Capítulo 38

Fiquei ali parada, coração martelando forte. Eu tinha um monte de perguntas na cabeça — tipo, o que exatamente ele vai fazer aqui hoje? Vai ser só foto mesmo ou já vai rolar algo mais? — mas eu morria de vergonha de perguntar. No fundo, eu sabia que aquele dia chegaria. Sabia desde a primeira live, desde o primeiro beijo na câmera. Era inevitável.

Olhei pra primeira roupa em cima da cama. Um biquíni preto minúsculo embaixo — calcinha fio dental mesmo, daquelas que mal cobre nada —, e em cima um tope que cobria metade do peito, como se alguém cortasse uma blusinha muito curta.

Joguei minha bolsa pro canto e peguei o celular pra olhar as mensagens e emails. Ainda não tinha parado de chegar coisa: “eu sei quem você é!”, “vi você na live ontem”, “gostei muito da sua irmã, mas você é mais safada”. Desde aquele dia no trabalho, eu comecei a receber essas merdas no WhatsApp do emprego. Eu sabia que isso podia acontecer, então deixei meio de lado, respondia com “deve ser engano” e bloqueava. Mas era chato pra caralho e me dava um medo danado no fundo. Na verdade eu tava enrolando para fazer a sessão de fotos. Mostrar a perereca na câmera era mais fácil — ninguém olhando de verdade, só tela, só números subindo. Agora eu ia ter plateia ali, olhos reais, gente comentando na minha cara, avaliando cada pedaço do meu corpo. Meu estômago revirava só de pensar.

De repente alguém bateu na porta que ainda tava aberta.

— Oi…

Eu me virei rápido, coração na boca. Era o fotógrafo. Respondi completamente vermelha, voz saindo fina.

— Oi…

Ele entrou um passo, mãos nos bolsos, sorrindo meio sem graça.

— Eu sou o fotógrafo, me chamo Pedro. Você tá à vontade hoje pras fotos? — falou ele rindo, parecendo mais nervoso que eu.

— Nem um pouco. Tô mega nervosa. Nem sei se eu vou conseguir.

Ele pensou um pouco, me deu um tempo, depois falou devagar, tentando acalmar.

— A primeira vez é difícil mesmo, mas relaxa. Vai seguindo o flow que vai dar tudo certo.

Eu ri concordando, um riso nervoso, daqueles que saem sem querer. Um silêncio constrangedor caiu no quarto. Eu tava nervosa só de ter um homem ali. Nunca um homem tinha entrado no meu quarto assim, sem ser namorado ou algo do tipo. O ar parecia mais pesado, o cheiro dele — perfume amadeirado misturado com suor leve — subindo até mim.

Pedro quebrou o silêncio primeiro.

— E a sua irmã concordou de gravar comigo. Você já pensou sobre isso?

— Como assim gravar com você?

Eu sabia exatamente do que ele tava falando. Era fazer um pornô com ele. Meu corpo inteiro reagiu antes da cabeça: coxas apertaram sozinhas, ar faltou, um calorão danado subiu do peito até a cara. Buceta deu uma pulsada traiçoeira dentro da calcinha.

— Nossa… assim? Eu nunca fiz isso…

Mentira. Eu tinha me prostituído uma vez, com o Vitorino, só que ninguém soube ou gravou. Mas isso era diferente. Isso era câmera, luz, gente vendo depois.

— Ahn, é tranquilo. É só ligar a câmera e deixar rolar.

— Deixa eu conversar com minha irmã primeiro? De repente ela faz primeiro… depois eu penso se pra mim, tá?

— Você tá com vergonha, né? Mas olha, é trabalho. Não tem sentimento.

— O problema é esse… não ter sentimento…

Ele veio invadindo meu espaço rindo, fazendo um “awnnn” meio zombando do meu charminho. Me abraçou de repente, corpo duro e quente encostando no meu. Eu me derreti inteira na hora. A vontade que me deu foi de abraçar de volta, apertar, sentir mais daquele calor, mas eu sabia que ele tava só me zoando. Ou talvez não. Meu coração batia tão forte que eu sentia na garganta. Ele cheirava bem, pele quente, braço forte me envolvendo. Fiquei parada, dura, sem saber se empurrava ou se deixava ficar.

Ele soltou devagar, ainda rindo baixo.

— Relaxa, Ju. Vamos devagar. Primeiro as fotos. Depois a gente vê o resto.

Eu assenti, boca seca, sem conseguir falar nada. Ele saiu do quarto me deixando ali, pernas moles, buceta latejando, cabeça girando. Puta que pariu. Eu tava mesmo pensando em fazer isso. Em deixar ele me foder na frente da câmera. E o pior: uma parte de mim queria. Queria sentir como era de verdade, com um cara que sabia o que fazia, com luzes batendo, com Juju olhando. Culpa martelava no peito, mas o tesão martelava mais forte.

Respirei fundo, peguei o celular de novo. Mandei mensagem pra Juju: “vem aqui um minuto?”. Meu dedo tremia no enviar.

Ela veio rapidinho.

Quando chegou eu já tava com as roupas na mão pro banho e a conversa continuou no caminho do banheiro, comigo tirando a roupa pra entrar no chuveiro, porta aberta e gente passando no corredor o tempo todo.

— Fecha a porta! — choraminguei protestando, já sentindo o rosto queimar.

— Amor, tem um monte de gente na casa e todo mundo vai ver tua boceta, então relaxa — ela respondeu, sem nem se mexer pra fechar.

Eu olhei pra ela desanimada e era verdade. Era bom eu começar a relaxar logo com essa merda toda. Abri o chuveiro, coloquei a touca e mergulhei embaixo da ducha quente.

— Vem cá, esse menino… você concordou? — perguntei, voz baixa pra não chamar atenção de quem tava passando.

Ela riu, encostada no batente.

— Sim, gostoso né? Eu pensei em chamar um ex meu, mas a Patricia falou que não dá, que ia perder tempo, que o cara tem que saber se posicionar e ter um certo tamanho de pau. E esse daí já faz isso, né?

Nisso a Patricia entrou no banheiro comigo pelada, fazendo meu corpo travar na hora. Ela me olhou de cima a baixo como se me comesse com os olhos, devagar, sem disfarçar, e virou pra minha irmã.

— Filha, não dá pra conversar agora, vamos. Eu vou começar com você. Mostrar as poses e ver se você concorda, vamos lá?