Capítulo 55
Eu me sentia cega. Tentava olhar ao redor, mas tudo estava completamente enevoado, como se eu estivesse dentro de uma névoa grossa. Não conseguia respirar direito, meu corpo tremia gelado e o ar não vinha pros pulmões...
— Esquisita, você tá bem? — a voz da minha irmã parecia vir de longe, abafada. — Justine, me responde, caralho!
Eu tentei um sorriso, olhei na direção dela sem conseguir ver direito o rosto...
— Eita... — foi tudo que saiu da minha boca.
Eu nunca tinha tentado algo assim. Não sei se foi a situação ou como a coisa foi crescendo, mas meu corpo quase literalmente deu pane. Ainda sentia tudo vibrando dentro de mim, meu cu coitado ardia de dar dó, latejando quente, mas lá no fundo parecia que tinha algo estranho molhando, me dando uma dorzinha de barriga incômoda.
— Você gozou, Pedro? — perguntei meio zonza, a voz saindo rouca e fraca.
— Sim, gozei... mas eu não sei se fico orgulhoso de ter te deixado desse jeito ou preocupado. Tá tudo bem mesmo, né?
— Ah, ela é molenga, sempre foi assim — Juju soltou.
Puxei forças de dentro de mim, agora cada vez mais restabelecida, e falei:
— Cala a boca, garota! — taquei uma calcinha que estava perto do meu rosto e me levantei, as pernas ainda bambas, procurando o caminho do banheiro. — Vou tomar um banho.
Tropecei duas vezes antes de chegar na porta. O cu latejava a cada passo, uma sensação estranha de vazio e ardor misturada, como se meu corpo ainda não tivesse entendido que o pau grosso do Pedro não tava mais lá dentro. Fechei a porta do banheiro atrás de mim, me certificando que tranquei, eu precisava de alguma privacidade. Me sentei no vaso e me bateu aquela vergonha, eu estava expulsando todo o esperma que ele tinha derramado dentro, em meio a sons vergonhosos e a dor. Quando eu passei a mão em volta onde ardia, eu tomei um susto, estava completamente aberto.
Eu quis chorar.
Fiquei ali sentada no vaso me decidindo como eu ia lidar com aquela situação. A minha vida tinha virado e pernas para o ar. Em pouco tempo eu tinha feito coisas que jamais faria, eu me sentia suja, mas ao mesmo tempo livre. Era como se a minha moral ficasse me dizendo que era errado mas meu corpo dizendo o contrário. Meu desejo era de tomar um banho e voltar para a sala e pedir pro Pedro fazer outra peripécia com a gente...
A gente...
Eu não queria que tivesse um a gente, isso era outra coisa, eu lembrei que os dois estariam na sala agora, provavelmente transando e eu senti um ciumes duplo, de um lado pela minha irmã, e por outro o Pedro. Eu queria ele, um cara bonitinho, mas eu sabia que não iria rolar. Ele tem a profissão dele que envolve transar com mulheres e eu não ia tolerar isso, e tem a minha irmã, se a gente fosse fazer esses filmes, ele ia comer ela. E a gente ia ser o que? O trisal mais amaldiçoado pela igreja?
As vezes eu acho que tudo ficava pior a cada dia.
Eu dei umas piscadas no cu, e sentia ele voltando ao normal para meu alivio, e a dor antes aguda agora ficando mais leve, apenas uma queimação.
Levantei devagar do vaso, as pernas ainda tremendo um pouco, e abri o chuveiro. A água quente bateu nas minhas costas e desceu, queimando de leve onde eu tava mais sensível. Fiquei um tempo parada, cabeça baixa, deixando a água levar um pouco daquela bagunça toda que tava dentro de mim. Passei a mão entre as pernas de novo, sentindo o quanto ainda tava inchada, molhada, latejando. Não era só da água, tinha tanta coisa escorrendo ali, de tanta gente...
Meu Deus... como é que eu ia olhar pra cara dos dois agora? Voltar naquela sala ia ser um inferno pra mim depois que a poeira já tinha baixado um pouco. Se bem que eles devem ter continuado os dois sem mim. Esse pensamento me deixou meio enciumada, mas eu não tinha direito algum de exigir nada, e nem tinha como. A situação toda era muito surreal pra minha cabeça e eu não sabia direito como lidar com aquilo tudo.
Fechei os olhos com força debaixo da água, tentando afastar qualquer pensamento e só tentei terminar a minha ducha em paz comigo mesma, por mais difícil que isso fosse. Fechei a torneira, tirei o excesso de água e olhei meu corpo por um instante. De alguma forma eu sentia ele marcado, como se os chupões e tapas tivessem deixado marcas, mas não tinha. Elas estavam muito mais fundas na minha pele e eu não sabia como ia tratar elas.
Sequei calmamente meu cabelo com a toalha, curiosa por não ouvir nada lá fora além de risos dos dois, e me enrolei pra sair do banheiro. Eu poderia sair nua a essa altura, depois de tudo que tinha acontecido, mas eu não tinha coragem pra isso. Coloquei a mão na tranca do banheiro e fiquei ali tomando coragem pra girar. Eu tinha medo. Medo de abrir e minha irmã estar cavalgando o cara que eu queria namorar. Faz sentido isso? Isso aconteceria de qualquer forma, mas eu também sentia um pouco de ciúmes dele estar com ela e isso fazia menos sentido ainda.
— Ok, você vai abrir a porta, ver eles transando, vai rir e fazer uma piadinha, e se eles te chamarem de novo você não vai, que por hoje já chega! — falei pra mim mesma baixinho.
E abri a porta.
A sala tava exatamente como eu imaginava, mas ainda assim meu estômago deu um nó. Pedro sentado no sofá, pernas bem abertas, aquele pau grosso mas morto pendendo para o lado em uma perna. Juju sentada de joelhos dobrados ao seu lado. Os dois gargalhavam sem se darem contas que estavam nus.
