Capítulo 92
Meu coração foi parar na goela. Eu olhei pro cintaralho que ainda estava na Mariana, apontei freneticamente e articulei com a boca sem som: “Lava! Lava!” Ela entendeu na hora, pegou o troço e tudo que tava jogado — plugs, chicote, frascos — e saiu correndo pro outro quarto.
— Sim, tio. Pode confiar.
— Eu tenho um cofre no meu quarto. Pode ter ficado aberto ou não fechou direito. Aqui no sistema diz que ele foi aberto duas vezes hoje e ainda está aberto. Alguém diferente foi aí hoje?
— Não, tio. Só a Mariana. Nenhum funcionário entrou na parte superior da casa. A moça da limpeza nem veio hoje, combinei dela vir amanhã.
Ele fez um silêncio longo. Eu senti o suor frio escorrer pelas costas.
— Vai até o closet e veja o que diz a fechadura. Se está verde, vermelha ou apagada.
Quando ele falou do “cofre” eu pensei na hora: fudeu. Eles descobriram tudo. O quarto da sacanagem inteiro exposto, brinquedos fora do lugar, a porta escondida escancarada. Meu estômago embrulhou.
— Tá, tio… eu tô no banho agora. Vou terminar aqui urgente e vou lá agora mesmo. Deixa só eu me enrolar numa toalha.
— Calma, não precisa. Pode terminar seu banho e ir com calma.
Ele disse aquilo por educação, mas a urgência na voz era clara. Ninguém deixa um cofre desses aberto, ainda mais aquele. Eu me sequei no papel higiênico mesmo — toalha nem pensei em usar, tava tudo sujo —, vesti a roupa que achei no outro quarto às pressas e corri pra encontrar a Mariana.
Ela tava no lavabo do andar superior, lavando freneticamente o cintaralho, os plugs, o chicote, tudo que tinha saído do quarto secreto. Secava com uma toalha felpuda, tentando não deixar rastro. Tomtom parado do lado, sem graça, sem saber o que fazer.
— Mariana, ele pediu pra eu ver o cofre. A fechadura… verde, vermelha ou apagada.
Ela parou o que tava fazendo, olhos arregalados.
— Caralho, Julinha… a gente deixou aberto. Eu vi o espelho fechando, mas não conferi se travou direito.
— Não, vocês deixaram aberto, eu fui no quarto exatamente falar isso... — falou o Tomtom com medo de apanhar.
Meu coração afundou. A gente tinha fuçado tudo, usado brinquedos, deixado bagunça. O tio viu o registro de abertura duas vezes… e se tivesse câmera lá dentro?
Eu respirei fundo, tentando não surtar.
Peguei todos os itens que a gente tinha usado — plugs, vibradores, chicote, frascos de lubrificante, o cintaralho infelizmente incluso — e fui sozinha pro quarto do tio Rubens. Não queria nenhum dos dois na minha cabeça falando merda, me distraindo ou piorando a paranoia. Entrei no closet com uma toalha de rosto na mão, como se isso fosse impedir de deixar impressão digital. Ridículo, eu sei. Aquelas coisas tinham marcas minhas, da Mariana e do Tomtom em cada centímetro — saliva, porra, melado de buceta, suor. "Julinha, para de paranoia. Você acha mesmo que eles vão fazer DNA nisso pra descobrir quem mexeu?" Ri da minha própria idiotice, um riso nervoso e baixo, e empurrei o espelho.
Entrei no quarto secreto. O ar ainda tava pesado de borracha nova e lubrificante doce. Comecei a colocar tudo no lugar do jeito que eu lembrava: chicotes pendurados por tamanho, plugs alinhados nas bases de joia, vibradores de volta nas gavetas organizadas. O problema é que a Mariana tinha fuçado tudo como se fosse Black Friday de putaria. Tirou coisas do lugar, misturou tamanhos, deixou uns fora da caixa. Fiz o melhor que pude, arrumando na pressa, sentindo o cu ainda arder a cada movimento, as nádegas marcadas latejando sob a roupa. Olhei em volta uma última vez, triste pra caralho. Tinha feito tantos planos mentais com aquelas coisas — usar o cintaralho maior na Mariana, testar os plugs maiores, talvez até chamar a Diana pra uma bagunça maior. Agora era adeus. Fechei a porta do espelho com cuidado.
A luz piscou: verde por um segundo, depois vermelha forte, e apagou de vez. Trancado. Pronto.
Respirei fundo e liguei de volta pro tio.
— Tio, tava vermelha. Apertei o espelho e a luz apagou. É assim mesmo?
— Ah, que ótimo. Então era isso, devia não estar encaixado direito — ele respondeu aliviado, voz mais leve. Fez uma pausa curta, e pra diminuir minha curiosidade jogou uma mentira óbvia: — Só pra você saber, filha, ali é onde eu guardo os documentos das propriedades e uma arma pra segurança da casa. Por isso o Tomtom nem pode saber, pra evitar acidente. Adolescente é fogo, você sabe, né?
— Sei, tio. Eu convivo com um monte deles. Pode deixar que ele não vai nem saber disso, tá bom?
— Que bom. Fico orgulhoso de saber que minha futura estagiária é tão eficiente…
Estagiária?
Ele tinha comentado isso na mesa uma vez, mas eu achei que era papo da boca pra fora. Agora ficou claro: não era. Ele tava me prometendo emprego, futuro, só pra eu ser eficiente, discreta, calada. Eu não sou burra. Entendi o jogo na hora. Sorri pro celular mesmo ele não vendo.
— Pode contar comigo, tio. Boa viagem.
Desliguei. O coração voltou a bater normal, o suor frio secou nas costas. Voltei pro quarto onde a gente tinha bagunçado tudo e contei pros dois o que rolou. Mariana arregalou os olhos, Tomtom ficou pálido como se tivesse visto fantasma.
— A gente quase se fodeu de vez — falei baixo. — Mas tá resolvido. Agora faxina. Nos dois quartos. Lençóis na máquina, chão limpo, tudo no lugar. Sem deixar rastro.
Eles obedeceram na hora. Eu fui pro banheiro, finalmente. Tirei a roupa devagar, sentindo cada marca: as nádegas vermelhas e ardidas dos tapas, as impressões dos dedos dele na cintura, o cu ainda sensível e inchado. Entrei debaixo da água quente, deixei escorrer tudo — suor, lubrificante, porra que ainda vazava um pouco, o cheiro de sexo que grudava na pele. Fiquei ali parada, olhos fechados, água batendo na cara, pensando: “Por hoje chega. A festa oficialmente terminou.”
Saí do banho enrolada na toalha, corpo mole, mente vazia. A casa tava silenciosa. Mariana e Tomtom já tinham terminado a faxina, lençóis novos na cama, quarto cheirando a limpo de novo. Eu me joguei na cama, apaguei a luz e dormi como se o mundo tivesse acabado ali.
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