Capítulo 51
Culto de domingo, fim de tarde. Todos de pé no louvor, homens de terno, mulheres de saia longa e cabelo preso, o hinário aberto nas mãos. No meio do refrão, uma mulher se espremeu pela nossa fileira, tocou o ombro do meu namorado — meu futuro marido — e sussurrou, rápida:
— Fechei tudo lá em cima. Não tinha ninguém. Entrega a chave pra sua mãe, tá? Agradece a confiança.
Ela sorriu, pediu licença empurrando joelhos e sumiu pelo corredor lateral. A mãe dele, diaconisa, costumava cuidar das chaves dos andares de cima, mas estava em casa, derrubada por uma gripe. A outra ficou responsável por abrir e trancar as salas. O molho pesou nas mãos dele. Eu vi o desconforto. Vi a ideia nascer atrás do olhar fixo.
— Sai discretamente — ele disse, sem mover quase os lábios.
Eu não questionei. Deixei a música engolir o barulho do meu passo, fingi uma urgência qualquer e escorreguei da fileira como quem vai ao banheiro. Ele saiu primeiro. Contei três compassos. Quatro. Fui. No corredor, cheiro de madeira encerada e pano úmido. O som do louvor ficou espesso atrás da porta dupla. Meu coração acelerou no ritmo do piano.
A escada para o segundo andar estava vazia. Ninguém olhou. Subi devagar, sentindo a barra da saia roçar minhas pernas, o tecido quente onde encostava na pele. Pisei degrau por degrau. Lá em cima o ar era mais frio, cheirava a papel antigo, giz, Bíblia marcada. Ele me esperava na penumbra, a lâmpada de emergência desenhando um halo pálido no rosto.
— Vem — ele ergueu as chaves, escolhendo a que serviria ali.
O coro lá embaixo vibrava nas paredes, um tapete de vozes que engoliria qualquer som daqui. Ele achou a sala dos jovens. Enfiou uma chave, girou. Outra. A lingueta cedeu num clique. Entramos. A porta fechou. Outra chave girou por dentro. O culto continuou sem nós.
O silêncio dali tinha outro peso. Carteiras alinhadas, quadro branco, caixa de som desligada, cartazes de fé um pouco tortos. Toquei a madeira da primeira cadeira. Lisa. Fria. Ele encostou atrás de mim, corpo inteiro, o calor atravessando minha blusa. O molho de chaves tilintou na mesa. Meu pulso bateu no compasso do louvor distante. Eu não respirei fundo. Eu esperei.
— O que a gente estava fazendo aqui, maluco? Se pegarem a gente sozinhos, nosso nome vai parar no púlpito na próxima assembleia.
— Relaxa. Ninguém vem.
Ele me abraçou e tentou me beijar. Virei o rosto, empurrei o peito dele sem força.
— Eu só vim te acompanhar. Achei que você ia conferir as portas e só isso.
A luz do corredor entrava pelas frestas e deixava a sala clara o suficiente. Eu cruzei os braços, queixo duro, pose de irritada. Ele deu um passo para trás, me olhando como quem mede distâncias, e soltou o cinto. O metal bateu macio na fivela. Desabotoou a calça. Eu ainda tinha a braveza no rosto quando ele baixou a cueca e tirou o pau para fora. Mesmo meio mole, pesava bonito na mão. A braveza cedeu. Minha boca abriu num sorriso que tentei esconder com a língua nos dentes.
— Você é impossível — sussurrei, mas não afastei os olhos.
Ele encostou as costas na mesa, o corpo oferecido, a respiração mais alta que o coro lá embaixo. Eu dei um passo, depois outro. A barra da minha saia roçou nos joelhos. Estendi a mão, sem pressa, e senti o morno da pele contra a minha palma. A vibração do piano chegou pelo chão e meu pulso acompanhou.
Eu me dobrei de joelhos. A barra da saia tocou o chão. A luz da janela riscou meu rosto. Segurei a base, quente e pesada, sentindo o peso real na mão como se fosse um objeto vivo. A pele era lisa e tensa, com veios duros relevando o caminho sob meus dedos. Levei a ponta à boca. O primeiro beijo foi curto, só o roçar do lábio. O segundo molhou. A língua contornou o freio, onde a textura mudava e raspava de leve no palato; desci pelo veio central e subi outra vez, saboreando o sal fino misturado com sabonete e um cheiro de corpo que me acendeu a garganta. Ele arfou, encostou mais na mesa, os dedos no meu cabelo.
Chupei devagar, e o pulsar bateu na minha língua como um toque de campainha por dentro. Engoli metade, sentindo a espessura abrir minha boca, e depois mais um pouco, até a borda do engasgo avisar quente. Parei um centímetro, respirei pelo nariz, e voltei a descer, mansa, segurando o que não cabia com a mão. A cada avanço, a glande empurrava o céu da boca com um estalo úmido; a pele esquentava nos meus lábios; o gosto ficava mais denso, mais meu. O louvor lá embaixo virou tremor no piso. Ele gemeu baixo; os quadris pediram mais. Eu dei. Bochechas cheias, saliva escorrendo pelo meu punho, o cheiro espesso na sala e um calor subindo de mim para a boca, um tesão que parecia mastigar o ar junto comigo.
— Continua… — ele sussurrou rouco.
Eu acelerei o bastante para ouvir o metal do cinto bater de leve na madeira. A dureza ficou inteira, um peso firme que latejava contra meus dedos e vibrava na língua. A respiração dele falhou. A pele esticou mais um grau. O pulsar ficou urgente. Senti o aviso no jeito como ele agarrou meu cabelo, no puxão curto.
Tirei a boca num estalo e apertei a base, rápida, molhada de saliva, marcando o ritmo com a mão.
— Cuidado — sussurrei, olhando pra cima. — Não goza em mim. Eu não podia voltar com a roupa gozada pro culto.
Dei um passo atrás e enrolei a saia até a cintura, torcendo o tecido com cuidado até virar quase um cinto alto. Ficou apertada no meu quadril, incômoda, marcando a pele. A calcinha, grande e bege — o tal “coador de café” — saiu num gesto rápido e pousou na mesa. Olhei pra ele. Ele apertava o próprio pau, tentando segurar. Cuspi nos dedos e levei a mão pra trás. Ele entendeu.
— Bucetinha, amor, por favor?
— Não. Bucetinha é pro meu futuro marido. A gente já conversou. Quer? Case comigo antes!
Cuspi de novo na palma, espalhei na glande e no veio, sentindo esquentar sob minha mão. Puxei ele pela base, trouxe pro canto da mesa. Inclinei o tronco, pernas afastadas, barriga roçando a borda fria. O quadro branco me refletia em pedaços; cartazes tortos viam tudo. Apoiei as mãos na madeira lisa, os ombros abrindo, a nuca arrepiando.
Alisei o pau dele de novo, firme, o polegar rodando no freio, o resto da mão marcando o ritmo. Ele encostou atrás de mim, o cheiro de rola no ar. A fivela do cinto bateu leve na minha bunda. A luz da rua recortou minha coxa, fez brilhar a saliva nos meus dedos.
Eu me apoiei na mesa e encaixei, guiando a ponta com a mão. Respirei fundo pelo nariz e relaxei o anel cpara deixar ele entrar. Quando ele entrou, senti o calor se espalhar em volta, um abraço por dentro, apertado e bom. Não doeu. Ardeu daquele jeito que acende. A cada centímetro, meu corpo reconheceu o formato e cedeu. Quando assentou inteiro, pesado, eu gemi curto e deixei o quadril pedir mais.
Apoiei o antebraço no tampo, levei a outra mão pra frente e me masturbei sem cerimônia. Dois dedos em círculos, pressão firme. O pau dele me preenchia de trás num compasso que empurrava meu clitóris nos meus próprios dedos. Era como se o prazer se encontrasse no meio: minha mão puxando de um lado, ele empurrando do outro, e eu no centro, vibrando. O verniz frio da mesa na pele da barriga, o cheiro de pano encerado, a respiração dele quente na minha nuca, tudo virou combustível.
— Assim — eu pedi, rebolando de leve para ajustar o ângulo. Senti a pele esticada, o cuzinho pulsando em volta dele, um latejo que respondia cada estocada. Apertei o períneo de propósito e soltei, sentindo o contorno todo, a glande varrendo por dentro, alargando e voltando, alargando e voltando. Minha boca encheu de saliva; meu joelho tremeu; minha mão acelerou.
O orgasmo veio em ondas curtas. Primeiro um estalo na base da barriga, depois uma corrente subindo pela coluna e estourando atrás dos olhos. Mordi o lábio para não chamar atenção e deixei o corpo vibrar aberto, apertando ele por dentro, acolhendo cada batida como se ordenhasse. Continuei me tocando, mais leve, para manter a brasa acesa.
— Não para — eu sussurrei. — Me usa.
Ele encheu o movimento, o pau duro, veias roçando nas minhas paredes. Eu senti quando ficou à beira: o peso do corpo mudou, a respiração falhou, a mão dele firmou no meu quadril.
— Agora — falei baixa, sem dúvida.
Ele derramou quente, fundo. Deu para sentir espalhar, um calor pesado no meu centro, e eu apertei por dentro para segurar, milimétrico, como quem fecha a mão em volta de água e ainda assim guarda. Mantive ele ali, encaixado, até o último espasmo.
— Devagar — pedi. — Não sai rápido.
Ele saiu lento. Eu mantive a semente. Peguei um absorvente da bolsa, encaixei justo entre as pernas, prendi com a calcinha e abaixei a saia. Senti o peso morno me ocupando, uma lembrança latejando a cada passo. Ajeitei o cabelo, olhei para ele ainda ofegante.
— Vamos. Eu quero sentir você dentro de mim a noite inteira.
Vamos louvar à Deus felizes!

