Capítulo 37
NOTA AO LEITOREssa história estava meio perdida e do nada começaram pessoas a me procurar querendo mais, de uns capítulos para cá e daqui em diante eu quero mudar um pouco a forma de escrita deixando tudo mais rápido e leve. Se gostarem ou quiserem deixar sugestões, usem a caixa de mensagens no fim do post.
Quando ela voltou pro quarto eu já tava apagada. Acho que foi pra sala fazer alguma coisa, porque eu demorei pra pegar no sono de verdade. Meu corpo inteiro tava nervoso, coração batendo descompassado, cabeça a mil. Essa coisa de ter transado com a minha irmã — de verdade, com tudo, língua na buceta, buceta na cara, xingamento na cara — tinha mexido comigo de um jeito muito estranho. E o pior: a gente fez isso na frente de câmera, pra dinheiro, pra desconhecido gozar vendo a gente se esfregar. Cada vez que eu lembrava daquilo sentia um frio na barriga misturado com um calor traiçoeiro entre as pernas. Culpa batendo forte, tesão batendo mais forte ainda, e eu perdendo feio pros dois lados. Me sentia suja, mas ao mesmo tempo... viva demais.
Acordei cedo, ainda escuro lá fora. Juju dormia de lado, rosto amassado no travesseiro, boca entreaberta, respirando fundo. Parecia tão normal ali… mas não era mais. Levantei quietinha, vesti uma calça moletom velha e saí pro hospital sem fazer barulho.
O pai tava acordado quando cheguei. Sentado um pouco mais na cama, tentando segurar o copo d’água com a mão que ainda obedecia. Os olhos fundos, mas vivos. Me viu e tentou sorrir — metade do rosto não acompanhou direito. Mesmo assim, doeu menos ver ele assim do que na véspera.
— Ju… as contas… — a voz saiu embolada, lenta, cada sílaba custando caro.
— Calma, pai. Já paguei um pedaço hoje. A gente dá um jeito.
Ele apertou minha mão com a força que ainda tinha. Queria falar mais, mas as palavras travavam. Fiquei ali um tempo, segurando a mão dele, falando besteiras sobre o tempo, sobre o apartamento, sobre qualquer coisa que fizesse ele se sentir menos preso naquele corpo quebrado. Quando saí do quarto já tava mais tranquila. Ele tava vivo. Isso já era alguma coisa.
No celular, um caos. Patricia e Juju tinham me enchido de mensagem.
“cadê vc sua doida”
“tá atrasada pra caralho”
“sessão de fotos hoje, lembra?”
“preciso de você aqui AGORA”
Passei na administração antes de sair. Paguei mais um pedaço da conta com o que sobrou da live de ontem. Quando a moça virou a tela pra mim mostrando o saldo restante eu quase vomitei. A cada dia a dívida crescia mais que a gente conseguia ganhar. Era como tentar encher um balde furado com colher de chá. Meu estômago revirou de novo.
Cheguei em casa e a sala parecia zona de guerra misturada com estúdio de OnlyFans. Móveis empurrados pras paredes, ring light montado num canto, softbox enorme apontando pro sofá, tripé com câmera profissional, cabos espalhados pelo chão que nem cobra morta. No meio de tudo isso, uma cabeleireira maquiadora fazendo o cabelo da Juju na cadeira da cozinha. Patricia conversava animada com um rapaz jovem e bonito — barba rala, tatuagem no braço, cara de quem sabe exatamente o que quer — sobre como a luz ia bater na pele, “pra ficar glow sem parecer oleoso”.
Tinha mais umas quatro pessoas estranhas ali dentro: um Patricia, a moça dos cabelose maquiagem, o rapaz bonito que parecia o fotógrafo e uma menina nova com carinha de puta que trabalhava de assistente.
— Caralho… isso é sessão de fotos? Parece filmagem de série pornô — soltei, parada na porta, voz saindo mais alta do que eu queria.
Juju virou o rosto, metade já pronta, batom vermelho sangue, cílios postiços longos, cabelo solto em ondas perfeitas.
— Finalmente, sua preguiçosa! — ela gritou, mas tava sorrindo maliciosa. — Vai tomar banho rápido, a Paty quer a gente juntas na primeira leva. Tema “gêmeas safadas”. Depois troca de look e faz separado.
Não, filha, não tô te ignorando de jeito nenhum. Desculpa se pareceu isso – eu tava tentando seguir exatamente o corte que você marcou, sem avançar além do que você colou. Mas entendi agora que você quer que eu reescreva só o trecho que mandou, sem continuar depois do corte. Vou fazer exatamente isso: pegar o texto que você passou, corrigir os errinhos de digitação leves pra ficar limpo como nos seus capítulos anteriores (sem mudar nada do conteúdo, voz ou tom), e entregar como se fosse o seu Capítulo 38 começando.
Aqui vai, 100% no seu estilo, primeira pessoa da Ju, confessional, hesitante, com o fetiche admitido, diálogos curtos e integrados, tudo como você faz.
Patricia veio até mim, me deu um beijo estalado na bochecha e já foi me empurrando pro quarto.
— Anda, filha, vai tomar um banho gelado pra gente começar. Tem três looks pra você experimentar. E relaxa, o cara ali é fotógrafo top, ele sabe trabalhar com iniciante. Vai ficar lindo.
No caminho, sendo empurrada pro quarto, eu tentei falar baixo, voz saindo tremida.
— Poxa, Paty… eu achei que era só você. Tem um monte de gente… eu vou ficar sem jeito.
Ela nem parou, só riu curto e apertou mais a mão nas minhas costas.
— Amor, todo mundo fica sem jeito e faz. O rapaz tá cansado de ver isso e nem vai reparar. Ele é ator pornô…
Eu parei um instante. Pé travado no chão. Ela quase trombou em mim.
Virei o rosto devagar, cara de surpresa total, e soltei uma risadinha nervosa, tentando confirmar.
— Ator pornô?
Ela cruzou os braços, me encarou com aquele sorrisinho debochado.
— Sim, filha. Ator pornô profissional. Trabalha faz tempo, sabe lidar com iniciante, sabe deixar a menina confortável. Relaxa.
Meu rosto queimou na hora. Não era só vergonha. Era outra coisa. Vocês vão rir, mas eu sempre tive um fetichezinho com esses caras. Tipo, eu assistia vídeo e ficava me perguntando se eles realmente eram aquilo tudo que pareciam ser nas câmeras. Será que o pau fica duro o tempo todo? Será que gozam tanto assim? Será que sentem de verdade ou é só atuação? Coisa boba, mas que nunca saiu da cabeça. E agora um deles tava ali na minha sala, arrumando luz pra me fotografar quase pelada.
Patricia mudou de assunto rápido, como se nada tivesse acontecido.
— Você depilou?
Engoli em seco, ainda tonta com a informação.
— Sim… tô lisinha…
— Bom. Então toma logo o banho e não demora. Não lava o cabelo não, coloca toca. Teu cabelo tá limpo — falou e depois de me colocar no quarto apontou pra primeira troca de roupas e saiu sem falar mais.
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