Capítulo 01

Eu conheci um menino muito gente boa, apresentado por uma amiga minha. Ele era lindo, engraçado, com umas tiradas que me faziam rir alto sem esforço. A gente se falou pela primeira vez num evento dela, e depois rolou aquela conversinha fiada pela internet, sabe? Eu estava encalhada havia meses, meu padrão nem era lá essas coisas na época, e de repente aparece ele – um cara bem acima da média. Que sorte a minha!

Nas nossas trocas de mensagens, nada muito picante surgia, mas claro que o papo esbarrou em sexo aqui e ali. Ele era mais atirado, soltando comentários ousados, e eu ficava mais na escuta, reservada, sentindo um friozinho na barriga. A gente marcou de se encontrar, e eu já sabia que ia rolar – eu queria, desejava aquilo. Bastava ele não ser um esquisitão total e estava tudo certo. Mas aí, no meio das brincadeiras dele, veio essa conversa inesperada.

Meu coração acelerou um pouco quando ele perguntou, do outro lado da linha, com aquela curiosidade maliciosa na voz:

— Você tem algum fetiche estranho?

Eu congelei por um segundo, nervosa, tentando não dizer alguma bobagem que estragasse tudo. Minhas mãos suavam no celular, e eu respondi a primeira coisa que veio à mente, insegura, como se estivesse pisando em ovos:

— Ahn, não sei… Eu gosto de homens com o torso sarado.

— Ihhh, esse fetiche aí você vai realizar com outro, comigo não rola — brincou ele, com uma risada rouca que me fez corar.

Eu ri junto, forçando um pouco para parecer à vontade, e tentei me jogar mais na conversa, ainda com o peito apertado de insegurança:

— Ah, não sei, eu sou muito de momento, mas fetiche esquisito eu não tenho, pode ficar tranquilo.

— É que eu tô perguntando porque na hora H você pode querer mijar na minha cara, e isso comigo não rola!

Levei a mão ao rosto, sentindo o calor subir até as orelhas, vermelha como um tomate. Me imaginei naquela cena maluca, e um enjoo misturado com riso nervoso me invadiu – que absurdo! Mas respondi com uma ironia engraçadinha, tentando disfarçar o constrangimento:

— Ah, sim, pode ficar tranquilo, que eu vou evitar fazer isso.

Um silêncio constrangedor pairou na linha por uns segundos que pareceram eternos, e eu senti o coração martelando no peito, imaginando o que viria a seguir. Então, ele quebrou o gelo com aquela voz baixa, quase sussurrada, como se estivesse revelando um segredo sujo:

— Eu tenho um, você pode achar mega esquisito.

— O quê? — perguntei, já nervosa, mordendo o lábio inferior enquanto apertava o celular com mais força, o estômago revirando de ansiedade.

— Eu gosto de pés! — soltou ele, como se fosse a coisa mais normal do mundo, e eu pisquei, confusa, processando aquilo.

— Tá, mas logo de pé? — respondi, sem entender direito. Eu nunca tinha pegado a graça desse fetiche; qual era a graça nisso, afinal? — Sei lá, não é esquisito isso?

— Esquisito é? Mas inofensivo — rebateu ele, com uma risadinha leve que me fez relaxar um pouquinho. — No fim, você fica relaxada como se tivesse ido a um spa.

Na hora, deixei aquilo de lado, sem dar muita bola. O cara querer chupar meu dedão do pé não era o maior dos meus medos – eu tremia por dentro só de pensar em sair com um estranho que eu mal conhecia. Estava claro que a gente ia se encontrar e que ia rolar sexo; eu queria aquilo, sentia o desejo pulsar entre as pernas só de imaginar, mas o receio de ele ser perigoso me deixava alerta, o corpo tenso de expectativa misturada com medo.

E rolou. Nos encontramos num restaurante japonês aconchegante, com luzes baixas e cheiro de wasabi no ar. Ele não tinha pressa nenhuma, o que notei logo de cara e adorei – aquilo me acalmou, me fez sentir segura. Ele me cortejou devagar, com toques sutis que arrepiavam a pele: um roçar de dedos na minha mão ao passar o hashi, um carinho leve no braço enquanto contava uma história, uma ajeitada delicada no meu cabelo que me fez inclinar o corpo para ele. Todo atencioso, olhares que se demoravam nos meus lábios, me tratando como se eu fosse a namorada dele há meses. Eu estava amando aquilo, me derretendo por dentro, o calor subindo pelo pescoço enquanto imaginava o que viria depois. Me sentia desejada, sexy, o corpo respondendo a cada gesto com um formigamento gostoso.

Depois, fomos para o apartamento dele, e olha, que delícia de homem – alto, confiante, com aquele cheiro amadeirado que me invadia as narinas e me deixava zonza. Assim que entrei, ele foi logo me mostrando tudo: a sala bagunçada de um jeito charmoso, a cozinha onde prometeu cozinhar pra mim um dia, o quarto com a cama king size que me fez engolir em seco. Eu pedi licença pra ir ao banheiro dar aquela checada rápida, o coração acelerado de nervosismo e excitação. Me encarei no espelho, chequei o cabelo bagunçado de leve, retocando o batom com mãos trêmulas, ajustando a maquiagem que já começava a borrar de leve pelo calor da noite. Desci o olhar pra calcinha, puxando a saia pra cima só um pouquinho, e verifiquei se a “menina” estava tudo certo – sem cheirinho estranho, úmida de desejo, mas fresca o suficiente pra me deixar confiante.

Na dúvida, eu chequei meus pés.

Respirei fundo, sentindo o pulso latejar entre as coxas, pronta pro que viesse a seguir e sai.

Quando saí do banheiro, ele veio na minha direção rindo, o olhar travado no meu, carregado de uma intensidade que me fez prender a respiração – “o silêncio que precede a tempestade”, pensei, o corpo já formigando de antecipação, um arrepio subindo pela espinha como se o ar tivesse ficado mais denso. Ele se aproximou devagar, colando o corpo no meu, o calor dele irradiando através da roupa fina, como uma fogueira viva que me envolvia, aquecendo minha pele fria e fazendo meu peito subir e descer mais rápido. Senti o peito dele pressionar contra o meu, o músculo firme roçando nos meus seios, enviando ondas de calor que desciam até o ventre, um pulsar quente e úmido se formando entre as pernas.

Ele me dominou sem precisar de força, as mãos deslizando pelas minhas costas com uma textura áspera e quente, como veludo queimado, me guiando para trás até encostar na parede, e eu me entreguei sem que ele exigisse nada – meu corpo se rendendo por vontade própria, os músculos relaxando sob o toque, uma fraqueza deliciosa me invadindo as coxas. O cheiro me envolveu primeiro, um misto de sabonete amadeirado e suor fresco, inebriante, que me fez inspirar fundo, sentindo preencher minhas narinas e descer pela garganta deixando seu gosto em minha boca. Ele esfregou o quadril no meu, o volume rígido da excitação dele pressionando contra minha barriga, a fricção lenta e deliberada mandando choques elétricos pelo meu centro, fazendo meus mamilos endurecerem sob o sutiã, uma coceira gostosa que implorava por alívio.

As roupas começaram a cair no chão devagar, como se o tempo tivesse se arrastando só para prolongar a tortura deliciosa. Ele puxou minha blusa para cima, os dedos roçando a pele nua da minha barriga, textura macia e quente contra a minha, deixando um rastro de fogo que me fez arquear as costas, um gemido baixo escapando dos lábios enquanto o tecido escorregava pelos braços e caía aos meus pés com um sussurro suave. Meu cheiro se misturou ao dele – um aroma leve de perfume floral e excitação, salgado e doce, que eu provei no ar quando ele se inclinou para beijar meu pescoço, a língua traçando a linha da clavícula com um sabor salgado e quente, como mel derretido, fazendo minha pele formigar e um calor líquido se espalhar pelo meu sexo, as paredes internas contraindo em expectativa.

Eu desabotoei a camisa dele, sentindo a textura lisa dos botões contra meus dedos trêmulos, e quando o tecido se abriu, o peito exposto colou no meu, pele contra pele, o calor dele queimando como brasa, me fazendo ofegar enquanto esfregávamos os corpos, os seios achatando contra o torso dele, uma fricção que enviava faíscas pelo meu corpo inteiro, os nervos à flor da pele. O cheiro de sua pele nua era mais intenso agora, musk e desejo puro, e eu provei o sabor dele ao morder de leve o ombro, salgado e metálico, como ferro aquecido, que me fez lamber os lábios e querer mais. A calça dele desceu em seguida, o cinto tilintando no chão, e eu senti o membro dele livre, quente e pulsante contra minha coxa, a textura aveludada e rígida esfregando na minha pele, mandando um tremor pelo meu ventre, o desejo se acumulando como uma onda prestes a quebrar.