Capítulo 19
Eu nunca tinha visto alguém tocando uma siririca na vida real, só em pornô, e olhe lá, por pura curiosidade rápida, daqueles cliques que a gente fecha logo em seguida. As minhas sempre foram improvisadas, nada planejado — por mais que eu tivesse quarto pra mim, nunca era uma coisa relaxada. O medo de ser ouvida rondava o tempo todo, me deixando tensa, o corpo encolhido, como se a qualquer momento alguém fosse bater na porta ou escutar um gemido mais alto. Geralmente era eu de ladinho, em posição fetal, esfregando rápido contra a mão ou a coxa, ou de pé no banheiro quando queria algo urgente, igualzinho aquela loucura que eu fiz no banheiro da rodoviária — não me julgue, tá?
Eu respirei fundo, sentindo o ar entrar pesado nos pulmões, o peito subindo e descendo rápido, e abandonei mentalmente aquela ideia idiota de querer ser sexy, de posar como as minas dos vídeos. Não era eu. Não precisava ser. Comecei do meu jeito, simples, sem performance.
— Primeiro eu gosto de passar o dedinho assim… — falei baixo, a voz saindo tímida, olhando pra câmera com um sorriso meio sem graça enquanto descia a mão devagar pela barriga.
Os dedos roçaram de leve em cima do clitóris, um toque suave, quase uma carícia, circulando devagar pra sentir o calor subir, pra me deixar abrir aos poucos. Voltei com dois dedos em volta dele, apertando levemente, abrindo os lábios pra ela ver melhor, sentindo o corpo responder na hora — um arrepio subindo pelas coxas, a umidade aumentando, brilhando na luz fraca do abajur. Na realidade, quando eu estava sozinha de verdade, a coisa era mais feia, mais bruta: eu tacava os quatro dedos em cima, apertava forte com os dois do meio e esfregava rápido, quase violento, intercalando depois com eles dentro quando queria penetração, quando o tesão latejava pedindo pra ser preenchido. Mas ali, com ela olhando, eu ia mais devagar, mais exibida, querendo que durasse.
Lelê olhava do outro lado com os olhos brilhantes, o rosto colado na tela, rindo baixo enquanto mordia o canto da boca, aquele jeito petulante que me deixava louca. Os olhos castanhos fixos em mim, a respiração dela um pouco mais pesada ecoando no áudio. Mas tinha algo que me incomodava, um detalhe que cutucava no fundo da cabeça: de vez em quando ela olhava pro lado, rápido, como se estivesse checando alguma coisa no quarto, ou pior, como se tivesse alguém ali do lado. Ela não ia fazer isso com alguém do lado, né? Tipo, dividir a atenção, mostrar pra outra pessoa o que era só nosso. O pensamento veio como uma fisgada, mas eu empurrei pra longe, focando no toque, no calor crescendo entre as pernas, na voz dela que voltava a me guiar.
— Isso, nome de flor… vai devagar, me deixa ver como você fica molhada pensando em mim… — ela murmurou, a voz baixa e arrastada, e eu obedeci, os dedos circulando mais firme agora, o quadril se mexendo sozinho contra a mão, um gemido baixo escapando sem querer.
Eu deixei meus dedos entrarem levemente, só a pontinha no começo, passando eles de forma circular na entrada, abrindo devagar pra ela ver tudo. Usei as duas mãos pra ajudar — uma abrindo os lábios rosados e inchados, a outra brincando com a umidade que já escorria, brilhando nos dedos, deixando tudo mais escorregadio. De vez em quando dava pequenos tapinhas com a ponta do dedo indicador bem na entrada, aqueles toques rápidos e leves que faziam o corpo inteiro contrair de surpresa, um choque gostoso que subia pela barriga e arrepiava os mamilos.
— Que delícia, Violeta, isso tá me dando muito tesão… — Lelê murmurou do outro lado, a voz baixa e rouca, quase um gemido disfarçado, os olhos fixos na tela, brilhando daquele jeito que eu conhecia, como se ela quisesse pular dali e me comer inteira.
Eu sorri sem graça, o rosto ainda vermelho, mas o tesão tomando conta de vez. Deixei um dedo entrar de verdade — só o indicador, devagar — e ele foi engolido na hora, o calor apertado e molhado me envolvendo como se o corpo tivesse esperado o dia inteiro por aquilo. Senti minhas texturas por dentro, as paredes macias pulsando de leve ao redor do dedo, e na mesma hora um arrepio gostoso tomou conta de tudo, subindo pelas coxas, pela coluna, se alojando na nuca e fazendo o couro cabeludo formigar. Eu inteira pedindo mais, o quadril se mexendo sozinho, empurrando contra a mão, querendo mais fundo, mais rápido.
A câmera parecia travada agora no apoio de almofadas, o ângulo perfeito mostrando tudo sem tremer muito, mas se não fossem os olhos da Lelê vigiando cada movimento, cada detalhe, eu quase esqueceria que ela estava ali. Quase. Porque de vez em quando ela olhava pro lado de novo — rápido, disfarçado, como se estivesse checando o quarto ou ouvindo algum barulho. Meu peito apertou levemente com aquilo novamente, mas o tesão era mais forte, me puxando de volta pro toque, pro calor crescendo entre as pernas, pro som molhado dos dedos entrando e saindo devagar.
— Mais um dedo, nome de flor… me mostra como você fica apertadinha quando tá quase gozando… — ela pediu, a voz mais grave agora, e eu obedeci sem pensar, adicionando o dedo do meio, esticando devagar, sentindo o corpo se abrir e apertar ao mesmo tempo, um gemido baixo escapando da garganta sem permissão
Quando meus dedos entraram de verdade — os dois juntos, curvando devagar lá dentro — o mundo ficou pequeno de repente, como se alguém tivesse apagado as luzes do quarto e só deixado aceso o calor entre as minhas pernas. Um breu se formou nos meus olhos, as pálpebras pesadas caindo sozinhas, e eu perdi completamente a noção do que estava ao redor. O celular, a câmera, a casa vazia — tudo sumiu. Só existia o movimento dos dedos, guiado pelo desejo puro, na medida certa, preciso, acertando exatamente aquele ponto que eu conhecia tão bem, aquele que fazia tudo acelerar rápido, o prazer subindo em ondas grossas que apertavam o ventre e faziam as coxas tremerem.
Eu me desconectei do mundo quando senti que estava quase gozando — o corpo inteiro avisando com contrações curtas, o clitóris latejando sob o polegar que eu esfregava sem parar, a respiração falhando. Naquele instante cego de tesão, pensei que era hora de pegar o consolo grande, aquele que ela tinha escolhido, enfiar ele fundo e gozar com tudo, sentir o peso, a grossura me esticando enquanto o orgasmo explodia.
Mas de repente uma risada alta, debochada, cortou o breu — só que não era direcionada pra mim. Era uma risada baixa, abafada, como se Lelê estivesse rindo de algo que eu não via, falando alguma coisa quase inaudível do outro lado, uma frase curta e rápida pra alguém que não estava na tela. A voz dela veio depois, mais alta, tentando cobrir:
— Não, pera, ela tá… — e aí uma pausa, como se tivesse tampado o microfone por um segundo.
Meu corpo congelou na hora. Os dedos pararam dentro de mim, o prazer recuando como uma onda que bate na praia e volta rápido demais. Abri os olhos de supetão, o quarto voltando aos poucos, o abajur rosa iluminando a cama bagunçada, o celular apoiado nas almofadas capturando minha cara assustada. O coração, que batia de tesão, agora martelava de outro jeito — um susto frio subindo pela espinha, as coxas se fechando instintivamente, a mão saindo de lá como se tivesse queimado.
Ela não estava sozinha.
Alguém estava ali do lado, ouvindo, talvez vendo, rindo junto. O nojinho misturado com raiva veio quente, o rosto queimando de vergonha, o corpo ainda latejando mas agora de um jeito ruim, vazio e exposto demais.
— Lelê…? — chamei baixo, a voz saindo tremida, quase um sussurro assustado, puxando o lençol pra cobrir as pernas enquanto olhava pra tela, esperando uma explicação que eu já sabia que não ia gostar
— Oi, desculpa, meu gato me perturbando aqui — Lelê disse rápido, a voz forçada, tentando cobrir o barulho ao fundo. — Aqui em casa toda hora alguém enche o saco.
Eu congelei, o corpo ainda quente, os dedos úmidos encostadas na minha coxa, o lençol puxado até o peito. O tesão sumiu, dando lugar a uma raiva fria e vergonha queimando o rosto.
— Para de mentir! Quem tá aí, Letícia? Me mostra o quarto agora! — gritei, a voz tremida de raiva, lágrimas escorrendo quentes nas bochechas.
Eu me sentei, cobrindo tudo, a câmera mostrando minha cara destruída. Ela virou o celular pro teto, hesitando.
— Calma, Violeta, é só uma amiga, a gente tava fumando um… ela ouviu, mas não viu nada — tentou explicar, mas a risada abafada ao fundo entregou tudo.
— Amiga? Você tá me exibindo pra ela? — perguntei, a voz quebrando, o coração doendo. — Desliga essa porra agora.
Desliguei antes que ela respondesse, a tela escurecendo, deixando só o silêncio do quarto e meu choro abafado no vento do ventilador velho, o corpo tremendo de humilhação e raiva.
E agora?

