Capítulo 6
E ali vinha ele, passo curto, vacilante, corpo magro balançando leve, olhando pro chão. Quando chegou perto, ergueu aqueles olhos grandes e baixou de novo.
— Fala aí, irmão?
— Oi… tudo bem? — voz baixa, quase sussurrando, risadinha sem graça. — É que… você falou da internet, mas eu esqueci de pedir a senha.
— Vacilamos feio nisso — falei, encostado no batente, olhando ele de cima, pau meia-bomba latejando na bermuda fina só de ver aquele jeito mole, aquela boca carnuda. Dei um aperto descarado na rola por cima do tecido, coisa que sempre fiz na frente dos amigos pra zoar, e ele viu na hora.
— Entra aí um segundo que eu te passo — mandei, voz grave, olho de predador.
— Não precisa, eu espero aqui mesmo, não se incomoda — respondeu rápido, voz fina, como virgem que não quer dar.
Eu sabia a senha de cor, óbvio, mas queria era segurar ele ali. Peguei o celular, fingi procurar nas configurações.
— Porra, tu curte videogame?
— Gosto sim! — ele animou na hora, olhos brilhando, abrindo uma janela que eu precisava.
— Fifa, jogo de luta, tiro, corrida… essas coisas — falei, dando outro aperto na piroca, agora já dura pra caralho, volume evidente na bermuda. Ele olhou, desviou, olhou de novo.
— Poxa, eu não jogo nada disso — lamuriou, decepcionado. — Eu gosto mais de moba ou mmorpg!
— Conheço porra nenhuma disso — admiti, rindo, ainda fingindo mexer no celular só pra ganhar tempo. Na real eu nem jogo nada, o videogame no quarto é de enfeite, comprei pra comer uma mina gamer e nem sei ligar direito.
Ele botou a mão na boca como uma mulher, pareceu que ia falar algo, riu envergonhado e desistiu — Na real, a vergonha é que eu peguei ele novamente com os olhos abaixo da minha barriga, e para não deixar ele sem graça, eu fingi que não percebi e continuei.
— Mas cola aí qualquer dia, traz uns jogos pra cá! — joguei o lance. — Me passa teu número aí.
Falei no tom que sempre funcionava, aquele tom de macho que nunca leva não.
Ele me olhou de cima a baixo, parou no volume da bermuda, e soltou do nada, rindo curioso:
— Você tá de pau duro?
A frase caiu no ar como uma bomba.
Eu juro que na minha cabeça eu já tinha puxado a bermuda pra baixo, pau saltando pra fora, cabeça rosa brilhando, só pra ver a cara dele, só pra ver se ele ia ajoelhar ali mesmo na porta e me mamar com aquela boquinha carnuda. Mas eu ainda era o velho Leo, o enrustido covarde, então fiz o que eu sempre fiz: ataquei pra me defender.
— Para de olhar minha piroca, seu viado! — soltei rindo alto, voz grossa, de macho alfa. — Eu tava fodendo quando você chegou!
Ele deu uma risadinha sem graça, levou a mão à boca, gesto afetado pra caralho, olhos arregalados como se tivesse levado um choque.
— Meu Deus… me desculpa!
— Relaxa, mano. Ela tá no banho agora.
Fingi que era brincadeira de amigo, mas o pau latejava tanto que doía. Troquei número com ele rapidinho, digitando com uma mão enquanto a outra disfarçava o volume. E aí eu percebi: toda vez que eu olhava pro lado, ele tava olhando de novo. Quando eu pegava no flagra, ele não desviava mais. Só sustentava o olhar com aqueles olhos grandes, brilhando, olho de viado vendo pica, curioso, safado, sem medo.
Eu queria ficar puto. Queria dar um soco na cara dele, chamar de fresco, mandar tomar no cu. Mas o máximo que eu conseguia era ficar com mais tesão ainda.
O pau pulsando, pré-gozo molhando a cabeça da bermuda, coração na garganta.
— Beleza, te mando a senha por mensagem — falei, com a voz rouca.
— Tá bom… valeu, Leo — ele respondeu baixinho, mordendo o lábio sem querer.
Ele virou pra sair, bundinha balançando no short de moletom, e eu fiquei ali parado na porta, respirando pesado, olhando ele ir embora, pensando que se a Barbara demorasse mais cinco minutos eu chamava ele de volta e acabava com essa porra de fingimento de uma vez.
Mano, como eu queria bater uma punheta agora.
A comida chegou logo em seguida. Barbara saiu do banheiro com o cabelo molhado enrolado em uma toalha e com um roupão curto, sem nada por baixo e pele cheirando a sabonete caro. Ela sentou na mesa e começou a comer falando sem parar: estágio, chefe chato, amiga que brigou com o namorado, blá blá blá. Eu sorria, acenava com a cabeça, respondia “aham”, “sério?”, “que filha da puta”, mas na real minha cabeça tava a milhas dali. Só via o Guilherme olhando pro volume da minha bermuda e perguntando baixinho “você tá de pau duro?”, a boca dele abrindo, os olhos brilhando. Juro que eu queria mandar ela calar a boca, pegar o celular e mandar mensagem pro moleque: “cola aqui agora pra jogar videogame”, e a gente sabe que videogame não ia ser.
— Amor… Léo? — ela chamou duas vezes até eu voltar do transe. — Acorda, você tá me ouvindo?
— Claro que tô, desculpa — peguei um sushi, mergulhei no shoyu devagar, fingindo concentração. — Tô pensando em mais tarde, acho que tô meio nervoso.
Mentira do caralho. Putaria nunca me deixou nervoso. Eu tava era louco pra saber o que ela trouxe naquela bolsa preta e não dando a mínima para o que ela estava tagarelando.
Ela largou os hashis, tomou um gole de vinho, me encarou com aquela cara preocupada que sempre fazia quando eu agia estranho.
— Olha Leo, você não precisa fazer nada que não queira. É só falar, eu não fico chateada. Tá tudo bem?
— Não amor, não é isso — fiz drama, voz baixa, cara de cachorro pidão. — Eu quero muito, vai ser foda experimentar coisa nova, só tô nervoso, normal. Relaxa.
