Capitulo 46

Até que ela gritou:

— Última troca, rapidinho! Vão as duas trocar de roupa e porta aberta dessa vez!

Deixando nós duas constrangidas pra caralho e o povo rindo na sala.

Iam ser três trocas no total. A segunda foi ali mesmo no sofá, não tinha mais motivo pra vergonha nenhuma. Essa última foi com uma pausa maior pra um xixi rápido e pra Vanessa e Pedro terem tempo de mexer no cenário. Então fomos as duas pro quarto pra mudar de ambiente um pouco e relaxar.

No quarto, já trocando de roupa, minha irmã começou a falar do nada:

— Irmã, eu vou chamar o Pedro pra sair. O que você acha?

A mensagem veio no meu ouvido como um soco. Mais cedo eu tinha sacado que ele estava de graça comigo, e se você tem uma irmã gêmea sabe: quando um cara vem em cima de você e tem outra igualzinha e se você fica de cu doce, Ele pega sua irmã como prêmio de consolação numa boa. Isso já aconteceu um monte de vezes. Os meninos vinham falar comigo, eu me fazia de difícil, e a Juju ia lá e abocanhava o garoto pra ela. Mas por outro lado eu não tinha acertado nada claramente com ele, e fui falando qualquer coisa sem pensar:

— Eu não acho bom você se envolver com alguém que provavelmente vai gravar com a gente, lembra que a Paty falou?

Quem falou isso não foi a Paty, foi o Pedro enquanto mostrava o pau pra mim mais cedo. Eu sabia disso, só estava sendo maldosa pois eu estava magoada com aquela situação.

Minha irmã parou, me olhando, achou meu comentário estranho. Mas continuou:

— E daí? Ele é muito gostoso, meu Deus. Só uns beijinhos e uma sentada não vai matar, né?

Eu tava começando a ficar puta, mas não sabia se o ciúme agora era por causa dele ou por causa dela.

— Garota, não faz merda não, tá? Você tá excitada por causa das fotos e não tá pensando direito. E outra coisa... — eu cheguei mais perto dela, tentando ser venenosa — hoje mais cedo ele tava aí onde você tá parada, com a calça arriada mostrando sabe o quê pra mim?

— O quê? — perguntou ela, já franzindo a testa.

— O pau — soltei cheia de veneno com todas as letras e muita ênfase. — E sabe aquela Vanessa lá na sala? É parceira de filme dele. Os dois transam e acho que eles têm um caso.

Eu estava possessa. Eu queria ele e não queria minha irmã com outra pessoa. Aquilo era mentira, ele só falou que tinha gravado com ela, mas não que eles tinham um caso. A moça inclusive tem namorado, aquele cara chato que mandou ela parar de fazer cam.

Minha irmã ficou parada, desanimada, olhando pra mim.

— Como você sabe disso? E como você viu o pau dele, sua sonsa?

— Ah... mais cedo ele tava falando de como é o set e colocou o pau pra fora... — eu não sabia como explicar.

E minha irmã ficou furiosa.

— Ele te assediou? Fala agora que eu vou lá e armo um barraco e acabo com essa merda toda! — ela gritou, já virando pro lado da porta, a voz alta, protetora, os olhos brilhando de raiva de verdade.

Minha irmã e eu sempre tivemos uma relação esquisita, a gente podia se xingar, se bater... bem, no caso só ela me batia. Mas, ninguém de fora poderia ousar colocar a mão na outra. Teve uma vez, que minha tia deu um tapa na minha mão por que eu passei o dedo na cobertura do bolo que ela tinha acabado de fazer, e minha irmã quando viu, puxou a toalha da mesa jogando tudo que estava em cima no chão e começou a tacar o que tinha na mão em cima da minha tia, e a gente só tinha sei lá: oito ou nove anos de idade.

— Não! Fala baixo, caralho... — eu quase implorei, segurando o braço dela com força.

— Então conta essa história direito, sua esquisita.

E eu contei. Mas é foda explicar isso, né? Quando você conta como aconteceu e não explica o contexto direito, a coisa fica meio estranha. Eu dei a entender que eu estava dando mole, que era verdade. E como eu sou péssima mentindo, acabei contando com mais detalhes a história dele que não era bem assim. Falei do pau dele meio mole sendo punhetado, da cara de safado, de como ele mostrou sem eu pedir... tudo misturado. Juju ouviu tudo calada, sentou na cama pensativa, olhando pro chão.

— Você quer ele, né? — ela perguntou de repente, direto no ponto.

— Queria... — eu sentei do lado dela, desanimada, ombro encostando no dela.

Um silêncio longo se fez no quarto. O ventilador zumbia, o plug ainda apertando gostoso lá dentro toda vez que eu mexia. E aí veio a voz da sensatez, saindo dela:

— É isso que é um problema, porque ele não é um cara normal que nem os outros. Nós duas vamos gravar com ele, você sabe né?

Eu ouvi pensativa e ri baixinho, sem graça.

— Bora dividir?

— Não seria tão mais estranho do que já é... — respondeu ela, caindo na gargalhada comigo.

A gente ficou ali meio rindo, meio triste, mas no fundo as duas sabiam que era só um cara e não era o fim do mundo. A gente falou aquilo, mas não decidiu nada. Era só uma conversa idiota, porque no final das contas o cara poderia não querer nada com nós duas em nome do profissionalismo. Homem só quer transar, e transar ele já ia mesmo. A gente que tava ali que nem duas idiotas, fantasiando divisão de pau como se fosse brinquedo.

Mas isso iria ficar pra depois, porque Patricia já estava gritando do lado de fora da sala novamente:

— Ei, suas duas! Vocês vão ficar aí o dia todo ou vão voltar pra sessão? O tempo é dinheiro, caralho!

A gente se olhou, ainda rindo nervoso, e levantou da cama ao mesmo tempo. O plug balançou dentro de mim quando eu dei o primeiro passo, mandando um choque gostoso direto pro clitóris. Juju fez a mesma cara que eu, mordendo o lábio.

— Vamos logo antes que ela venha nos arrastar — eu disse, abrindo a porta.

Mas ela parou no meio do caminho e me olhou muito sacana e falou:

— Foda-se, quer saber? Eu divido, eu prefiro dividir na verdade... — o olhar dela era mais pura malícia e safadeza.

E voltamos pra sala, as pernas ainda tremendo um pouco, o plug apertando gostoso a cada movimento, e uma ideia suja brotando na cabecinha safada de nós duas.