Capítulo 6

O beijo virou turbilhão, os sentidos embaralharam, a água muito quente queimava meu ombro e abria caminho pelo peito enquanto a boca furiosa da Clara me tomava; a língua dela buscou a minha, sugou, mordeu de leve, meu fôlego falhou, a pele arrepiou, fiquei duro num estalo, a cabeça tonta com o cheiro de coco e vapor; as mãos dela subiram pela minha barriga, contornaram o peito, apertaram pra sentir meu coração disparado, desceram pelas costelas até fechar na minha cintura e puxar.

Eu segurei a bunda dela com as duas mãos, palma cheia, pressão firme, trouxe pro meu encaixe e senti o músculo responder por baixo da pele lisa; ela soltou um gemido arfado na minha boca, quente e quebrado, subiu na ponta do pé, o joelho roçou minha coxa, o vidro tremeu nas minhas costas, o jato ricocheteou entre nós e deixou tudo escorregadio, atrapalhando o apoio e ao mesmo tempo ajudando a gente a achar outro, mais fundo, mais colado; voltei a apertar, dedos varrendo a base das costas, enquanto a água corria entre os seios dela, riscava meu peito, pingava do queixo e virava trilhas até o umbigo; nosso fôlego curto batia no rosto um do outro pedindo mais.

Clara virou e colou as costas no meu peito, a bunda encostando no meu pau duro.

— Vai, aperta minhas costas.

Eu amassei os ombros magros, polegares varrendo as escápulas, palma pesada descendo pelas laterais. Encostei o quadril e fui roçando, de leve no começo, depois firme. Ela arqueou, ofereceu mais, empinada pra mim.

Encaixei entre as coxas dela. A água deixou tudo liso. Desci o pau pelo sulco da bunda até encontrar o quente entre as pernas. A cabeça roçou nos lábios dela, um toque úmido, macio. Ela fechou as coxas um pouco, prendeu, e eu sarrei devagar, ponta riscando a entrada, subindo e descendo no mesmo trilho.

Clara empurrou o quadril pra trás, pedindo mais contato. Segurei a cintura com uma mão, a outra apertou a base das costas. Avancei no ritmo do jato: deslizava, pressionava, sentia o calor dela abrir caminho. Um suspiro escapou da garganta dela quando a glande passou inteira por sobre a boceta, molhando meu eixo. Eu continuei, fricção funda, cadência curta, o vidro vibrando leve, o corpo dela cedendo no meu.

Ela fisgou meu pau entre as pernas e apertou contra si; nós dois gememos ao mesmo tempo e trocamos um “sim” com os olhos, e, torta, ela me beijou com a boca quente enquanto rebolava devagar, guiando com a mão, prendendo meu eixo no vão das coxas. Eu senti a glande roçar a entrada quente como faísca, ela controlando tudo, deixando encostar, quase entrar, tirando de propósito pra refazer o ciclo, esmagando meu comprimento no clitóris, polindo de cima a baixo.

A água batia nas clavículas, escorria, deixava o atrito liso e cruel; ela fechou as coxas num abraço forte, prendeu meu pau inteiro e desenhou um oito com o quadril, raspando a cabeça na fenda, abrindo às vezes com dois dedos pra eu passar no meio. Quando a ponta encaixava no vértice certo ela arfava na minha boca e sorria, tirando logo depois só pra me ouvir quebrar o fôlego.

Segurei a bunda dela com as duas mãos, palma cheia, puxei mais perto. Ela tombou a cabeça no meu ombro, gemeu curto e desceu o quadril com peso, esfregando o clitóris em mim de novo e de novo. Cada quase-entrada mandou um choque único pela lombar. A base latejou. Meu corpo pediu avanço.

— Assim eu gozo… — falei rouco, quase choramingando.

— Não. Você não pode…

Ela apertou as coxas e guiou outra passada lenta na minha glande. Mais funda. Mais molhada. Parou na beira de sua entrada e ficou.

Estática.

Olhou pra mim com a boca semiaberta, água batendo no ombro, respiração quente no meu pescoço

— Empurra.

Eu me perdi.

Olhou pra mim com a boca semiaberta. Água batendo no ombro. Respiração quente no meu pescoço.

— Empurra.

Eu empurrei, só um impulso, e o corpo dela me recebeu quente, macio, o carinho virou tremor, um arrepio cruzou meus mamilos, as pernas dela estremeceram por dentro de mim, parei um segundo, respirei, firmei o peso, e quando toquei fundo ela desabou um pouco, gemeu alto e pendeu pra frente. Precisei segurar sua cintura pra conseguir manter ela de pé.

Ela voltou, olhou pra mim, riu um palavrão satisfeito e se reposicionou.

Entrei de novo, curto, cadenciado, o abraço dela me apertava a cada saída e puxava de volta, ela gritou quebrado, gemeu contra o azulejo, a testa quase no vidro, a água descia pelo vão das costas e fazia trilha até a curva da bunda.

Marquei o compasso fundo, inteiro, o anel de pele ali atrás piscava no ritmo, fechava e abria hipnótico, o quadril cedia e pedia mais, minha base latejava, a boca dela abriu em silêncio antes do próximo som, eu fiquei no corpo, no detalhe, a boceta me segurava por dentro quente e molhada, a palma dela achou meu punho e apertou quando fui mais fundo, ela urrou com voz cheia, respondi com dois empurrões, senti o encaixe vibrar, água cobrindo nossos sons, pele contra pele, o mundo reduzido a calor e respiração.

Eu senti um pequeno tremor vindo do seu quadril, subindo pela coluna. O corpo arqueou e me agarrou por dentro, quente, profundo, como se sugasse. Ela empurrou o vidro com as palmas, abriu os dedos, travou as coxas no meu encaixe.

O som saiu raspado no primeiro “ah” e virou gemido cheio. A nuca encostou na minha boca. Eu senti o pescoço dela pulsar. A boceta vibrou em ondas, prendendo e soltando. Minha mão na cintura recebeu o choque de cada contração.

Ela tentou fugir meio centímetro e não conseguiu. Rebolou curto, pediu mais fundo sem falar. O vapor colou na pele. A água correu pelo vale das costas e caiu na curva da bunda. O orgasmo parecia vir em séries, ondas que faziam ela sorrir sem conseguir fechar a boca. No fim ela se afastou de mim e jogou um pouco de água no rosto como se precisasse lavar o rosto.

— Porra. Isso foi muito bom — ela tocou a própria boceta, checando. — Você gozou?

— A gente precisa sair daqui. Olha tua pele — mostrei as placas vermelhas da água quente.

Ela olhou sem ligar, fechou o registro, sorriu de novo e ajoelhou na minha frente. Encostou as mãos atrás, no chão molhado, como quem promete que não vai usá-las. Me fitou. Assenti. Ela abriu a boca.

O calor me cercou primeiro. Lábios macios selando a cabeça, língua fazendo um círculo lento só na borda. Umedeceu bem e afundou mais, bochechas cavando pressão, sucção firme. A respiração saía pelo nariz e batia morna no meu baixo-ventre. Eu sentia o contorno da boca descendo no meu eixo, até onde cabia confortável, e subindo devagar, deixando um caminho de saliva que o ar frio e úmido marcava. Ela brincou na coroa com a pontinha da língua, lambendo de lado, depois tomou de novo, agora mais fundo, alternando ritmo curto com pausas onde só o beijo apertado da boca me prendia.

Sem as mãos, ela me guiava no olhar. Quando eu tentei avançar, ela segurou o pescoço com a garganta, não engoliu, só travou a entrada, fazendo uma resistência gostosa. Soltou e chupou de volta. A língua varreu a parte de baixo, do meio até a raiz, e retornou pela veia, insistente. Eu gemi baixo, os músculos do abdômen responderam, a pele do peito arrepios. Ela sorriu com a boca ocupada, vibrou um som que tremeu em mim. Descansou a cabeça um segundo, lábios ainda em volta, respirou e voltou, mais lenta, como se me provasse com calma.

O prazer subiu rápido. Aquela sucção cadenciada, quente, molhada, fazia pulsar na base. Ela sentiu e mudou o tempo. Menos fundo. Mais língua. Beijos molhados na cabeça, selinho, giro, tapinhas de língua no freio. Eu quase perdi. O corpo deu aquele aviso, fundo na lombar. A mão foi sozinha pro cabelo dela. Parei no ar.

— Quase — sussurrei, rouco.

Ela levantou o olhar e entendeu. Tirou a boca só um palmo, deixou um fio de baba esticar e cair. Passou a língua devagar pela trilha que o fio deixou. Beijou de leve a ponta. Sorriu, ainda no chão, sem usar as mãos.

Eu respirei, voltei do limite.

Para minha sorte eu não tinha gozado.

Deus é bom.