Capítulo 16

Sabe quando você poderia ficar simplesmente na sua, ido quietinha na cama, processando o dia, ainda mais depois de ter sido usada e descartada como se fosse um brinquedo que perdeu a graça? Pois é. Eu sabia que devia fazer exatamente isso. Depois da conversa com a Mara, eu tava meio que resolvida com a questão — “beleza, foi só uma foda, amanhã a vida segue, semana que vem as aulas começam, foco nos estudos”. Mas sei lá, de repente foi o álcool falando mais alto, ou só a minha carência fudida e ridícula que nunca me deixa em paz.

Quando ela entrou no banheiro e tão logo eu ouvi o chuveiro ser ligado, algo em mim quebrou. Tirei as roupas no escuro da sala — blusa, short, calcinha, tudo no chão —, o corpo tremendo de nervoso, a insegurança gritando na cabeça “Violeta, para com isso, você vai se foder mais”. Mas eu não parei. Me joguei dentro daquele banheiro como quem pula num rio sem saber nadar.

O ambiente tava menor do que era, mais abafado que o normal, o espelho embaçado. Eu tava zonza da bebida, o chão frio nos pés descalços, o coração batendo no pescoço. Parei atrás dela, olhando o corpo da Lelê de costas pra mim sob o chuveiro. Ela tentava não molhar o cabelo, prendendo as mechas com uma mão, a cabeça inclinada pra frente, a água escorrendo pelas costas, pela bunda redonda, pelas coxas. O mamilo brilhava de lado quando ela se mexia, a pele clara ficando rosada com o calor.

Ela não tinha me ouvido entrar — ou fingiu que não. Fiquei ali parada um segundo, nua, o vapor grudando na minha pele, o cheiro de sabonete dela misturado com o resto do dia. Meu corpo tremia, não de frio, mas de puro nervoso, de medo de ser rejeitada ali, pelada, exposta, depois de tudo.

— Lelê… — chamei baixo, a voz saindo rouca, quase engolida pelo barulho da água.

Ela virou o rosto devagar, sem susto, os olhos me encontrando no vapor. Um sorriso lento surgiu no canto da boca, aquele debochado de sempre, como se ela já soubesse que eu ia fazer exatamente isso.

— Não bate mais não, é? — perguntou, a voz baixa, divertida, virando o corpo inteiro pra mim agora, a água batendo no peito, escorrendo pelos seios, pelo ventre.

Eu não respondi. Só dei um passo pra frente, entrei debaixo do chuveiro com ela, a água quente me acertando como um tapa, me arrepiando inteira. Ela não recuou. Pelo contrário — esticou a mão, puxou minha cintura, colando meu corpo no dela. A pele molhada deslizando, os seios se esmagando, o calor da água misturado com o calor dela.

— Carente hoje, hein? — murmurou no meu ouvido, mordendo de leve o lóbulo, as mãos já descendo pras minhas costas, apertando a bunda.

Eu ri nervosa, as mãos subindo pros ombros dela, sentindo a água correr entre nós.

— Cala a boca — sussurrei, e beijei ela antes que ela pudesse rir mais da minha cara.

O beijo veio faminto, urgente, a língua dela invadindo logo, o gosto de cerveja e noite ainda na boca. A água batendo forte nas costas, o vapor nos sufocando, e eu ali, me entregando de novo, sabendo que amanhã ia doer, mas não conseguindo parar.

Eu não fui nada devagar. Algo em mim tava no automático, como se os demônios tivessem tomado o controle do meu corpo. Eu queria comer ela inteira, literalmente, devorar e cuspir os ossos depois. O tesão era bruto, possessivo, misturado com a mágoa da noite, com a carência, com tudo que eu tinha engolido no bar. Meus seios pareciam inchados, pesados, os mamilos duros roçando no peito dela a cada respiração. E entre as coxas, um vibração poderosa, latejando, como se o corpo inteiro tivesse virado um clitóris gigante pedindo toque.

Lelê sabia. Ela sempre sabe. Os olhos dela brilharam, aquele sorriso petulante surgindo enquanto a mão dela desceu direto, sem pedir licença, entre minhas pernas. Dedos vulgares, pequenos, abrindo tudo de uma vez, escorregando no meu molhado. Ela apertou o clitóris com o polegar, dois dedos entrando fundo logo de cara, fodendo rápido, sem delicadeza.

Eu arfei contra a sua boca, o som engolido pelo beijo, e devolvi espelhando o toque. Minha mão desceu pro meio das pernas dela, encontrando um buceta quente, os pelos finos molhados grudando nos dedos. Abri os lábios com força, sentindo o calor pulsar, e enfiei dois dedos de uma vez, curvando pra dentro, procurando aquele ponto que eu já tinha aprendido mais cedo. Ela gemeu na minha boca, o quadril empurrando contra minha mão, pedindo mais.

A gente se siriricava ali, de pé sob o chuveiro, água quente batendo nas costas, a água caindo e sufocando tudo. Corpos colados, seios esmagados, bocas se comendo entre gemidos roucos. As mãos trabalhando rápido, ritmado, indecente com dedo entrando e saindo, polegar no clitóris, palma esfregando tudo. Um som denso e molhado acompanhava os gemidos, reverberando contra o azulejo.

Eu sentia ela apertando meus dedos, os músculos latejando, o corpo tremendo de leve. Ela cavalgava minha mão sem vergonha, o quadril rebolando curto, rápido, enquanto dedava eu com mais força, como se quisesse me castigar por ter entrado ali. Eu respondia igual — mais fundo, mais rápido, unha arranhando de leve por dentro, polegar apertando o clitóris dela até ela arquear as costas.

— Porra, Violeta… — ela gemeu alto, a voz quebrando, a cabeça caindo no meu ombro.

Eu senti antes de ver: o corpo dela travou, os músculos apertando meus dedos numa sequência forte, o quadril empurrando uma última vez contra minha palma. Ela gozou ali, tremendo inteira, um gemido longo e rouco escapando contra meu pescoço, a água levando o que escorria dela. As coxas dela fecharam em volta da minha mão, prendendo, pulsando, enquanto ela mordia meu ombro pra abafar o som.

Eu continuei devagar, prolongando, sentindo cada contração, o calor aumentando ao redor dos meus dedos. Ela ria ofegante, o corpo mole agora, encostado no meu como se não conseguisse ficar de pé sozinha e abraçada comigo.

— Caralho, nome de flor… — murmurou ela, a voz fraca, ofegante, mas com aquele tom debochado de sempre, a cabeça ainda encostada no meu ombro, o corpo mole contra o meu.

— Eu não gosto que você me chame de nome de flor… — resmunguei, meio sem graça, meio séria, a mão ainda entre as pernas dela, sentindo os últimos tremores, os músculos pulsando devagar ao redor dos meus dedos.

Ela riu baixo, aquele riso rouco que ecoava no banheiro, e levantou o rosto, os olhos brilhando, a água ainda caindo nas nossas costas. Me deu um beijinho rápido no canto da boca, depois outro no pescoço, enquanto os dedos dela passeavam leves no meu sexo — traçando círculos preguiçosos, sem pressa, só mantendo o fogo aceso, me deixando latejar em um alívio perene.

— Quanto que tá o nosso placar? — perguntou de repente, a voz divertida, o corpo ainda abraçadinho no meu, as pernas coladas as minhas.

— Placar? De orgasmos você diz? — ri, sem tirar a mão dela, sentindo o calor da água misturado com o nosso.

— É, a gente precisa de um placar!

— Mas, um placar pra competir ou um placar por questões de justiça? — provoquei, arqueando o quadril de leve contra os dedos dela, que respondiam com mais pressão.

— Performance! — soltou ela, rindo alto agora, ainda abraçada comigo, o peito colado no meu, os beijinhos voltando pro meu ombro, pro pescoço, como se aquilo fosse só brincadeira de criança.

Eu não dei muita trela para aquele papo de menino dela. Placar, performance, competição… não era isso que eu queria. Minha vitória era só estar assim com ela naquele momento — abraçada debaixo do chuveiro, a água levando o suor e o resto do dia, o corpo dela mole e satisfeito contra o meu, os beijinhos leves, o cheiro dela no meu nariz. Por um segundo idiota, aquilo parecia intimidade de verdade. Como se a gente fosse algo além de uma foda impulsiva.

Eu ri junto, apertei ela mais contra mim, ela desligou o chuveiro, e eu fingindo que aquilo podia durar pra sempre.