O corpo do homem de pé reagia a cada novo estímulo. Os dedos dele se apertavam involuntariamente, a respiração acelerava. Um som grave escapou de sua garganta quando o outro aprofundou o ritmo, levando-o mais fundo, explorando mais fundo. A mandíbula trabalhava, a língua pressionava os pontos certos, entre choros e lágrimas, deslizava babado engolindo até a base e subia de novo, fazendo a tensão crescer a cada segundo.

— Acho melhor você se concentrar bem e gozar na boquinho do seu irmão! — falei cantarolando lembrando a ele que eu tinha hora de ir embora.

Os gemidos ficaram mais pesados, seus olhos se apertaram, a respiração virou um caos de ofegos irregulares. Ele perdeu o controle, mas o prazer veio em ondas, cada vez mais intenso, até que seu corpo inteiro se enrijeceu. Os quadris se moveram involuntariamente para frente, buscando mais, querendo mais. E então, no último momento, um tremor violento percorreu sua espinha e ele gemeu alto, se desfazendo com força, os músculos contraídos, os dedos cravados na própria pele.

O esperma foi recebido pelo irmão moribundo no chão, que mantinha aquele líquido na boca me mostrando como prova que havia cumprido a minha determinação.

— Agora, engole bebê.

Ele engoliu, sufocando, engasgando, tossindo forte enquanto quase colocava tudo para fora. O corpo tremia, a respiração errática, os olhos vermelhos de humilhação e medo.

— Acho que você aprendeu sua lição. — Minha voz saiu fria, cortante. — Aqui não se mexe com mulher dos outros, muito menos com mulher grávida. Estou certa?

Ele soluçou, a voz falhando entre o choro.

— Sim, senhora…

— Ótimo. Vocês dois, levem ele para o Hospital Salgado Filho. Digam que foi a polícia que atirou no morador. Essa porra tem até carteira de trabalho se bobear e tá uniformizado. E se aquele governador de merda se fuder por isso, eu vou ficar muito feliz.

Dois homens jogaram os fuzis para trás, prendendo-os nas costas antes de se abaixarem e levantarem o desgraçado do chão, cada um segurando um braço. Ele foi arrastado, gemendo de dor, os pés arrastando poeira enquanto era carregado para fora dali.

Meu olhar voltou para o gerente do morro. Ele ainda estava parado, tenso, o rosto pálido sob a luz fraca.

— Você. — Meu tom era seco, impiedoso. — Você é o gerente daqui. O responsável por manter a ordem, por proteger as pessoas. E o que fez? Acobertou um merda desses só porque era seu irmão.

Ele abaixou a cabeça, os lábios tremendo.

— Sim, senhora… Eu entendi… Não vai mais acontecer.

— Não. Não vai mais mesmo. Sabe por quê?

Foi nesse instante que os olhos dele se encheram de lágrimas. O corpo dele enrijeceu, os músculos tensos como se quisessem resistir ao inevitável. Mas não havia saída. Ele sabia. Todos sabiam.

Eu sorri de leve, o gosto do poder escorrendo doce na minha buceta.

— Você tá demitido.

O silêncio durou um segundo. Depois, o estalo da ordem sendo cumprida.

— Coloquem ele no pneu.

Os homens se moveram rápido. O gerente tentou recuar, mas já era tarde. Mãos fortes o agarraram, puxando seu corpo como se ele não pesasse nada. Ele se debateu, tentou resistir, mas não havia mais saída. Seu destino já estava traçado.

Eu não precisava ver os preparativos. Me afastei, caminhando de volta para o carro enquanto providenciavam a gasolina. O cheiro de borracha e carne queimada, os gritos de desesperos já estavam impregnados no ar.

O Pastor, sempre à espreita, não perdeu a oportunidade de fazer uma pregação.

— Parabéns por ter feito a obra de Deus, senhora.

Revirei os olhos, acendendo um cigarro.

— Como assim? Tá doido?

— A homossexualidade é crime perante os olhos do Senhor, e aquele homem… foi chupado pelo próprio irmão e verteu o sal da terra. Isso é um pecado enorme!

Soltei a fumaça devagar, deixando o cinismo escorrer na minha voz.

— Mas o outro saiu vivo daqui, Pastor. Eu falhei em fazer a obra de Deus?

Ele não hesitou.

— Não, senhora. Aquele homem já estava morto por dentro. E Deus… Deus deu um livramento a ele. Pode acreditar, amanhã mesmo ele vai estar numa igreja, de joelhos, orando como um homem novo e abençoado.

Soltei uma risada baixa.

— Então glória a Deus, né, Pastor?

— Aleluia, senhora.

Olhei em volta pela última vez e falei

— Vai no outro carro. Deixa que eu dirijo.

Entrei no frio do ar condicionado ao lado de Timóteo, que mantinha os olhos baixos, evitando olhar para a cena. Ele nunca teve estômago para esse tipo de coisa.

Calmamente, desabotoei minha calça e a empurrei para baixo, deixando-a presa nas coxas. Sem tirar os olhos do homem que queimava, dei minha última ordem.

— Toca uma siririca pra mim, Timóteo.

Ele hesitou por uma fração de segundo, mas logo seus dedos ágeis deslizaram entre minhas pernas, precisos como sempre.

— Nossa… você está escorrendo — murmurou, quase surpreso.

Eu sorri, deixando a cabeça tombar para trás, os olhos semicerrados no puro deleite do poder absoluto.

— É… Vamos embora. Quando chegar em casa você vai me comer está bem?

— Com certeza!