— Ainn, não fala assim que você me deixa molhada... — respondi, a voz saindo rouca, quase um gemido.
Outro clique seco.
O tambor girou vazio mais uma vez.
Ele se retesou inteiro, tentando virar pro lado num reflexo desesperado de fuga, o corpo convulsionando como se a bala já estivesse vindo. E nisso o orgasmo me bateu de repente, veio forte, violento, rasgando tudo por dentro como uma onda que quebra sem aviso. Meu ventre se contraiu em espasmos brutais, os músculos internos apertando o pau dele com força descontrolada, sugando, pulsando em ondas quentes e rápidas que subiam do clitóris até a espinha, fazendo minhas costas arquearem, os olhos revirarem, a boca se abrir num grito rouco e longo que ecoou no escritório.
As pernas travaram, rígidas como pedra, os joelhos tremendo incontroláveis, e eu tive que tirar a arma da cabeça dele rápido, apontando o cano pras costelas suadas enquanto corria o dedo pra fora do gatilho pra não apertar sem querer no meio do orgasmo. O prazer explodia em choques elétricos. Meu corpo inteiro convulsionava, os quadris se movendo por conta própria em estocadas curtas e descontroladas, gemendo alto, rindo entre os gemidos, a cabeça jogada pra trás enquanto as ondas me atravessavam uma atrás da outra, deixando meu ventre latejando, as coxas tremendo, o clitóris hipersensível roçando na barriga dele a cada espasmo.
Eu fiquei sentada no homem, ofegante, rindo alto, feliz da vida, o corpo ainda tremendo de resquícios do orgasmo, o suor escorrendo pelo meu rosto e misturando com o dele. Timóteo ria junto, balançando a cabeça como quem assiste um show particular, o sorrisinho de canto de boca dizendo que ele já tinha visto de tudo mas ainda se divertia com minhas performances. A menina, vendo eu sorrir, relaxou um pouco — os soluços diminuíram, os ombros caíram devagar, os olhos espiando entre os dedos como se não acreditasse que o pior tinha passado.
Eu respirei fundo, ainda sentada nele, o pau mole agora escorregando pra fora devagar, e inclinei o rosto pro dele, o sorriso largo e satisfeito:
— Pronto, amor... levanta da minha cadeira, coloca sua roupa e vai embora — falei enquanto respirava e ele se levantava para eu sentar e quando sentei — volta amanhã volta....
Eu estava completamente sem ar, o peito subindo e descendo rápido, o corpo ainda tremendo dos últimos espasmos do orgasmo. O negão, agora com o pau mole e encolhido de vez, se afastou devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse fazer a arma disparar de verdade. Ele catou as roupas espalhadas pelo chão — cueca, calça, camisa — e começou a se vestir na porta, já com a mão na maçaneta, tremendo tanto que mal conseguia abotoar o zíper.
Ele sair pelado pela boate? Nem fodendo. O ambiente era familiar, cheio de playboys, putas de luxo e gringos bêbados — se alguém visse um negão pelado correndo pelos corredores, ia virar bagunça, fofoca, e eu odiava bagunça que não era eu quem criava.
Levantei devagar da cadeira, as pernas bambas mas firmes o suficiente. Segurei a .45 rosa com as duas mãos, meticulosamente, braços esticados, o cano apontado direto pro peito dele. Olhei nos olhos dele — puro medo, lágrimas ainda escorrendo, o branco injetado de vermelho, a boca entreaberta num sussurro de pavor. Dei outro tiro seco.
Clique.
Nada. Nenhuma faísca, nenhum estampido. Só o som metálico vazio ecoando no escritório à prova de som.
E aí ele ainda se vestindo de pé criou coragem. Vendo que não saía munição de verdade da minha arma, o desgraçado cresceu pra cima de mim, os olhos mudando de terror pra raiva pura. A camisa meio abotoada, a calça aberta, os sapatos na mão, ele ensaiou uma passo na minha direção.
— Sua piranha maluca, que porra de brincadeira sem graça é essa, sua vagabunda? Essa porra nem tinha mun...
Eu interrompi ele.
Movi alguns milímetros a arma pra cima e para esquerda — só o suficiente. O disparo ensurdeceu a todos no ambiente. O estampido veio seco, violento, o coice subindo pelo meu braço como um soco, o cheiro de pólvora queimada enchendo o ar num instante. O tiro passou tão perto da orelha dele que com certeza o rosto dele queimou com o rastilho de pólvora quente — a pele ficou vermelha na hora, um filete de sangue escorrendo do lóbulo rasgado, o cabelo chamuscado soltando fumaça fina.
Ele congelou.
Surdo do lado esquerdo, a mão voando pra orelha, os olhos arregalados em choque puro, a boca aberta num grito que não saiu. O som do tiro ainda ecoava nos meus ouvidos, abafado pela acústica blindada do escritório, mas o suficiente pra fazer o coração bater na garganta.
— O que foi que você ia dizer? — perguntei, a voz baixa, calma, quase doce, enquanto mantinha a arma apontada pro peito dele. — Você ia dizer que não tinha gozado não é? Volta amanhã, eu já disse.
Ele não respondeu.
Vestiu a calça às pressas, abotoou a camisa com dedos trêmulos, catou os sapatos e cruzou a porta tropeçando, sem olhar pra trás. Do lado de fora, Pastor e Janjão já estavam a postos. Eles não precisaram falar nada; só olharam pro negão correndo e souberam que a noite tinha acabado pra ele.