Capítulo 86
Ficamos na cama mais um pouco, abraçadas, ainda rindo baixinho daquela loucura toda, o corpo mole mas a cabeça fervendo de ideias pervertidas. O Tomtom tava demorando demais no banheiro, e a gente começou a se beijar devagar, língua preguiçosa, mão boba passeando uma na outra, enquanto fofocava todo tipo de indecência que nossas cabecinhas safadas conseguiam inventar.
— Prima, o garoto gozou dentro de você?
— Não, ele deve ter gozado em você...
— Não, por isso eu tô perguntando, o garoto não jogou um leite ainda — ela fez uma cara de espanto, os olhos arregalados. — Prima, o garoto deve tá empedrado...
— Empedrado? — eu caí na gargalhada, apertando a barriga. — Daqui a pouco ele goza, deve tá nervoso, tadinho, e tem o remédio que ele tomou ainda.
— Mas o Otávio sempre reclama que o saco dele dói horrores quando fica de pau duro muito tempo e não goza.
— Vamos fazer ele gozar então? — sugeri perguntando, mas era uma afirmação.
— Vamos — Mariana respondeu na hora, excitada como se tivesse ganhado um presente. — Como?
— Vamos chupar ele nós duas, o que você acha? — eu me sentei na cama, simulando uma cena de filme pornô, jogando o cabelo pra trás com drama. — Fazer igual aqueles vídeos que o cara goza distribuindo na cara das duas? O que acha, hein? Uma chuva de leite quente pra gente dividir?
A gente caiu na risada da minha performance ridícula, eu fazendo careta de atriz safada, língua pra fora como se já estivesse esperando.
— Julinha, tu não gosta de dar o cu? Então aproveita...
Eu pensei um segundo, sentindo um frio na barriga misturado com curiosidade, mas antes que eu pudesse abrir a boca ela continuou, já rindo:
— Mas deixa ele me comer primeiro mais um pouco, que eu não quero o pau dele sujo de merda na minha boceta!
— Que mané sujo de merda, meu cu é limpo, eu cago flores do campo!
— Flores do campo? Só se for as flores do inferno, né? Tu é podre por dentro, Júlia.
A briga virou uma troca de tapas leves e risadas abafadas, eu fingindo ofensa, ela me chamando de fedida do inferno, eu dizendo que eu cagava perfume de rosas podres, mas paramos quando o barulho anunciou que ele estava voltando pro quarto. A porta do banheiro abriu, e ele veio andando, o pau agora meia-bomba balançando pra lá e pra cá, rosto e cabelos molhados de água, aquela velha cara de envergonhado misturada com um sorriso bobo, feliz da vida, como se tivesse ganhado na loteria e não soubesse como lidar.
Mariana não esperou ele dar o segundo passo na nossa direção e soltou direto, sem rodeio:
— Menino, o que você acha de comer um cu?
Eu fiquei surpresa com meu cu sendo oferecido na feira desse jeito, mas a cara do moleque foi impagável. Ele congelou no ato, um sorriso enorme brotou na cara dele e pela primeira vez eu vi algum brilho de confiança ali, tipo "caralho, é agora".
— Quero, claro que eu quero.
— Mas... Você por acaso teria lubrificante? — continuou Mariana, já com aquele tom prático de quem não quer merda.
— Claro que ele não tem, Mariana. Só se fosse pra bater punheta! — falei desdenhando, rindo por dentro.
Ele parou e pensou um pouco, e num momento eureka o rosto se iluminou.
— Meus pais devem ter, só tenho que procurar.
Mariana e eu nos olhamos na hora, lembrando do danado do [[ep-80-O cartão preto|cartão preto]] que a gente tinha fuçado, e eu fiquei tentada a perguntar, mas óbvio que não podia dizer que a gente tinha xeretado o quarto deles.
— Então vai pegar, mané!
Quando ele deu as costas, claro que a gente foi atrás, uma procissão de gente pelada pela casa em direção ao quarto dos pais dele. Quando chegamos, Mariana e eu fingimos que não tínhamos fuçado metade do quarto e ficamos nos comunicando por telepatia, enquanto ele procurava nos lugares que a gente sabia que não tinha um pote de lubrificante.
— Tomtom, seus pais não iam deixar isso à vista, deve estar escondido, você não sabe onde eles escondem?
O veneno da Mariana era claro pra mim, ela queria que ele revelasse onde os pais guardavam a caixinha de safadeza do casal, todo casal tem uma. O Tomtom ouviu, se sentou na cama arrumando o saco, estranhamente confortável por estar pelado sentado na cama dos pais, pensou e falou quase que pensando alto:
— Só se...
— Só se o quê, garoto? — falamos quase juntas!
— Meus pais têm uma sala aqui, eu nunca entrei lá, mas eu sei que tem.
Na hora eu olhei pra Mariana e as duas com os olhos arregalados pensamos juntas "UMA SALA?". A gente não falou nada. Até então a gente achava que o cartão era tipo uma chave de adega ou uma chave mestra da casa. A curiosidade queimava forte, meu coração acelerou como se a gente tivesse descoberto um tesouro proibido, e dava pra ver que Mariana tava na mesma, mordendo o lábio pra não soltar um "porra, que isso?" alto demais.
Mas aí ele foi certeiro na gaveta, abriu e falou:
— Ahn, tá aqui — ele mostrou o cartão pra gente.
Mariana olhou sonsa e soltou uma dela:
— Tomtom, cartão pra quê, vai pedir pizza?
Ele riu, um riso meio nervoso, mas animado, daqueles que saem quando o moleque acha que tá no controle pela primeira vez. Andou rápido pro closet do casal que a gente tinha xeretado antes, parando do lado daquele espelho enorme, lindo de morrer, com moldura pesada e fundo escuro que refletia a gente pelada toda. Ele se inclinou pra ver alguma coisa na borda, e nós duas chegamos perto na ponta dos pés, curiosas, o coração na boca, o corpo ainda quente.
Mariana me deu uma cotovelada de leve, os olhos brilhando de "olha só que porra é essa", e eu senti o mesmo frio na barriga misturado com tesão de descobrir segredo alheio. O Tomtom encostou o cartão ali, bem na junção do espelho com a parede, e um apito sonoro curto soou, tipo bipe de alarme discreto. Na hora o espelho estalou num clique seco, soltando da parede com um estalo que ecoou no quarto inteiro.
Era uma porta escondida.
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