Capítulo 24
Eu simplesmente desliguei.
Os olhos caíram devagar, pesados como cortinas de veludo, e um sorriso bobo, quase bobo demais, se espalhou inteiro no meu rosto sem eu mandar. O corpo inteiro afundou no sofá como se alguém tivesse desligado a gravidade só um pouquinho. Tudo estava macio. O tecido da almofada atrás das costas parecia respirar junto comigo. O ar do apartamento tinha gosto doce e denso, de maconha queimada misturada com vinho tinto e o cheiro quente da pele dela.
Mara começou a beijar meu rosto em câmera lenta. Beijos que não eram só beijos: eram toques quentes e úmidos que deixavam rastros de saliva morna na bochecha, na têmpora, na linha do maxilar. Cada selinho parecia durar vários segundos a mais do que deveria. A boca dela era macia, inchada de vinho, e quando roçava minha pele eu sentia cada textura minúscula — a leve aspereza do canto dos lábios, a umidade da língua que às vezes escapava só pra lamber de leve.
Ela segurou a barra da minha camiseta com as duas mãos e foi subindo devagar, o tecido arranhando de leve a barriga, as costelas, os lados dos seios, até passar pelos ombros. Eu nem ajudei direito. Só levantei os braços como criança obediente, rindo baixinho, um riso idiota e molhado que saía pelo nariz. A blusa caiu em algum lugar atrás do sofá. O ar fresco bateu na pele nua do tronco e eu senti os mamilos endurecerem na hora, quase com dor de tão sensíveis.
Tirei o sutiã sozinha, num gesto atrapalhado e risonho, jogando ele pro lado sem nem olhar onde caiu. Quando cruzei as pernas de leve, só pra sentir, percebi o estrago: a calcinha estava encharcada de um jeito exagerado, quente, pegajoso. O tecido grosso de algodão tinha virado uma massa úmida e morna colada na pele, como se eu tivesse passado o dia inteiro andando debaixo de sol forte com uma roupa íntima inadequada. Cada vez que eu mexia o quadril, o pano roçava nos lábios inchados e mandava um choque preguiçoso direto pro clitóris. Era quase incômodo de tão bom.
Mara não avançou como eu esperava.
Poderia ter agarrado meus seios, chupado com força, mordido. Mas não.
Ela riu baixo, aquele riso rouco e safado que parecia sair direto da garganta dela e entrar na minha buceta. Pegou meus dois pulsos com calma, levantou meus braços e os prendeu atrás da minha cabeça, como se eu fosse uma escultura que ela estava arrumando.
— Fica assim, nome de flor — sussurrou debochada, usando o mesmo apelido que a Lelê usava, mas na boca dela soava diferente; mais lento, mais perigoso.
E então começaram as unhas.
Leves.
Muito leves.
As pontas das unhas dela, vermelhas escuras e recém-feitas, traçavam círculos largos em volta dos meus seios, sem nunca tocar os mamilos. Rodeavam, subiam, desciam, faziam espirais cada vez mais fechadas, mas sempre parando antes de chegar no centro. A pele arrepiava inteira a cada passada. Era como se ela estivesse desenhando meu desejo no ar. Cada arranhãozinho mandava uma onda elétrica que descia pela barriga, se enroscava no clitóris e voltava subindo pela coluna até a nuca. Eu tremia e não de frio, era de pura, lenta e torturante antecipação.
Minha respiração virou uma sequência de suspiros curtos, quase gemidinhos. Os olhos se recusavam a abrir — as pálpebras pesadas demais, o mundo lá fora muito brilhante e desnecessário. Só existia a sensação das unhas dela riscando minha pele, o ar fresco batendo nos mamilos duros, o tecido encharcado da calcinha colando e desgrudando a cada respiração funda.
E então a boca dela desceu.
No mamilo esquerdo.
Primeiro só o calor da respiração, quente e úmida, me fazendo arquear as costas sem querer. Depois a língua — lenta, achatada, lambendo uma única vez da base até a ponta, como quem prova sorvete derretendo. E por fim os lábios se fecharam em volta, sugando devagar, a pressão aumentando aos poucos até virar uma sucção ritmada, preguiçosa.
Naquele segundo meu clitóris pareceu fritar.
Uma fisgada elétrica, quente, urgente, que fez minhas coxas se fecharem sozinhas num espasmo involuntário, tentando apertar, esfregar, aliviar. Mas os braços presos atrás da cabeça me impediam de me mexer direito, e isso só piorava tudo. O tesão virou uma coisa viva, latejante, que ocupava todo o espaço entre as pernas e subia até a garganta. Eu gemia baixinho, sem controle, sons molhados e ridículos que saíam entre os dentes. O corpo inteiro parecia pulsar no mesmo ritmo da sucção dela: lento, denso, interminável.
Eu estava morrendo de tesão.
Era um tesão lento, daqueles que não correm, que se espalham como óleo quente pela pele, pelas veias, até chegar no fundo da barriga e ficar ali pulsando quieto, exigindo tudo sem gritar. Cada respiração parecia puxar mais ar pra dentro de mim, mas nunca era suficiente. O peito subia e descia pesado, os mamilos latejando no ritmo do coração, duros e sensíveis como se qualquer sopro pudesse me fazer gemer.
Mara não tinha pressa nenhuma. Ela parava e olhava com os olhos castanhos fundos passeando pelos meus seios como se fossem a coisa mais preciosa que ela já tinha visto na vida. As mãos grandes, quentes, subiam devagar e juntavam os dois, erguendo com uma pressão firme e cheia, como quem pesa algo valioso. Senti o peso deles sendo levantado, a pele esticando de leve, os mamilos apontando mais pro teto, expostos ao ar fresco que arrepiava tudo de novo. Depois ela espalhava, os polegares e indicadores deslizando devagar pros bicos, apertando suave, rolando entre os dedos como se estivesse modelando argila morna.
A sensação era elétrica e lenta ao mesmo tempo. Cada aperto mandava uma faísca que descia reto pro clitóris, fazendo ele inchar mais, latejar mais forte contra o tecido encharcado da calcinha. Eu sentia os mamilos sendo puxados de leve, depois soltos, depois apertados de novo, e cada ciclo fazia meu ventre contrair, um espasmo pequeno e fundo que me deixava sem ar. Era como se ela estivesse me masturbando só pelos peitos, e eu nunca tinha sentido nada assim — o prazer subindo devagar, acumulando, enchendo cada centímetro do corpo até eu achar que ia transbordar.
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