Capítulo 3
AVISO DE CONTEÚDOEste conto contém cenas de extrema violência, crime, dominação e situações moralmente questionáveis. Não é recomendado para leitores sensíveis. Se esse tipo de narrativa não é para você, sugiro que procure outra leitura.
O silêncio pesava como chumbo. A escuridão ao redor parecia segurar a respiração junto com os homens ali presentes. Meu olhar fixo no desgraçado ajoelhado à minha frente.
— Quer dizer que você gosta de assediar mulher grávida? — perguntei, sem pressa, deixando a pergunta pairar no ar como uma ameaça.
— Não, senhora! Não fui eu não! — a voz dele saiu embargada, desesperada.
Ah… tem que ter paciência com essa gente. Eles erram o tempo todo, confundem, se perdem na própria merda. Mas eu precisava ter certeza. Estava escuro, e para mim eram todos iguais. Pardos, pobres, uniformizados na mesma desgraça. Mas não, não havia engano. O uniforme da empresa de transporte entregava. Era ele.
— Você não disse mais cedo que queria mamar?
— Não, madame, eu juro por Deus…
PEI!
O disparo cortou o silêncio como uma lâmina quente atravessando carne. O impacto jogou o miserável no chão. Ele agarrou a perna, gritando, a voz rachada de dor.
— Pastor, onde pegou?
O Pastor deu um passo à frente, observou o verme se contorcendo e sorriu de leve.
— Na canela, Patroa. Deve estar doendo.
— Puta merda, eu mirei no pé.
— Atirar nesse ângulo é complicado mesmo, Patroa. .45 tem um coice infernal. Mas foi um belo tiro. Parabéns, Deus tá do seu lado.
— Obrigada, Pastor.
Alguns dos homens riram, outros pareceram desconfortáveis. O tal Menor 3Pika, esse idiota que se achava importante, soltou uma risada nervosa.
— Ialá aê!
Patético.
Me abaixei levemente, forçando o merdinha a me encarar. Ele choramingava, suando, se contorcendo de dor.
— Eu não gosto de gente que mente. E gosto menos ainda de gente que mexe com grávida. Entendeu?
— Foi mal, dona… Ai, tá doendo muito…
O Pastor, sempre atento, comentou como se desse um aviso casual:
— Ele vai perder o pé, Patroa.
Olhei para o miserável, sentindo a adrenalina pulsar.
— Tu gosta de mamar ou não?
A hesitação foi quase palpável. Ele podia ter dito não. Podia ter aceitado o fim ali mesmo. Mas o burro achou que responder o que eu queria ouvir era uma opção válida.
— Sim, madame… Eu falei, mas eu peço perdão a ela… Por favor, não me mata…
Eu amava esse momento. O som da voz de alguém implorando pela vida era quase viciante.
— Então, se você gosta de mamar… Você vai mamar.
Meus olhos foram direto para o gerente do morro.
— Vem cá, coração. Fica ali na frente dele e abaixa a calça. Pode soltar seu fuzil. A arma que você vai usar agora é outra.
O vagabundo olhou em volta, procurando alguma reação, alguém para interceder. Mas ali ninguém ia ajudá-lo. Riu sem graça, engoliu em seco e, aceitando seu destino, entregou o fuzil para um dos homens ao lado.
O silêncio que se seguiu foi brutal. A respiração pesada dos homens ao redor se misturava com o vento quente que soprava lixo e poeira pelo chão de terra batida. O gerente do morro estava ali, de pé, os ombros tensos, enquanto o homem ainda agonizava no chão, segurando a perna ensanguentada.
Me aproximei um pouco mais, os olhos cravados no gerente.
— Você é o gerente do morro, não é?
Ele engoliu em seco.
— Sou, sim senhora.
— Uma mulher grávida reclamou que esse idiota mexeu com ela? Melhor ainda… alguma mulher já reclamou dele com você? Eu sei que várias vieram reclamar — menti, deixando a dúvida corroer ele por dentro.
Ele hesitou. Puta merda, era óbvio que ia engolir a isca.
— Vieram sim, senhora.
— E o que você fez?
— … nada.
Minha expressão se manteve neutra.
— Por que não fez nada?
— Ele é meu irmão, senhora.
Ah… agora as peças se encaixavam.
— Entendi. Então seu irmão pode fazer o que quiser na favela?
— Não senhora…
— Ótimo.
Dei um passo para trás e olhei para o desgraçado no chão. Ele soluçava baixinho, talvez tentando entender o que ia acontecer agora.
— O mamador — chamei, olhando para ele como se fosse um pedaço de carne jogado no chão. — Um de vocês sai vivo daqui. Eu não sei qual ainda.
O gerente ficou imóvel, piscando, tentando processar.
— Você vai mamar seu irmão — continuei, minha voz sem pressa, sem hesitação. — Até eu ver o leitinho branco jorrando e vai beber tudinho para o nenném sair daqui bem alimentado, ouviu?
Um silêncio horrorizado caiu sobre todos.
— Entendeu?
O gerente arregalou os olhos, o peito subindo e descendo rápido.
— Senhora, por favor…
Levantei a arma, mirando direto na cabeça dele.
— Eu não tenho todo o tempo do mundo, não. Vai. Começa.
Ele olhou em volta, tentando encontrar algum apoio, alguma intervenção divina que o tirasse daquela situação. Mas ali ninguém ia fazer nada.