Capítulo 26

Já virou rotina eu dormir fora de casa. Saio pro trabalho, estico com a Manu, durmo lá e só volto no dia seguinte. Quando faço isso o Junior nem abre a boca. Ele não tem moral pra cobrar nada mesmo. Depois daquela noite no motel eu fui trabalhar com a bunda pegando fogo. Não conseguia nem sentar direito, ardia o dia inteiro a ponto de eu quase marcar consulta com médico.

A Manu, que sabe de tudo, não perdia chance de soltar uma piadinha sacana toda vez que me via. O Fernando, meu colega de trabalho, piorava ainda mais o dia inteiro tentando me dar pernada com aqueles olhares de safado e comentários que só me deixavam mais irritada, parece até que sabia.

Quando cheguei em casa, abri a porta e dei de cara com tudo limpo. O Junior tinha caprichado na faxina, o cheiro de desinfetante e produto de limpeza tomava conta do ar inteiro. Ele tava largado no sofá, mas se levantou rápido na hora que me viu e veio me dar um beijo rápido na boca.

Eu fiquei olhando para aquele carinho que ele não tinha direito de fazer, meio assustada, mas deixei rolar. E confesso, gostei um pouquinho. Fazia tempo que eu não sentia aquilo.

— Você quer me matar de curiosidade né, e aí como foi?

Ele tava louco pra saber do motel. A conversa com a Manu tinha me deixado leve, livre. Pela primeira vez a pergunta dele não me deu raiva. Eu ainda tava um pouco na defensiva, mas me sentia à vontade pra contar. E toda vez que lembrava daquilo meu corpo já reagia, ficava excitada na hora.

— Tá bobo, eu vou contar se você quer tanto assim.

Falei como se ele estivesse me pressionando, mas na real era eu que tava louca pra abrir a boca e contar tudo.

— Vem atrás, vem!

Larguei a bolsa no chão e fui direto pro quarto. Tirei as roupas sujas do trabalho, separei uma roupa limpa pra vestir depois, peguei uma toalha e segui pro banheiro com ele me seguindo feito cachorrinho. Quando entrei, ele parou na porta, do lado de fora. Até então, oficialmente, a gente tinha terminado.

— Entra, Junior. Você já me viu pelada um monte de vezes e viu coisa bem pior.

Tirei o resto da roupa devagar, fiquei completamente nua na frente dele. Confesso que tinha uma provocação ali da minha parte. Se o Junior fosse homem de verdade, ele me agarraria naquele exato segundo. Eu faria cinco segundos de cu doce só pra aumentar o fogo e depois daria pra ele a noite inteira, tudo que ele quisesse, do jeito que ele quisesse. Mas eu já sabia que nunca ia acontecer isso com ele.

Os olhos dele me devoravam. Parecia que nunca tinha me visto sem roupa antes. Aquilo foi me excitando aos poucos, um calor subindo devagar pela barriga. E só piorou quando comecei a juntar as cenas na cabeça, revivendo tudo antes de abrir a boca pra contar.

Entrei no box, fechei a porta de vidro e liguei o chuveiro. A água quente caiu na minha pele e logo o vapor encheu o banheiro inteiro. Do lado de fora, o Junior virou só um vulto embaçado pra mim.

Enquanto a água escorria pelo meu corpo, comecei a contar. Devagar, com detalhes. Falei do carro estacionado na rua escura, da boca dele na minha enquanto eu chupava com vontade, do motel barato com luz vermelha piscando, da ligação pro Junior assistindo tudo pelo celular. Contei como sentei de costas, quicando no pau dele, sentindo cada centímetro entrar fundo, como pedi pra enfiar o dedo no cu enquanto cavalgava, como gozei gritando e depois pedi pra meter no cu até sangrar.

Enquanto falava, minha mão desceu sozinha entre as pernas. O vapor escondia tudo. Ele não via. Só ouvia minha voz rouca misturada com o barulho da água. Meus dedos roçaram o clitóris devagar, circulares, leves, exatamente como eu gosto quando tô sozinha. O tesão subia junto com as lembranças. Cada palavra que saía da minha boca fazia meu corpo reagir mais forte. A buceta pulsava, molhada não só pela água quente. Eu apertava os lábios pra não gemer alto, mas deixava escapar uns suspiros baixos que se perdiam no vapor.

— ...e aí ele meteu tudo de uma vez no meu cu, Junior. Doeu pra caralho, mas eu pedi mais. Pedi pra rasgar, pra mostrar pra você o que você nunca fez...

Meus dedos aceleraram um pouco. O clitóris inchado latejava sob o toque. Eu empinei a bunda de leve, imaginando que era ele ali atrás de novo, me abrindo. O prazer crescia rápido, misturado com raiva, com vontade, com tudo que eu sentia por aquele homem que tava do outro lado do vidro só ouvindo.

A voz dele veio baixa, rouca, do vulto embaçado.

— Continua... por favor...

Eu sorri sozinha, mordendo o lábio. Continuei contando, continuei me tocando, devagar o suficiente pra não gozar ainda, mas forte o suficiente pra sentir o corpo inteiro tremendo. Só que eu não tinha mais nada pra contar, e mesmo que quisesse, não conseguiria. Minha buceta vibrava acessa pelo meu toque e eu precisava gozar. Precisava muito.

Junior estava em silêncio do outro lado.

Através do box embaçado eu vi o vulto dele encostado na parede. Abri o vidro devagar pra ver o que ele fazia. Ele tava com o pau pra fora, duro, a mão segurando a base, ouvindo tudo. Os olhos fixos no meu corpo molhado, o peito subindo e descendo rápido. E aí o diabo se fez presente dentro de mim.

Eu falei provocadora:

— Junior, você consegue me comer que nem homem?

Ele me olhou com aquela cara lerda, mas com o velho brilho da época que nos conhecemos.

Continua