Capítulo 39

Minha irmã soltou um “pera aí”, não se importando nem um pouco com as pessoas no banheiro, baixou a calcinha e fez xixi na presença de todo mundo, se limpou com papel rapidinho e deu descarga.

— Se limpa direito, sua porca, eu que vou botar minha boca aí depois — reclamei, voz saindo mais alta do que eu queria.

Patricia quase morreu de rir, mão na boca pra abafar o barulho.

— Ela já tá no clima, Juliette!

Juju saiu me mostrando o dedo do meio, cara de quem não aguenta mais minha chatice, e as duas foram pra sala rindo baixo. Finalmente fiquei sozinha no banheiro. Mergulhei no chuveiro, a água quente caiu na pele e eu fechei os olhos tentando lavar o nervosismo junto com o suor. Meu corpo ainda tava estranho depois da noite com ela, meio dolorido, meio latejando, e cada vez que eu passava sabonete entre as pernas lembrava do gosto dela na minha boca, do cheiro forte subindo, da raiva misturada com tesão. Meu Deus… eu queria esquecer aquilo tudo por cinco minutos.

Mas não deu.

Bateram na porta. Três toques leves.

— Posso entrar?

A voz do Pedro veio grossa, calma, com aquele sorrisinho que eu nem precisava ver pra saber que tava lá.

— Eu tô tomando banho — respondi, já sentindo o estômago revirar.

— Eu sei, por isso eu tô batendo na porta… — a voz dele continuou, cheia de malícia.

Ele ainda não tinha metido a cara. Pra ver dentro do box era preciso entrar um pouco mais no banheiro. Dali ele não me via.

A desgraça do meu chuveiro não tinha cortina. Quando eu falo que a gente é fodida as pessoas não acreditam. Nunca tivemos grana pra comprar um enxoval decente pra casa, ainda mais que a Juju não colaborava com porcaria nenhuma. Quando ele empurrou a porta devagar e entrou, eu já tava de costas, morrendo de vergonha, sentindo os olhos dele batendo direto na minha bunda molhada.

— Se eu ficar pelado também você fica mais à vontade? — perguntou ele, malicioso.

— Não precisa — falei rápido demais. Mas no fundo… caralho, no fundo eu queria. Pensei: tira, vai ser ótimo ver o tamanho do seu pau. Eu queria muito ter mais coragem como a minha irmã, olhar sem baixar a cabeça, pedir sem gaguejar.

— Por que você veio pra cá? Minha irmã não vai começar as fotos?

— Vai, mas a Paty começa. Elas tão conversando e não precisam de mim. A Paty é quem dirige e eu só clico.

Ainda de costas, com uma mão no peito cobrindo os peitos e a outra que não saía da área do púbis, soltei um:

— Sei. — Falei duvidando como se soubesse como seria de fato.

— Olha, se você soltar as mãos vai conseguir terminar seu banho mais rápido.

— Se você sair do banheiro também. — Respondi rápida.

— Olha! Que malcriada!

Ele se saiu rapidamente com essa e eu fiquei mais irritada que antes. Mas era estranho, eu acho que pelo contexto, eu não me sentia tão incomodada o quanto eu deveria estar sabe? E o danado era bonitinho...

Eu virei os olhos…

— Desculpa, eu tô nervosa. Isso tudo é novo pra mim.

— Não... desculpa você… — ele fez uma pausa, olhando pros lados como se tivesse medo de alguém ouvir, e continuou — é que esse tipo de coisa é comum no meu meio. Ninguém se importa de ficar pelado na frente do outro.

Eu respirei fundo. Ele ia me ver pelada o dia inteiro mesmo, e quem sabe me comer futuramente, então… que se foda. Virei de frente, precisando de toda a força do mundo pra vencer a vergonha que subia pela garganta. Achei que ele ia ficar sem graça, baixar os olhos, fingir que tava olhando pro teto. Mas não. Ele me olhou direto, sem disfarçar nem por um segundo. A cara dele era puro prazer, os olhos correndo devagar pelo meu corpo, me devorando pedaço por pedaço. O safado ainda colocou a mão no volume da calça e deu uma ajeitada bem na minha frente, sem vergonha nenhuma.

— Isso aí que você fez é comum no meio também? No meu é só falta de educação.

Eu odiava quando homem fazia aquilo em público. Me dava nojo. Mas ele ouviu, deu de ombros e pareceu não dar bola.

— Você tem um corpo muito bonito.

— Nada. Eu só sou branca e magrela. Nada demais.

Ele riu, olhando pra mim como se estivesse me medindo de cima a baixo, um sorriso malicioso esticando os lábios. Eu desliguei o chuveiro e falei, tentando soar firme:

— O que foi? Fala. Por que você tá me olhando assim?

— Eu tô com uma gata pelada no banheiro bem na minha frente. Você quer que eu olhe pra onde?

— Isso é assédio sexual aos colegas de trabalho, hein — pensei em soltar essa piada, mas ia dar muito na cara. Saí com um — Mas você tá olhando pra minha cara como se quisesse me dizer uma coisa!

Ele riu sem graça, coçando a nuca.

— É que eu realmente fiquei empolgado de fazer esse trabalho com vocês duas.

— Claro. Você e todos os homens da face da terra. Todo homem tem vontade de pegar duas mulheres ao mesmo tempo. Gêmeas então! Nem se fala, né? Espertalhão.

Ele riu de novo, me passando a toalha. Peguei e comecei a me secar, desligando o chuveiro de vez.

— Verdade. Mas por isso eu não tenho o direito de gostar de vocês?

— Se você gostou da minha irmã é porque você não ficou mais de uma hora conversando com ela.

— A sua irmã é gente boa, pô…

— Se você diz que minha irmã é gente boa, então você não é gente boa…