Capítulo 52
Eu andava com um grupinho na época e fiquei com uma menina umas duas vezes. Nada sério. Um dia ela me apresentou o irmão, a conversa fluiu, a mão encaixou na cintura e, quando vi, a gente estava namorando. Os dois viviam fazendo piada dizendo que queriam me “dividir”, falando sacanagem pra mim para que eu me irritasse. Eu ria, deixava passar. Incesto não é meu fetiche e nunca dei palco pra essa fantasia.
Num fim de semana, eu estava na casa dele. A gente transou, ele gozou rápido, virou pro lado e apagou como quem desliga um disjuntor. Eu, não. Quando meu corpo acende, não desliga num clique. Fiquei sentada no colchão, olhando o anjo morto roncando, o cheiro morno de sexo no quarto, minha pele pedindo mais.
Levantei, respirei fundo, vesti a calcinha, a camiseta, amarrei o cabelo. Fui ao banheiro. No caminho, parei na cozinha pra um copo d’água gelada, tentando esfriar a cabeça. Do corredor, ela veio: minha cunhada. Passo leve, shortinho, camiseta larga, aquele sorriso de fofoqueira de quem vem jogar na cara o que sabe.
— Caramba, hein… vocês não deixam ninguém dormir nessa casa — ela soltou, encostando no batente, com aquele sorrisinho torto.
— Mentira que dava pra ouvir do seu quarto? — perguntei, meio rindo, meio sem graça.
— Tudinho — respondeu, sem piscar, os olhos cravados em mim.
Dei um gole na água e ergui a sobrancelha.
— Então você ouviu que o seu irmão cansou antes da hora?
Ela soltou uma risadinha curta, mais pelo nariz do que pela boca, e ergueu o queixo:
— Isso eu não peguei. Mas quase gozei ouvindo você gemer.
Não soou como piada. Soou direto. Quente. Meu corpo, que já estava aceso, pegou fogo. Levei o copo à boca, virei pro brilho de inox da pia pra esconder o rubor e a respiração falha.
Senti antes de ver: o calor dela colando nas minhas costas, o roçar macio de um seio por baixo da camiseta larga, o ar quente da respiração na minha nuca e a palma firme apertando a curva da minha bunda. Um choque correu pela espinha.
— Quer que eu continue de onde ele parou? — sussurrou perto do meu ouvido. — A gente resolve isso… fica tudo em família.
Meu corpo reagiu no reflexo. Um rebolar curto pra soltar a mão dela, os dedos tremendo no copo, água batendo no dente. Abri a boca pra gritar e só saiu um sopro:
— Tá louca? E se ele acorda?
Virei de frente achando que ia aliviar. Piorou. Ela me pegou pela cintura mais rude que bêbado em bar querendo ser galante, aproximou o quadril do meu, e começou a espalhar beijo pela lateral do meu rosto.
Nada delicado.
— Para… — tentei, mas soou fraco, rachado no meio. O “para” veio com a mão ainda apoiada no balcão, sem força pra afastá-la.
Ela prendeu meu queixo com dois dedos, guiando meu olhar pro dela.Um riso safado de doer e uma coragem que me atravessou. Eu senti o cheiro de sabonete no pescoço dela, o sal da pele no canto da minha boca e o cheiro de pau do irmão ainda impregnado em mim.
Eu conhecia o beijo dela. Eu gostava. Lancei um olhar rápido pela sala na direção do corredor do quarto. A calcinha pesava quente, úmida, meu corpo faiscando adrenalina. Aquilo era vigarice pura, e eu sabia. Sem saída, negociei com o demônio:
— Só um beijo. Você sossega e vai embora.
Ela assentiu com um sorriso curto, e o beijo veio como vendaval. Quente de começo, sabor de água gelada e saliva recente, o meu hálito ainda acelerado do sexo. Sua boca abriu a minha devagar e depois tomou tudo, língua firme, sem cerimônia, mordendo de leve o meu lábio inferior antes de puxar de volta. O mundo ficou só barulho de respiração e gemedeira e o relógio seco da cozinha marcando segundos. O cheiro de sexo subiu com o calor da pele, misturado ao suor que já secava no meu pescoço. Eu agarrei a barra da camiseta dela para não despencar.
Beijei de volta. De verdade.
A mão dela desceu dos panos e achou minha boceta com precisão. Os dedos vieram por dentro da coxa, pele contra pele, até encaixar na dobra quente da calcinha. O primeiro toque foi um afago grosso por cima do tecido, arrastando devagar, e o som foi um chiado baixo, úmido, como velcro mole soltando.
O algodão já encharcado colou no clitóris e cada esfregada fazia um som abafado, indecente, que a pia devolvia em eco. Ela pressionou. Forte. Um círculo apertado e depois um vai-e-vem curto que me partiu em dois; eu arfei dentro da boca dela. O cheiro doce-morno do meu sexo subiu junto, denso, tocando o fundo da garganta. Quando os dedos venceram a lateral da calcinha e entraram, a textura mudou: lábios lisos, carne escorregadia, um estalo molhado na ponta dos dedos.
Ela me dedou fundo e ritmada, e cada estocada curta tinha som, cheiro e pegada. Eu gemi no beijo, sem disfarce, e puxei o pulso dela mais para dentro, dizendo com a mão o que a boca não dava conta de dizer. Mas a coisa não ia, eu estava nervosa com medo de ser pega.
— Não vai rolar, para, melhor parar… — falei entre gemidos, o corpo querendo negar o que a boca dizia.
— Ahn é? Não vai rolar? — ela provocou, tirando os dedos de dentro de mim num estalo úmido, o som lembrando uma rolha saindo da garrafa. O vazio me fez gemer mais do que o toque.
Antes que eu pudesse respirar, ela me agarrou pela cintura com força e me empurrou contra a pia. O choque do metal frio rasgou minha pele quente, um arrepio violento subindo pela espinha.
— Relaxa, princesa… — sussurrou rente ao meu ouvido. — Eu só quero te dar o que você tava pedindo.
Puxou minha camiseta até o peito, o tecido arrastando o suor, e abaixou minha calcinha de uma vez. O ar gelado da cozinha encontrou a pele molhada entre as pernas. Eu tentei me erguer, mas ela me manteve curvada, os seios esmagados contra o inox molhado. O toque frio me arrancou um gemido rouco, quase um soluço.
Os dedos dela voltaram, mais firmes, entrando com urgência. Cada estocada era precisa, suja, acompanhada do som molhado que se misturava ao gotejar da torneira. Eu arqueava o corpo, entre o choque térmico e o prazer que me feria de dentro pra fora.
— Goza … piranha! — a voz dela vinha baixa, segura, quase um comando. — Era disso que você precisava.
Os mamilos endureciam no atrito com o metal, frios e sensíveis, cada movimento me partindo entre o desconforto e a urgência. O contraste era demais: o frio da pia, o calor dos dedos, o som indecente das estocadas rápidas. Eu gemia sem ritmo, descompassada, tentando abafar o som com o antebraço.
Ela inclinou o corpo por trás, encostando o peito nas minhas costas, o quadril colado no meu. O hálito quente bateu no meu pescoço.
— Mete vai! — ordenei, a voz grave, quase carinhosa.
Um dedo pressionou o clitóris, os outros dois continuaram entrando e saindo em ritmo frenético. A tensão acumulada explodiu. O orgasmo veio como descarga elétrica, arrancando o ar dos meus pulmões. Eu mordi o lábio até sentir gosto de sangue, o corpo inteiro tremendo enquanto ela me mantinha ali, os dedos ainda dentro, sugando os últimos espasmos.
O som que escapou foi um gemido sufocado, meio soluço, meio riso. O metal frio agora estava morno do meu peito e do meu suor.
— Isso — ela murmurou, soltando minha cintura devagar. — Agora sim.
Eu quase desabei, as pernas moles, o corpo latejando.
Do quarto, a voz sonolenta do meu namorado atravessou o corredor:
— Amor…?
O pânico veio seco. Empurrei ela pra trás, ajeitei a camiseta e puxei a calcinha num gesto desesperado. A respiração ainda descompassada, o gosto metálico na boca.
— Vai… — sussurrei. — Some.
Ela sorriu, tranquila, limpando os dedos na barra da própria blusa.
Corri pro quarto, o coração martelando. Ele estava recostado na porta, os olhos semicerrados.
— Que barulho era esse?
— Água — respondi, tentando parecer natural, o corpo ainda pulsando. — Fui beber um copo d’água.
Dois irmãos numa noite só, que piranha que eu sou.

