendo o interesse. Ela ainda ficou olhando pro cartão com a cara de quem não teve sua curiosidade totalmente satisfeita. — Depois a gente pensa nisso. Vamos ver o que tá acontecendo com esse moleque.
Ela guardou a chave, pegou a caixa do remédio de deixar o pau duro e assumiu aquela postura de quem sabe mais do que devia. A cara fechou, o tom mudou.
— Prima, isso aqui não faz milagre. Não deixa ninguém duro do nada.
— Mas não é pra isso que serve? — perguntei, irritada. Eu odiava quando as coisas não funcionavam do jeito simples que eu imaginava.
— Não. É pra corrigir problema. O povo usa achando que vira botão de liga e desliga, mas não é assim.
Cruzei os braços, encarando Mariana já querendo saber em quais putarias ela tinha se metido que não havia me contato.
— E desde quando tu virou especialista nisso tudo, Mariana?
Ela fez aquela cara pervertida, rindo com a língua entre os dentes, como quem já tava esperando a pergunta.
— O Otávio tomou isso pra usar comigo. — deu de ombros. — Não fez quase diferença nenhuma, prima.
Revirei os olhos, sem paciência pra história completa naquele momento, eu estava nervosa com a situação do moleque.
O que não saía da minha cabeça era o tempo. Ele disse que tava assim desde que eu saí do quarto. Isso já fazia horas. Muitas horas. E não parecia mentira. Tava envergonhado demais pra estar inventando. Fui eu que pedi pra ver e ele não sugeriu de mostrar assim logo de cara. Não tinha nada de anormal, nada alarmante. E isso me deixava ainda mais nervosa.
— Mariana, e se for verdade? — falei mais baixo. — A gente não conhece ele direito. Vai que dá merda e sobra pra mim.
Ela sentou na minha frente com calma demais. Calma suspeita. Pegou o celular, começou a mexer como quem já sabia o que ia encontrar. Quando virou a tela pra mim, falou num tom quase didático:
— Se fosse sério, isso aqui aparecia. Priapismo. E se fosse isso mesmo, ele já tava desesperado, batendo na sua porta, pedindo ajuda. Não tava quietinho daquele jeito.
Fiquei olhando pra tela, sentindo o estômago embrulhar. Não era alívio. Era outra coisa. Uma mistura de raiva com a sensação de ter sido usada.
— Então por que ele falaria uma coisa dessas? — perguntei. — Não tem lógica.
Mariana inclinou a cabeça, me olhando como se eu fosse lenta demais pra acompanhar.
— Tem, sim. — fez uma pausa curta, proposital. — Pra chamar sua atenção.
Aquilo me bateu errado demais.
— Tu tá dizendo que ele inventou isso tudo só pra… — nem terminei a frase.
— Pra te provocar. Pra te mostrar a rola, sua idiota. — Ela deu um meio sorriso. — Homem tem mania dessas coisas.
Senti o sangue subir. Guardei o remédio na gaveta sem cuidado nenhum. Não tava mais pensando direito. Só queria resolver aquilo do meu jeito.
Virei pra sair, mas Mariana foi mais rápida. Segurou meu braço com força suficiente pra me parar.
— Julinha, para. — disse sério. — Se tu entrar lá agora, do jeito que tá, vai fazer exatamente o que ele quer.
— Mariana, mas eu tenho que ver isso direito, vamos voltar lá e no caminho a gente improvisa.
Voltamos para o quarto dele, e o Tomtom estava lá, largado na cadeira do computador, com aquela expressão de quem não está nem aí para o mundo, bebendo um suco de caixinha como se nada tivesse acontecido. A Mariana parou na porta, me lançando um olhar de canto de olho do tipo “eu te avisei”, mas eu ignorei completamente e fui direto até ele.
— Tomtom, você melhorou?
Ele me encarou, deu uma olhadinha rápida para a Mariana, pensou por um segundo e soltou um “Uhum” bem preguiçoso, balançando a cabeça devagar.
— Uhum? Sério, Tomtom? — O sangue me subiu à cabeça na hora, porque a Mariana tinha razão o tempo todo. — Você me deixa morta de preocupação achando que está passando mal de verdade, e agora vem com um simples “Uhum” pra mim?
— Eu… eu melhorei, Julinha — ele respondeu, gaguejando um pouco, com aquele sorriso ingênuo que parece coisa de bobo, mas que de bobo não tem absolutamente nada. — Foi só um sustinho mesmo.
Fiquei ali plantada, de braços cruzados, irritada pra caralho porque ele tinha me enrolado direitinho, mas ao mesmo tempo sentindo aquela curiosidade idiota crescendo dentro de mim, querendo entender por que diabos ele tinha armado aquilo tudo. Eu queria dar uns tapas nele, mas óbvio que não ia fazer isso.
— Tá bom, Tomtom, é o seguinte — eu disse. Na verdade, eu tinha planos bem diferentes na cabeça, do tipo que envolviam arrancar a pele dele ou cortar as bolas fora, mas de repente me bateu uma loucura diferente. — Você fez toda aquela cena só pra me mostrar o seu pinto?
Quando eu soltei a pergunta, ele engasgou feio com o suco, que saiu pelo nariz e espirrou tudo na camisa dele. Tive que esperar ele parar de tossir e se recuperar pra continuar. Da porta, a Mariana que já tinha sacado a mudança brusca no meu tom, fechou a porta bem devagarinho e girou a chave na fechadura.
Agora ninguém ia ver o que eu ia aprontar com ele.
Ele ficou ali, parado na cadeira, com a cara mais patética e assustada do mundo, me encarando como um cachorro que espera o chute. A camisa toda lambuzada de suco só tornava a cena ainda mais ridícula e humilhante.
— Levanta. Agora.
Ele se ergueu devagar, e eu vi na hora: aquele jeito encolhido, as mãos tremendo ligeiramente, era o corpo de quem sempre apanhou na vida, de quem já sabe que não tem escapatória. Ficou de pé, juntando as mãos na frente do corpo como se isso pudesse protegê-lo de alguma coisa.
— Agora, senhor Tomtom, tira a roupa.
Olhei rápido para a Mariana na porta — ela estava com os olhos brilhando, claramente curtindo o espetáculo.
— Julinha, não… eu tenho vergonha… — a voz dele saiu baixinha, quase um sussurro.
— Ah, agora tem vergonha? Mas não teve na hora de fingir que tomou remédio só pra me mostrar o pinto, né?
— Desculpa… eu só quis… é… eu só… — ele gaguejou, vermelho até a raiz do cabelo, sem conseguir terminar.
Me virei para a Mariana, que ainda não tinha sacado exatamente o meu plano, e soltei com a maior naturalidade:
— Mariana, quanto tempo mesmo que esse remédio dura?
— Trinta e seis horas, prima.
— Pois é, rapaz. Remédio é caro, a gente não vai desperdiçar, né? — dei um passo firme na direção dele, agarrei a barra da camisa suja e puxei um pouco pra cima, só pra ver ele se encolher mais. — Você agora vai ter que ficar de pau duro essas trinta e seis horas inteiras, Tomtom.
— Mas… mas eu não consigo… não dá pra tanto tempo…
— Mesmo com remédio? — cheguei bem perto, colei meu rosto no dele, com a expressão mais louca que consegui fazer, voz baixa e ameaçadora. — Então escuta bem: ou você fica durinho e me come direitinho… ou eu é que vou comer você.
Ele me olhou completamente perdido, os olhos arregalados de pavor puro. Não era felicidade, não era tristeza — era desespero total. A boca abria e fechava, mas nenhuma palavra saía.
— Mariana, amor… vai na cozinha e pega uns pepinos pra mim? Uns bem grossos, tá?
— Claro, prima! Já vou!
Ela se virou pra porta como se fosse mesmo sair, mas eu sabia que estava só fingindo — na verdade, ficou ali parada, de costas, segurando o riso por dentro. Mariana sabia ser uma filha da puta de primeira quando queria, e estava adorando ver o coitado se borrando de medo esperando minha próxima jogada.
Eu dei um empurrão forte no peito dele, fazendo-o cambalear pra trás e quase cair sentado na cama. Os olhos dele marejaram na hora, como se estivesse a um passo de chorar de verdade.
— O que foi, Tomtom? Quer chamar a mamãezinha pra te salvar?
Ele soltou um choramingo baixinho, derrotado, e tirou a blusa com as mãos trêmulas, jogando-a no chão do quarto. Depois me olhou de novo, suplicante, esperando que eu mudasse de ideia, que aquilo fosse só brincadeira.
— A bermuda agora. Vai logo, quero ver essa rolinha minúscula que você tem aí de novo.
— Ih, prima? Ele tem pau pequeno mesmo? — A voz da Mariana veio rouca, carregada de malícia. Ela se aproximou devagar, rebolando de leve como se estivesse dançando só pra mim, cada passo calculado pra me provocar. Aquela filha da puta sabia exatamente o que estava fazendo.
Ela parou bem do meu lado, colando o corpo no meu de lado, e me abraçou pela cintura. Senti a mão dela deslizar devagar por baixo da minha blusa, subindo pela barriga quente até agarrar um dos meus peitos com firmeza, apertando de um jeito que me arrancou um suspiro involuntário. Ao mesmo tempo, ela virou o rosto pro meu e me deu um beijo profundo, lento, a língua invadindo minha boca sem pedir licença, rodando, chupando, me dominando inteira. Puta que pariu, se aquilo era só encenação, ela tinha me deixado encharcada em segundos.
Ela se afastou devagar, lambendo os lábios com um sorriso safado, os olhos brilhando de tesão puro.
— Bom… se for muito pequeno, não vai satisfazer nós duas mesmo — sussurrou, a voz baixa e provocante, apertando meu peito mais uma vez antes de soltar. — Aí sobra mais de você pra mim, prima.

