Capítulo 5

O garoto era diferente de tudo que eu esperava: magro, pele muito branca, ombros estreitos, cintura fina, quadril arredondado que a calça jeans molhada marcava demais. Cabelo castanho liso caindo na testa, rosto delicado, quase feminino, olhos grandes, boca carnuda. A camiseta branca grudada no corpo mostrava um peito liso, sem pelo, mamilos rosados aparecendo. Ele se movia leve, jeito meio mole, mas sem exagerar, só… natural. Quando me viu, baixou o olhar rápido, como se ficasse tímido.

— Mãe, diz que acabou essas caixas? — voz baixa, quase musical, nada grossa.

Ela riu e apontou as duas que faltavam. Ele bufou baixinho, pegou uma com as duas mãos, corpo curvando bonito.

— E vocês têm tudo aí? Gás, água, luz, internet…? — perguntei, olhando fixo pra ele.

Ele ergueu os olhos pra mim por meio segundo, depois desviou de novo.

— Internet não… minha mãe esqueceu de agendar, aí fica pra semana que vem — falou rápido, voz suave, quase reclamando com vergonha.

A mãe corou. Eu sorri.

— Relaxa. Se precisarem de qualquer coisa bate lá em casa. O wifi pega forte até aqui. Libero a senha na hora.

— Nossa, Leonardo, você salvou nossa vida! — ela agradeceu, aliviada.

O Guilherme só murmurou um “obrigado” quase inaudível, cara vermelha, olhos no chão, e puxou a caixa pesada com as duas mãos finas, como se aquilo fosse o maior esforço do mundo.

— E aí, Guilherme, quando terminar a mudança a gente pega uma onda aqui, hein! — falei, tentando soar descontraído.

Ele ergueu o olhar rapidinho, tímido pra caralho, e soltou:

— Eu tenho medo de entrar na água…

Foi na hora. Eu vi. A voz, o jeito de mexer as mãos, o quadril que balançava sem querer. Ele era muito viado. E aquilo me acertou no meio do peito como um soco.

A mãe riu, revirando os olhos.

— Leo, se você conseguir fazer esse menino sair de casa um dia, você é nosso salvador oficial. É só videogame e computador o dia inteiro!

— Ele vai curtir o pessoal aqui — insisti, olhando direto pra ele. — A gente joga vôlei mais pra baixo, futebol de areia, pega onda com a rapaziada. Vai gostar, né, Guilherme?

— Nossa, vou amar — ele respondeu, ironia escorrendo na voz, mas os olhos baixos, quase envergonhado.

— Beleza, vou nessa então. Minha namorada tá chegando. Prazer conhecer vocês.

Acenei, dei meia-volta e saí andando devagar, mas a cabeça não acompanhava o corpo.

Porra, Leonardo.

Porra.

Cheguei em casa com o pau duro doendo dentro do short, a Barbara a caminho, e eu pensando no viadinho do lado o tempo inteiro.

Que merda eu tava virando.

Barbara chegou atrasada, cabelo preso de qualquer jeito, olhos vermelhos de cansaço, mas com aquele brilho safado que eu conhecia melhor do que ninguém. Trouxe a bolsa de sempre e mais uma de viagem preta, que tentou esconder atrás das costas como se eu fosse burro. Apenas fingi que não sabia o que tinha dentro.

— Amor, tô acabada, estágio foi um inferno, preciso de banho e cama — soltou logo na porta, voz arrastada, testando se eu ia comprar a historinha dela.

Eu comprei na superfície, claro, mas a gente se conhece: ela queria que eu fosse o macho que não aceita “o estou cansada”, que arranca o tesão na marra pra salvar o namoro. E eu precisava provar que ainda era esse cara, mesmo que por dentro minha cabeça estivesse no dedo no meu cu, no vídeo, no Guilherme de camiseta molhada, no pau latejando só de lembrar do vizinho afeminado.

Então entrei no personagem.

Peguei as duas bolsas da mão dela e joguei num canto do sofá como se não valessem nada. Puxei ela pela cintura, beijei forte, língua invadindo sem pedir licença, e a mão já subindo por baixo do vestido, direto pra dentro da calcinha quente. Apertei a boceta com vontade, dedos abrindo os lábios, sentindo o grelo adormecido, mas eu percebi que estava ligeiramente molhada apesar do papo de cansada.

— Leo… tô suada, para… — tentou escapar, rindo nervosa, pernas se fechando no meu pulso.

— Cala a boca — rosnei no ouvido, mordendo o lóbulo, apertando mais forte, sentindo o calor subir na palma da mão.

Ela gemeu, corpo traindo a boca, quadril rebolando sozinho contra meus dedos. Ela fazia um joguinho também, eu sabia que ela ia querer se preparar, então deixei ela fugir pro banheiro, mas não sem dar um tapa forte na bunda que ecoou no hall inteiro.

— Vai tomar banho, gostosa. Depois da janta você me dá tudo que eu quiser, tá ouvindo?

Ela virou de lado, mordendo o lábio, olhos faiscando.

— Tudo mesmo?

— Tudo — respondi, voz grossa, pau latejando na bermuda.

Ela sumiu rindo pro banheiro e eu fiquei ali na sala, respirando pesado, olhando pro nada, fingindo tão bem que quase engoli a própria mentira. Pedi comida japonesa, abri uma cerveja gelada, joguei o corpo no sofá e deixei o jogo rolando na TV só pro barulho. Dez minutos depois a campainha tocou.

— Quem caralho é agora? A comida não voa — resmunguei, levantando só de bermuda fina e chinelo.

Olhei no interfone e o estômago virou do avesso: era o Guilherme.

Barbara estava pelada no banho, mas era ele quem fez meu pau dar sinal de vida só de vê-lo na câmera, de roupa seca agora, camiseta cinza larga, short de moletom, andando sem graça, olhando pros lados como se tivesse medo do mundo. Eu podia ter atendido no portão, resolvido em dez segundos e mandado embora. Mas não. Abri o portão e chamei ele pra dentro, até a porta da casa, longe da rua, longe de qualquer olhar curioso.

— Quem é, amor? — gritou ela lá do banheiro.

— Vizinho, gata! Termina teu banho que a comida tá quase chegando! — respondi alto, sabendo que ela ia demorar mais uma hora fácil: depilação completa, máscara no cabelo, creme pra caralho na cara perfeita, hidratação, maquiagem leve, perfume… conheço a mulher que eu tenho.