Capítulo 4
AVISO DE CONTEÚDOEste conto contém cenas de extrema violência, crime, dominação e situações moralmente questionáveis. Não é recomendado para leitores sensíveis. Se esse tipo de narrativa não é para você, sugiro que procure outra leitura.
Na outra quinta-feira, eu estava na minha boate, no escritório do segundo piso. De lá, através do vidro blindado, dava pra ver todo o salão de dança principal. Na parede à direita, os monitores me mostravam cada canto da casa — sim, inclusive os banheiros. Nunca se sabe quando um teco ou uma boa foda num mictório pode virar moeda de troca.
A gente tinha nossas próprias putas, mas sempre aparecia uma ou outra de fora tentando faturar na nossa banca, e isso deu problemas. Então deixamos que se cadastrassem e começamos a tirar proveito disso. Elas podiam escolher: ou nos davam uma porcentagem, ou passavam informação. No geral, eram só oportunistas tentando arrumar um golpe de barriga. Algumas eu até ajudava, dependendo do caso.
— Timóteo, quem é a vagabundinha malvestida ali?
Uma garota destoava completamente das outras. Jeans largo, blusa comprida amarrada na cintura, cabelo parecendo um desastre químico. Devia ser nova. Bonita. O corpo, normal — não tinha aquele ar de puta. Mas o que mais chamava atenção era o medo. Se encolhia num canto, como se estivesse no lugar errado.
Eu gosto de quem sente medo.
Farejo de longe.
— Timóteo, quem é a vagabundinha malvestida ali?
Timóteo, que sempre estava comigo, olhou curioso procurando, franzindo a testa antes de encontrar a garota no meio do salão.
— Deve ser alguém do staff que se enfiou onde não devia.
Ajeitei meu copo na mesa, girando o gelo entre os dedos, sem tirar os olhos dela.
— Se for, dá um esporro em quem deixou ela com as putas. Se for puta, traz aqui. Quero conhecer essa história de perto.
Timóteo soltou uma risada curta, balançando a cabeça.
— Vai pôr ela pra mamar alguém? Você tá obsessiva com isso!
Inclinei o queixo na direção dele, impaciente.
— Anda logo, tô curiosa, pô!
Vi quando Timoteo chegou no salão e as piranhas todas tentaram atacar ele, elas o conheciam dali, sabia que ele era meio que um dos responsáveis do lugar, o vagabundinho ria para todas elas cheio de graça, ele iria levar um corretivo por isso depois. Ele falou com a menina, que imediatamente quando foi chamada fechou os braços em volta do seio como se tapasse toda, imediatamente eu percebi um sorriso maléfico no meu rosto, minha vítima estava cheia de medo.
Minutos depois os dois estavam cruzando a minha porta, a visão que ela deve ter tido de mim deve ter sido tremenda, meu escritório era caro, estilo Big Brother, uma penumbra leve com pontos de luz focando na pessoa atrás da mesa deixando ela grandiosa — no caso era eu! Ela entrou tímida e devagar olhando tudo em volta com sua mochilinha surrada que deve ter acompanhado ela por todo o segundo grau. Nos pés um All Star vermelho muito velho. Ela tinha um estilo, admito, pobre, mas era um estilo.
— Quem é você, coração?
A pergunta veio sem pressa, sem levantar a cabeça. Só observando de canto de olho.
— Amanda.
A voz dela era um fiapo.
— Amanda é seu nome de verdade?
— Sim?
Inclinei a cabeça, deixando o silêncio pesar.
— Você é puta, filha?
Ela respirou fundo, hesitou.
— Não… er… Sim.
Levantei os olhos devagar, prendendo o olhar dela.
— É puta ou não é puta?
Ela se encolheu, apertando os dedos no tecido da blusa.
— Sim.
— E desde quando puta usa o nome verdadeiro?
Ela não respondeu. Timóteo estendeu um papel.
— Os dados dela estão aqui, Patroa. Eu chequei. É de maior.
Peguei o papel sem pressa.
— Dezoito anos… bom…
O olhar dela dançava de um lado pro outro, como se procurasse uma saída.
— Você não é puta. E quer ser, não é?
O queixo dela tremeu antes da resposta.
— Sim.
— Topa tudo?
A hesitação demorou mais dessa vez.
— Sim…
Deixei o papel de lado, cruzei as pernas.
— Posso mandar o Timóteo comer seu cu agora?
Os olhos dela se arregalaram. A boca abriu antes da voz sair.
— Nãoooo! Por favor!
— Tu nunca deu por dinheiro, né, ô idiota?
Ela balançou a cabeça devagar, os olhos vidrados em mim.
— Não…
— Tu faz mulher?
Ela engoliu seco, hesitante.
— Posso fazer. Nunca fiz.
— Tira a roupa. Quero ver teu corpo.
Ela parecia ter tomado um choque na espinha. Amanda congelou, os dedos tremendo tamborilando no jeans. O peito subia e descia rápido, a respiração curta.
Timóteo digitava algo no celular, rapidamente. Peguei o meu, já sabendo que a mensagem era pra mim.
"Teste do sofá? Vai mandar pro Xvideos?"
Revirei os olhos e voltei pra cena.
A garota soltou a mochila no chão, como se aquele gesto fosse um escudo. Olhou pra Timóteo, tentando como se mostrasse que a presença dele a incomodava.
— Amor, puta trabalha pelada e na frente de homem.
Ela nem piscou. O peito subia ainda mais rápido, os ombros trêmulos.
— Anda, não tenho todo o tempo do mundo. Se não quiser, sai da minha sala.
Ela pareceu concordar, para o meu deleite. Jogou os tênis para um canto, tirou as meias com paciência, depois passou os cotovelos por baixo da blusa e a puxou devagar. O sutiã apareceu — uma coisa velha, renda poída, um trapo. Essa menina era uma fodida mesmo.
A calça jeans saiu fácil, caindo entre as pernas. E então veio a última peça.
Uma calcinha de bichinho colorida.
Patético.