Capítulo 2
Ela se sentou na beirada da cama, pernas cruzadas, camisão ainda meio levantado mostrando aquela calcinha preta de renda que eu mesmo tinha comprado pra ela, e quando a cara amoleceu veio aquele tom que me matava:
— O que foi, fala? A gente esfriou, foi isso?
— Ahn, não sei… acho que sim…
— Acha que sim? — cruzou os braços, voz já tremendo — Eu tenho certeza que sim. Me fala o que você quer pra esquentar? Ficar assim é que a gente não pode.
Eu engoli em seco, sentindo o suor frio escorrer pela nuca, sabendo que aquela briga era daquelas que ou explode tudo agora ou termina dias depois com mensagem fria, e eu via o fim chegando.
— Sei lá… algumas coisas pra apimentar o sexo…
Foi o estopim.
— Caralho, Leo! — gritou, voz quebrando no meio, olhos marejando de uma vez, respiração curta, peito subindo rápido debaixo do camisão fino — Eu faço a porra toda que você quer! Eu odeio dar o meu cu, dói pra caralho e você só pede isso! O que você quer mais? Uma amiga? Relacionamento aberto? Você tá com outra, né? Pode dizer…
Puta merda.
Na real a Barbara topava tudo, tudo mesmo, engolia, deixava eu meter forte, gozava gemendo alto, fazia carinha de safada quando eu pedia, a gente tinha feito de tudo… menos a única coisa que eu queria de verdade e nunca deixei: massagem na próstata, dedo na minha bunda, língua ali. Toda vez que ela sugeria eu travava na hora, “coisa de viado, Barbara”, “eu sou homem, porra”, “para com isso”, e agora ela chorando na minha frente, me olhando como se eu fosse o maior filho da puta do mundo enquanto eu ficava ali de pau mole dentro da bermuda, coração disparado, morrendo de medo dela descobrir que o problema não era ela, era eu querendo exatamente o que eu negava a vida inteira
— E… se a gente fizesse essa parada que tu sempre quis fazer e eu não deixei? — joguei, tentando disfarçar o quanto meu pau já tinha dado um salto só de falar aquilo, como se a ideia tivesse vindo dela, como se eu estivesse só sendo bonzinho.
Ela me encarou, o choro ainda grudado nas bochechas, mas a raiva já mais baixa, contida, como se tivesse gastado o fôlego todo.
— Que parada, cara? Eu não sei do que você tá falando.
— De enfiar alguma coisa na minha bunda, pô. Tu sempre pediu isso e eu sempre neguei… — falei com a cara mais natural do mundo, passando a bola pra ela, como se fosse só mais uma concessão de quem está tentando salvar o relacionamento.
Ela fez uma cara de desdém, sobrancelha arqueada, boca torcida.
— Sério? Mas você não gosta. O problema, Leo, não sou eu. O que eu queria nesse momento era estar sentando em você, porque eu tô ovulando e cheia de tesão pra caralho — inflou o peito, voz subindo só um pouquinho — O PROBLEMA É VOCÊ, PORRA!
E aí desabou.
Meia hora seguida de ladainha: vacilos da época da escola, como eu tratava mal a minha mãe, o jeito que eu falava com os amigos dela, o dia que eu deixei ela esperando no shopping, tudo. Eu desliguei total, só olhando pro teto, pro mar lá fora ficando roxo, pro reflexo da luz na parede. Deixei ela descarregar.
Voltei a prestar atenção quando ela jogou, já cansada, voz rouca de tanto gritar:
— Você acha que enfiar alguma coisa na sua bunda vai resolver? — ironia pura. — Se resolver eu enfio até o braço.
Eu sorri.
Não porque achei graça.
Porque meu pau deu um estalo dentro da bermuda, duro do nada, latejando contra o tecido, e eu senti aquele calor subindo pelo saco até o cu, como se o corpo inteiro tivesse entendido antes da cabeça que aquilo era exatamente o que eu queria a vida inteira.
Depois da briga, claro que não rolou nada. Ficamos de cara virada uma semana inteira quase, mal se falando e dormindo de cara virada um para o outro, clima de enterro. Mas dentro da minha cabeça era o oposto: eu não parava de imaginar. Toda hora que fechava o olho via eu mesmo de quatro, bunda empinada, sentindo alguma coisa entrar, e o pau endurecia na hora. Ao mesmo tempo morria de vergonha, achava ridículo, feminino pra caralho, “homem não faz isso”, mas quanto mais eu tentava esquecer, mais a imagem grudava.
No meio da semana ela me ligou de noite, voz calma, leve, quase carinhosa, como se a briga tivesse sido há anos.
— Bebê, sobre aquilo que a gente conversou…
— Ahn, o quê? — me fiz de desentendido, coração já acelerando.
— Do seu bumbum… você vai querer mesmo?
Eu senti ela sorrindo do outro lado da linha, um sorriso safado, animado, bem mais animado do que eu esperava.
— Ahn, Barbara, eu falei que vou topar tudo que você quiser.
— Tudo mesmo? Tá falando sério? — pausa, risadinha baixa — Olha lá hein, depois não fica puto não…
— Não, eu nem quero saber o que você vai fazer. Quero surpresa, tá?
— Tá bom então… — ela deu uma risada rouca, quase um gemido — Sexta eu levo umas coisinhas, você vai ver só.
Desliguei o telefone com o pau latejando dentro da cueca, cara quente, respirando fundo. Olhei pros lados, vazio, ninguém em casa, e corri pro quarto quase tropeçando, a cabeça explodindo de imagem: ela ali, dedo, língua, alguma coisa entrando em mim e eu gozando sem nem encostar no pau. Quando entrei, o celular vibrou na cama.
“Esqueci de falar, tava pensando em umas coisas assim, segue o link.”
A URL já dizia tudo: site de pornô. Meu pau deu um salto tão forte que doeu, latejava sozinho, cabeça molhada de pré-gozo. Tranquei a porta com duas voltas, peguei o lubrificante no armário com a mão tremendo, apaguei as luzes grandes, deixei só o abajur da cabeceira ligado, aquela luz amarela fraca que deixa tudo mais aconchegante.

