Capítulo 18
Eu comecei a ligação morrendo de vergonha, o rosto queimando tanto que eu sentia as bochechas em brasa, as orelhas vermelhas como se alguém tivesse acendido um fogo ali. Eu estava sem calcinha, deitada na cama com as pernas meio abertas, o ar fresco do quarto roçando direto na pele sensível, mas a câmera só enquadrava meu rosto — o resto era segredo por enquanto. A coisa toda era excitante pra caralho e, ao mesmo tempo, divertida, como se a gente estivesse brincando de um jogo proibido que só nós duas conhecíamos as regras.
Eu acho que jamais teria coragem de fazer aquilo com um homem. Essa ideia me atravessou de repente, me deixando levemente pensativa no meio do tesão. Com mulher era diferente — tinha uma entrega mais leve, uma confiança que eu não explicava, uma vontade de me mostrar sem medo de ser julgada ou objetificada de um jeito errado. Eu ficava muito mais à vontade nua com a Lelê do que com qualquer namorado que eu tive na vida. Com eles sempre tinha um peso, uma performance, um medo de não ser suficiente. Com ela, não. Com ela eu só queria ser vista.
A imagem dela apareceu na tela, o quarto dela ao fundo meio bagunçado, luz amarelada, ela deitada de lado na cama com o celular na mão, o cabelo preso num rabo de cavalo torto que já estava se desfazendo, mechas caindo no rosto. O sorriso petulante de sempre, os olhos brilhando de malícia.
— Tá pronta? — perguntei, a voz saindo baixa, quase um sussurro rouco, tentando disfarçar o nervoso.
— Tô, prontinha, vai bebê! — ela respondeu, imitando o tom nojento e exagerado daqueles caras que frequentam sites de camgirls, aquela voz grossa e falsa de “manda ver, gostosa”. Eu ri na hora, um riso nervoso que saiu alto demais, sentindo um misto de emoções me invadindo: tesão puro, vergonha queimando, excitação de estar fazendo exatamente aquilo.
— Você vai me acompanhar daí, Lelê? — perguntei, mordendo o lábio, querendo muito ver ela se tocar também, imaginar a mão dela entre as pernas, a cara dela se desfazendo na tela.
— Não posso, aqui em casa toda hora batem na porta e eu perco a concentração, nome de flor — ela respondeu, fazendo biquinho debochado, a câmera tremendo um pouco enquanto ela se ajeitava. — Mas, se você me deixar doida, quem sabe?
Fiquei meio frustrada, um apertinho no peito, mas decidi continuar. Não era tão importante assim, no fim das contas. O importante era ela me vendo, me mandando, me guiando.
— E como você vai querer? — perguntei, a voz mais baixa agora, tentando soar safada.
— Eu ainda posso escolher? — ela disse, rindo, enquanto brigava pra manter o celular firme, a imagem rodopiando por um segundo, mostrando o teto, a parede, até ela conseguir apoiar num travesseiro. Apertava o rabo de cavalo com a mão livre, puxando as mechas pra trás como quem tenta parecer mais séria, mas só ficava mais linda e bagunçada.
— Sim, eu posso usar… — fiz uma pausa intencional, inclinando o rosto pra câmera, tentando ser sexy, sentindo o coração bater forte — os dedinhos — falei, balançando os dedos da mão livre na frente da lente, abrindo e fechando devagar — ou… eu tenho umas coisinhas que eu roubei da minha roommate.
Deixei a frase no ar, o silêncio carregado, o sorriso malicioso crescendo no meu rosto enquanto eu via os olhos dela se arregalarem na tela, o canto da boca subindo num sorriso lento e perigoso.
— Ah é? Sua ladrazinha safada! O que você roubou? — Lelê perguntou, a voz saindo grave e animada, os olhos arregalados na tela, o sorriso crescendo devagar enquanto ela se inclinava pra frente, como se quisesse pular dentro do celular.
Eu ri baixinho, sentindo o calor subir mais pelo pescoço, o corpo todo arrepiado de expectativa. Virei a câmera devagar, baixando o enquadramento pra mostrar a cama ao meu lado, e peguei um a um os brinquedos, exibindo como se fosse uma vitrine safada. Primeiro o vibrador grande, tipo wand, aquele cabeçudo que a gente já tinha usado juntas e que vibrava tão forte que deixava as pernas moles. Depois o consolo realista, pesado, com veias e tudo, que parecia um pau humano de verdade — eu segurei na base e balancei de leve na frente da câmera, tentando ser ousada, sentindo a vergonha misturada com um tesão bobo. Por último, o roxinho com wifi, aquele que eu estava doida pra testar, imaginando ela controlando a intensidade de longe, me deixando louca sem nem tocar.
Tentei fazer a exibição toda sensual, inclinando o corpo, mordendo o lábio, virando os brinquedos pra ela ver de todos os ângulos, mas no fundo eu estava vermelha pra caralho, rindo nervosa entre uma pose e outra. Lelê fazia cara de impressionada, as sobrancelhas arqueadas, a boca entreaberta num “o” exagerado, os olhos brilhando como se eu tivesse aberto um baú de tesouros.
— Tá, Violeta, eu não tinha mostrado os outros pra você por um bom motivo — ela disse de repente, a voz baixando um tom, mais séria agora, coçando a nuca enquanto ajeitava o rabo de cavalo torto. — Eu não sei se é a melhor hora pra falar disso, mas os outros são toys de ex, tudo bem pra você?
Sabe quando todo mundo tá na piscina, se divertindo, e você ainda não se trocou, tá ali vestida, seca, e de repente algum idiota pula dentro e respinga água gelada em você inteira? Então, foi exatamente essa sensação. Um respingo de água fria no meio do tesão. Me deu um nojinho imediato, rápido e involuntário — imaginar aqueles brinquedos enfiados na ex dela, ou sei lá em quantas outras antes, o cheiro, o suor, a intimidade de outra pessoa grudada ali. Meu estômago revirou levemente, o calor entre as pernas esfriando por um segundo. Mas eu não podia ser chata, né? Estragar o momento por ciúme retardado de algo que nem era gente. Foi legal pra caralho ela ter me avisado, pelo menos — transparência no meio da safadeza.
Respirei fundo, forçando um sorriso que saiu meio torto, tentando não deixar o desconforto transparecer demais.
— Acho que não tem problema, tem? — soltei, a voz saindo mais baixa, quase uma pergunta pra mim mesma, olhando pros brinquedos na cama como se eles pudessem responder.
— Por mim não, as donas deles não querem de volta mesmo, e tá limpinho — ela respondeu rápido, rindo de leve pra quebrar o clima, dando de ombros como se fosse a coisa mais normal do mundo. — Lavou tá novo.
Eu ri junto, aliviada por ela não ter ficado estranha, o tesão voltando devagar, misturado com aquela pontinha de nojo que eu empurrei pro fundo da mente. Não ia deixar isso estragar o momento.
— Tá, então qual vibrador você quer? — perguntei, voltando pro tom safado, balançando os três de novo na frente da câmera.
— O consolo e os dedos… — ela respondeu sem hesitar, a voz arrastada, os olhos semicerrados na tela, o sorriso petulante voltando com força, como se já estivesse imaginando a cena inteira.
Bem, já que eu tinha chegado até ali, tinha que ir até o final. No começo eu só queria tocar uma siririca com o vibrador pela curiosidade mesmo, testar sozinha no silêncio da casa, e agora eu estava de pernas abertas numa chamada de vídeo, nua da cintura pra baixo, me exibindo pra ela como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu achava aquilo mega divertido, de um jeito que me deixava rindo sozinha no meio do tesão, o corpo todo arrepiado de excitação e vergonha misturadas.
Mas tinha um problema de logística bem real.
— Como eu vou fazer as coisas e segurar o telefone ao mesmo tempo? — falei alto, rindo nervosa, olhando em volta do quarto à procura de uma solução, a câmera ainda enquadrando meu rosto corado enquanto eu me virava de um lado pro outro na cama.
Demorou um pouquinho, mas eu consegui: empilhei duas almofadas no pé da cama, apoiei o celular encostado nelas, meio que entre os meus pés abertos, ajustando o ângulo até ela conseguir ver tudo — o corpo inteiro, as coxas, os brinquedos ao lado, o meio das pernas já brilhando de leve. Eu só não podia me mexer muito que ia funcionar perfeitamente. Testei mexendo o quadril de leve, a imagem tremia um pouco, mas dava pra ver. Perfeito.
Olhei pro consolo que ela tinha escolhido e fiquei meio assustada, mordendo o lábio inferior. Era meio grosso pra mim — ser comprido não era problema, isso eu resolvia não atochando tudo de uma vez, mas a grossura… Ele entraria fácil se eu estivesse mais relaxada, mais excitada, mais molhada. Então resolvi deixar ele pra depois, guardar pro gran finale, e começar com o que eu conhecia melhor: os dedos.
— Meu Deus, Lelê, como eu começo isso? — perguntei, a voz saindo rouca e baixa, rindo de nervoso, sentindo o coração bater forte no peito, e a pele fria de nervosa.
Ela riu do outro lado, aquele riso debochado e delicioso que me desmontava, os olhos brilhando na tela como se estivesse ali do meu lado, pronta pra me devorar.
— Começa devagar, nome de flor. Me mostra como você se toca quando tá sozinha pensando em mim…

