Capítulo 36

A hora foi passando e eu entrei na sala. Como boa nerd que sou, sentei nas primeiras carteiras. A sala era nova, recém-pintada, cheirando a tinta fresca, quadro branco enorme, carteiras limpas. Nada demais. Uma sala de aula comum, daquelas que dão sono só de olhar.

As pessoas ainda tavam envergonhadas, puxando conversa tímida, tirando dúvida besta. Meu coração batia tão forte que parecia que ia sair pela boca.

“Finalmente… caderno novo, caneta nova, cheiro de começo. Tô quase infartando de ansiedade.”

Passei a mão na capa do caderno novo, sentindo o papel liso e frio contra os dedos, mas meu pensamento já tava longe dali. No corpo dela molhado brilhando na tela ontem, na bundinha lisa virando de lado enquanto ela ela ria safada depois de gozar... e no quanto eu queria ver ela pessoalmente hoje, sentir aquele cheiro de pele morna misturado com sabonete.

“Porra, Violeta, você tá no primeiro dia de aula e só consegue pensar na buceta da sua roommate. Foco, caralho.”

Peguei o celular, desliguei o som rapidinho e mandei:

“Cadê tu mulher?”

A resposta veio quase na hora:

“Porra, tou aqui já, meu pai encheu a porra do saco falando que eu tinha que ir ontem e talz e que eu não ia faltar o primeiro dia de aula, o velho me enfiou no carro e me trouxe. Tou só resolvendo umas paradas aqui, falando com um povo e já chego.”

Fiquei olhando pra tela, mordendo o canto do lábio. Tinha algo me deixando confusa com a Lelê. No primeiro dia ela tinha falado que veio pra essa faculdade por causa da ex. Depois eu descobri de tanto que ela falou, que essa ex era Nana, a mulher que fez o diabo e deu até polícia... Só que a cronologia não batia. O que ela omitiu de mim, é que mesmo depois de tudo que aconteceu, elas continuaram se vendo. Só pode. Essa Nana está no segundo ano aqui, pelo que Lelê contou, e como ela conhece a cidade inteira e muita gente, ela devia de vir muito pra cá.

Eu fiquei pensando nisso tentando juntar os pontos, mas a merda era que a Lelê contava histórias mas raramente falava nomes, não sei se era de propósito e eu também não perguntava muito, eu ficava com ciúmes e não gosto de ser enxerida.

A sala tava enchendo, gente conversando alto, cheiro de perfume barato e caderno novo no ar. Eu fiquei cruzando e descruzando as pernas pra disfarçar o nervoso que subia pela barriga. O coração batia meio torto, uma mistura chata de empolgação e ciúme que eu não queria sentir.

“A aula vai começar, vem logo”

Escrevi rápido e, antes de travar, não me aguentei:

“Você tá falando com quem? com a Nana?”

Enviei e fiquei olhando pra tela como idiota, o polegar pairando, o estômago apertado cheia de ciúmes de imaginar ela falando com a ex dela. A resposta demorou uns segundos que pareceram uma eternidade. Quando chegou, foi curta:

“Kkkkkk calma nome de flor, tô falando com o pessoal da república antiga. Nana nem tá aqui hoje. Relaxa que eu tô chegando.”

Soltei o ar que nem sabia que tava prendendo. Mas o alívio veio misturado com vergonha. “Porra, eu sou ridícula. A gente nem é nada e eu já tô cobrando explicação? Ela vai achar que eu sou uma louca possessiva.”

Guardei o celular na bolsa rapidinho quando uma pessoa mais velha entrou pela porta lateral do auditório. O burburinho foi morrendo aos poucos, gente se ajeitando nas cadeiras, cadernos sendo abertos, aquele silêncio respeitoso de primeiro dia.

A menina do meu outro lado, uma morena de óculos que parecia tão perdida quanto eu, se inclinou e sussurrou:

— Ei, você sabe se o bandeijão da faculdade é bom? Ou tem algum lugar barato pra comer por aqui? Tô morrendo de fome já...

Eu virei o rosto pra responder, tentando ser simpática, mas minha cabeça ainda tava meio presa na mensagem da Lelê.

— Olha, ainda não testei o bandeijão... mas ouvi falar que a comida é decente, tipo arroz-feijão normal. Tem um boteco ali perto da garagem que vende pão de alho bom, uma menina que me levou da outra vez...

Enquanto eu falava, a professora subiu no pequeno palco, arrumando uns papéis na mesa. Voz firme, postura calma, cabelo solto com ondas naturais. Meu cérebro demorou uns dois segundos pra processar.

“Espera...”

O sangue desceu todo pro pé. Meu estômago deu uma cambalhota violenta.

Era a Mara.

A mesma Mara que tinha me comido ontem no sofá dela, que tinha enfiado quatro dedos em mim enquanto eu gemia feito uma vadia chapada, que tinha me feito gozar três vezes seguidas com aquela tesourinha lenta e safada. A mesma que ainda devia tá com meu cheiro grudado na pele.

“Caralho. Caralho. Caralho. Eu dei para essa mulher ontem!”

Eu não sabia onde enfiar a minha cara. Ela não tinha dito que era professora. Se bem... ela tinha falado que clinicava psicologia em meio período, então no outro... claro que dava aula. Porra, mas por que diabos ela não falou isso ontem? E o que adiantaria, né?

“Meu Deus, Violeta, você transou com a professora. Com a professora de Introdução à Psicologia. No sofá dela. Chapada de maconha.” Que coisa ótima!

Só que não...

Isso seria um problema. Na hora um monte de paranoias passou pela minha cabeça. Lelê não podia saber daquilo nem fudendo. Aliás, ninguém podia ficar sabendo. Eu tava morrendo de vergonha, o rosto queimando, as mãos suando frio em cima do caderno. Mas no fundo, tinha um capetinho safado falando bem no meu ouvido.

“Caralho, piranha... tu comeu a professora. Isso é o sonho adolescente de todo mundo...”

E sem perceber eu dei um sorrisinho sozinha no meio da sala, meio idiota, meio excitado. A menina do meu lado virou o rosto e me olhou estranho, erguendo a sobrancelha. Eu disfarcei rapidinho, fingindo que tava anotando alguma coisa importante, mas o pensamento não saía: “Eu comi a professora. Eu gozei na boca dela ontem à noite.”

Essa ideia me levou do inferno pro céu num segundo. Eu não sei se era nervoso puro ou tesão disfarçado, mas a imagem dela me chupando devagar, os dedos curvados dentro de mim, me fez apertar as coxas uma contra a outra debaixo da carteira. Eu só queria levantar e ir dar uma volta, por que a última coisa que eu queria, era ficar excitada no meu primeiro dia de aula dentro da sala.

“Para, Violeta. Para agora. É aula, caralho.”