Capitulo 34

Eu olhei direto nos olhos dele e decidi confrontar. Mulher como eu tem que impor respeito.

— Fernando, e quem disse pra você que meu marido e eu estamos nos separando?

Eu perguntei firme, porque imaginei que ele nunca iria entregar a fonte da fofoca e perder seu espião, se é que existia mesmo. Achei que ele ia desconversar. Mas ao invés de ficar acuado, ele se inclinou pra frente na cadeira e soltou como se não fosse nada:

— Chefa, tu acha que um escritório pequeno desses não sabe do seu caso com a Manu?

Ele se recostou de novo, satisfeito, sabendo que tinha acertado o golpe em cheio, e continuou:

— Você deveria ficar mais atenta a esse tipo de coisa. Relacionamento entre funcionários é um problema, ainda mais uma diretoria cheia de homem velho descobrir que a gerente geral é casada com um homem e tá tendo um caso com outra mulher. Vai ser uma confusão danada.

Eu ri por fora pra disfarçar a dor do golpe, mas por dentro senti um soco no estômago. Ele sabia. Não ia revelar a carta se não tivesse algo mais concreto.

— Fernando, você que sonha com o meu lugar deveria ser o primeiro a conter as fofocas e não ficar passando elas adiante. Eu vou relevar o que você disse porque infelizmente eu dou mais confiança do que deveria pra você. Então vamos só deixar essa passar.

Ele riu meio azedo. Meu contra-golpe tinha sido bom, mas aquilo me deu uma raiva danada. Muita raiva mesmo. Ele tentou continuar, mas eu cortei de imediato:

— Começa logo com isso. Começa!

Ele me olhou meio indignado.

— Começar o que? É só assinar esses papéis! Você sabe que nem precisa de apresentação de projeto nenhum. Fizemos o projeto juntos.

Ele abriu as mãos, revoltado por eu forçar ele a fazer aquele teatro da apresentação. Mas só de ver ele assim, fora de si, me deu um prazer enorme, quase tão grande quanto quando mandei o Junior dormir no chão sujo de porra. E aí me veio uma ideia.

— Manuela, querida — gritei alto o suficiente pra minha voz cortar os biombos —, manda o pessoal do Vendas, Contas e Novos Clientes virem aqui agora. Quero que eles vejam a apresentação do Fernando.

Do lado de fora ouvi a Manu confirmar, sem questionar.

Fernando arregalou os olhos.

— Cara, tu tá doida? Tu sabe que essa reunião não é uma apresentação de verdade e eu não preparei nada.

Eu me inclinei pra frente e falei baixo, bem calma:

— Fernando, se você não gastasse tanto tempo tentando me derrubar, fuxicando a minha vida com mentiras, teria feito a apresentação direito. E você sabe: todo projeto precisa ser apresentado formalmente pra pelo menos um gerente. É norma da empresa.

Ele se levantou furioso, abrindo a porta com força.

— Você tá querendo me foder, isso sim.

— Manere o seu tom, Fernando.

Os gerentes dos outros setores chegaram rápido. Eu tinha mentido dizendo que era importante e que não ia demorar mais que dez minutos. Prometi a todos uma apresentação de verdade, coisa que o Fernando claramente não tinha preparado. Muito do projeto ele não sabia. Não conhecia os números, não conseguia responder as perguntas mais básicas. As pegadinhas que ele tinha deixado preparadas pra mim foram se revelando uma a uma e sendo desmontadas pelos outros gerentes na frente de todo mundo. Ele não sabia onde enfiar a cara. Estava sendo humilhado ao vivo, visto como um incompetente que nem sabia apresentar o próprio trabalho.

Algumas vezes ele tentou jogar a culpa pra mim, mas o corporativismo dos meus colegas foi maior. Na hora eles cortaram ele, lembrando que a obrigação do projeto era dele e que ele estava mal preparado. O que deveria durar no máximo dez minutos virou meia hora de tortura. Ver ele se fodendo daquele jeito, suando, gaguejando, ficando vermelho na frente de todo mundo, me deu um puta tesão.

Enquanto ele tentava se explicar pela terceira vez, eu peguei o celular por baixo da mesa e comecei a trocar mensagens com o cara.

"nossa hoje tá de pé, tô muito a fim de dar pra você nesse seu pauzão gostoso. jura que vai me arrombar toda?"

Eu nunca fui de falar essas coisas, mas minha calcinha parecia que eu tinha tirado da máquina de lavar de tão molhada.

Ele respondeu rápido:

"do jeito que você quiser. tô doido pra comer esse seu cu de novo. e o corno?"

"ah ele tá doido pra ver, inútil. coitado"

"deixa ele ver. você quer que ele veja a gente transando?"

"ver transando eu não sei… sei lá se eu conseguiria."

"então vamos pra sua casa. ele fica ouvindo de longe. o que acha?"

Eu mordi o lábio, sentindo a buceta pulsar só de ler. Isso era perfeito pra mim. Esfregar na cara do Junior sem ele ver tudo… a ideia me deixou ainda mais excitada. Meu dedo tremia um pouco quando digitei:

"perfeito. hoje à noite. ele vai ouvir tudo."

Guardei o celular por baixo da mesa e levantei o olhar bem a tempo de ver o Fernando suando frio, tentando responder uma pergunta simples sobre o cronograma que ele mesmo tinha montado. Os outros gerentes trocavam olhares discretos, quase com pena. Eu sorri por dentro. Enquanto ele se afundava no ridículo na frente de todo mundo, eu já estava molhada pra caralho, pensando no pau grosso me abrindo mais tarde e no meu marido ouvindo tudo da outra sala.

— Fernando, pode parar, querido — falei com calma, quase doce. — Já passou de meia hora de apresentação e já deu pra entender que você não consegue tocar nisso sozinho.

Eu folheei os papéis devagar, deixando um silêncio pesado cair na sala, aquele tipo de pausa constrangedora que machuca mais que qualquer palavra. Depois completei, ainda mais tranquila:

— Pode ir, querido. A gente vai debater algumas coisas aqui. Você está dispensado, tá?

Fernando ficou parado por dois segundos, o rosto vermelho, a boca entreaberta. Depois se levantou sem dizer nada, recolheu os papéis com a mão trêmula e saiu da sala sem olhar pra ninguém. A cara dele estava destruída.

Assim que a porta fechou, os outros gerentes não perderam tempo. Todos recomendaram a demissão dele pra mim. Entenderam perfeitamente que meu movimento era pra conseguir apoio. Por mais que eu fosse chefe direta, ele tinha um cargo técnico difícil de substituir, e não era fácil mandar embora sem uma boa justificativa.

— Eu vou levar o caso dele pro conselho — falei. — Pelo menos agora a diretoria não vai dizer que eu tô louca.

Os gerentes concordaram, deram uns tapinhas de apoio no meu ombro e foram saindo um por um. Eu humilhei o Fernando publicamente e, de noite, ia humilhar meu marido.

Fiquei ali mais um segundo sozinha na sala de reunião, sentindo o calor latejando entre as pernas e o gosto doce da vitória na boca. Meu corpo inteiro vibrava.

Hoje à noite ia ser bom pra caralho.