Capítulo 7

AVISO DE CONTEÚDO

Este conto contém cenas de extrema violência, crime, dominação e situações moralmente questionáveis. Não é recomendado para leitores sensíveis. Se esse tipo de narrativa não é para você, sugiro que procure outra leitura.

O homem achou sábio não discutir comigo — ainda bem, porque eu tava a um fio de cabelo de explodir a cara dele só pra ver o barulho — e foi até o bar com as calças dependuradas na altura dos joelhos, o pau balançando meia-bomba como um trapo sujo, e pegou uma água pra ajudar a engolir o remédio. Eu, que não valho nada mesmo, soltei uma risada baixa e gritei atrás dele:

— Aproveita e me traz um whiskey sem gelo por gentileza, amor?

Na porta, Timóteo tinha acabado de entrar — ele e a Amanda, que eu tinha mandado buscar —, eles ficaram paralisados ali, boquiabertos, vendo um homem preto daquele tamanho se servindo no bar com a bunda exposta e os músculos das coxas flexionando a cada passo. A moça, coitada, não estava acostumada a isso — piscava rápido, o rosto corando de vergonha, os olhos desviando pro chão como se aquilo fosse um pecado mortal que ela nunca tinha imaginado.

— Ele não tem uma bunda bonitinha, Amanda? — perguntei, inclinando a cabeça pra ela, sentindo o tesão voltar a pulsar devagar só de ver a confusão no rostinho inocente dela.

— Tem, sim, senhora — respondeu ela baixinho, engolindo seco, ainda tentando processar a cena, mas obedecendo como uma boa menina que aprende rápido.

Voltei minha atenção pra ele, esperando que tomasse o comprimido logo, cruzando os braços e batendo o pé impaciente no chão. Eu ia precisar dele ereto por muito tempo — horas, se dependesse de mim —, e eu não tolero pessoas desobedientes.

O Timóteo veio na minha direção, tentando entender o que estava acontecendo e o que era tão urgente, os olhos dançando entre mim, o negão no bar e a arma ainda na mesa, franzindo a testa como se tentasse montar o quebra-cabeça. Enquanto isso, a moça procurava um lugar no sofá pra sentar, ainda com a mochila nas costas, vestindo meio que a mesma roupa do dia anterior: os jeans surrados e uma outra blusa velha por cima, toda desbotada e folgada. A única coisa que piorava tudo era um boné ridículo na cabeça — mulher de boné? Que coisa horrível!

Eu odiava aquilo, mas por enquanto deixava passar; tinha planos maiores pra ela, e um boné idiota não ia estragar o que eu ia moldar ali.

— Timóteo, liga pro tio Antônio e vê que diabo de festa é essa que ele tá querendo armar que não pode resolver com meu gerente e tem que ser pessoalmente comigo?

Timóteo pegou o papel com o telefone da minha mão e fez aquela cara de quem já sabia exatamente do que se tratava, um sorrisinho de canto de boca que me irritava porque ele sempre se achava o mais esperto da sala.

— Ahn, eu acho que eu sei, patroa. Ele quer alguém famoso pra dançar com a filha dele na festa de quinze anos.

— E por que ele não contrata uma agência? Tem um monte de famoso quebrado que se sujeita a isso por uma grana boa.

— É que o famoso que ele deve querer não faz isso. Só pode ser por você, quer ver?

— Então liga e confere, caralho — resmunguei, já sentindo o tempo escorrendo pelos dedos. A coisa que eu mais odeio é perder tempo com esse tipo de palhaçada familiar.

Enquanto Timóteo discava e se afastava um pouco pra falar, eu peguei meu canudo de ouro branco, dei uma fungada forte pra limpar o nariz — o pó subindo queimando, mas sem efeito nenhum — e virei pra Amanda, que ainda estava ali sentada no sofá, boné ridículo na cabeça, pernas cruzadas como se estivesse numa sala de espera de dentista.

— Você cheira, filha?

— Não, senhora... — respondeu ela tímida, baixando os olhos, a voz quase sumindo.

— Como assim, uma puta que não cheira? — perguntei, rindo de canto, sem acreditar. — Isso é crime, amor. Puta de verdade tem que estar sempre ligada.

Do bar, o negão olhou assustado pra ela, agora meio envergonhado, tentando subir as calças depressa pra se cobrir com a chegada dos dois, o pau ainda semi-duro balançando enquanto ele se atrapalhava com o zíper.

— Não, não, não... o senhor aproveita e tira logo a roupa toda. Vem, não vai ficar com vergonha vai? — falei, acenando com a mão como se estivesse chamando um cachorro pra perto, o tom doce mas carregado de ameaça.

Ele ficou parado ali, olhando pra todo mundo — eu, Timóteo no telefone, Amanda no sofá —, sem entender caralho nenhum onde tinha se enfiado, os olhos arregalados como se tivesse caído num buraco sem fundo. Timóteo, que viu o desespero estampado na cara dele, tirou o telefone da orelha por um segundo e falou, com aquela calma de quem já viu de tudo: