Capítulo 2
Depois das aulas, cheguei em casa com meu irmão. A gente veio junto no ônibus, como sempre, ele falando de alguma coisa da escola e eu só respondendo com monossílabos. Eu tava com o corpo quente, nervoso, uma agonia esquisita que eu não sabia nomear direito. Era como um prazer de estar fazendo algo errado, só que eu ainda nem tinha feito nada. Meu coração batia acelerado, as mãos suadas dentro dos bolsos do moletom.
Fui pra cozinha preparar o almoço pra gente — macarrão com molho pronto, nada demais. Eu queria terminar logo aquela tarefa, trancar a porta do quarto e ficar sozinha de uma vez. Mas, ao mesmo tempo, enrolava o máximo que podia. Mexia devagar na panela, cortava as coisas em pedacinhos quase atômicos, limpava a pia que já estava limpa. Qualquer coisa pra atrasar.
Meu irmão estava sentado na mesa da cozinha, mexendo no celular e falando comigo sobre alguma bobagem do dia. Eu respondia sem deixar transparecer que eu estava tendo uns pensamentos impróprios sobre ele. Ele ficava horas trancado no quarto ou no banheiro, todo mundo sabe que menino faz quando está trancado tanto tempo. Que eles se tocam muito mais, sem culpa nenhuma. Se eu tivesse uma irmã, talvez eu tivesse coragem de perguntar essas coisas pra ela — como é, se dói, se é bom mesmo, se dá pra parar depois. Mas ele era homem. Meu irmão. Só de imaginar puxar um assunto assim com ele, eu morria de vergonha. Minha cara queimava. Seria esquisito demais. Impossível.
A gente comeu juntos, em silêncio na maior parte do tempo. Ele terminou rápido, foi pro quarto jogar videogame. Eu lavei a louça devagar, enxuguei tudo, guardei. Subi pro meu quarto finalmente, tranquei a porta. Tomei banho.
Eu lembro que pensei no chuveirinho. Tinha visto em algum vídeo que dava pra usar a pressão da água. Mas de pé no box, eu achava que podia cair, as pernas molearem e eu bater a cabeça ou algo assim. O que eu sabia de orgasmo era só aquelas expressões exageradas das atrizes pornô, gritando como se o mundo fosse acabar. No chuveirinho do vaso parecia porco demais, ficar exposta ali sentada em meio à tantas bactérias.
Teria que ser na mão mesmo. Simples.
Antes de ir para a minha cama, eu me olhei no espelho do banheiro, ainda pelada depois do banho. Como eu era peluda. Nunca tinha feito depilação na vida, nem sabia como. Conforme os pelos cresciam, eu só aparava com a tesoura pra não escaparem do maiô na aula de natação. Minha mãe vivia dizendo que eu tinha que abaixar tudo direitinho, pra não fazer volume na roupa e acabar atraindo olhares de homens. “Homem é bicho, Nicole. Qualquer coisa eles notam.” Eu seguia os conselhos dela à risca. Aparava com a tesoura, com cuidado, pra não aparecer nada. Para não ser notada.
E aí… eu deitei na cama, ainda molhada do banho, e fiz o que eu tinha prometido pra mim mesma que não faria. Mas fiz.
Eu me recostei na cama, quase sentada, com umas almofadas nas costas pra não escorregar. Abri as pernas devagar, dobrei os joelhos e apoiei aquele espelho — o redondinho que eu usava pra espremer espinha — bem entre os pés. Eu queria me ver de verdade. Acho que antes daquela tarde eu nunca tinha olhado direito pra mim mesma ali embaixo. Não com calma, não com a luz do dia entrando pela janela.
Eu era bem peluda ainda, mesmo aparada. Os pelos escuros cobriam tudo, mas não escondiam os detalhes. Meu clitóris, sem estar excitada, parecia só um saquinho murcho de pele, encolhido, escondido. Eu sabia, que o meu inchava, crescia, ficava durinho e sensível. Meus pequenos lábios eram compridos, pendiam um pouco, e tinha bastante pele solta ali. Mesmo sendo magra, sem curva nenhuma no corpo, meus grandes lábios eram protuberantes. Inchadinhos, sabe? Me obrigavam a ficar o tempo todo de olho pra não marcar na calça jeans ou no short da escola. Qualquer roupa mais colada traía o volume, e eu odiava isso.
Tentei abrir mais com os dedos, com cuidado, pra ver melhor o hímen. Tinha umas membranas fininhas ali, umas peles delicadas, mas era difícil entender o que era o quê. Pra mim parecia rompido em alguns lugares, umas fendinhas, uns rasgos irregulares. Eu tinha lido na internet que hímen não prova nada, que pode ser elástico, romper com tampão, com bicicleta, com qualquer coisa, e que virginidade não é só uma membranazinha boba. Mas minha mãe não ia querer saber de ciência. Ela vivia ameaçando: “Qualquer dia eu faço uma inspeção, Nicole. Abro suas pernas e olho. Se eu vir que você andou aprontando, você vai ver só.” Ela falava isso com uma cara séria, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Me dava um medo que gelava a barriga.
Eu fiquei ali um tempo, só olhando pro espelho entre os pés. O quarto quietinho, o ventilador zumbindo no teto, meu coração batendo forte, as mãos meio tremendo. A culpa tava ali do lado, sussurrando que eu era suja, que isso era pecado mortal, que Deus tava vendo. Mas a curiosidade… e aquela quentura que já subia devagar entre as pernas… falavam mais alto. Eu não queria parar de olhar pra mim mesma. Ainda não.
Respirei fundo, devagar, e quase sem querer comecei a mexer. Passei o dedo de leve por cima, só explorando, como se aquela parte do meu corpo fosse nova, estranha e minha ao mesmo tempo.
No começo era só um calorzinho suave, igual àqueles que eu sentia sem querer quando esfregava em algum canto como na cadeira da escola, na barra da bicicleta, ou de bruços na cama estudando. Mas agora, de propósito, ficava mais intenso. Mais focado. O calor nascia bem no meio e se espalhava preguiçoso, subindo pela barriga, descendo pelas coxas, deixando tudo pesado e leve ao mesmo tempo.
Lembrei da voz daquela influenciadora no vídeo: “Vai devagar, acha o pontinho, circula sem pressa.” Fiz exatamente isso. Passei o dedo médio bem leve no clitóris, que já tinha começado a inchar, saindo daquele jeitinho encolhido. Tava quente, quase seco no começo. Cuspi nos dedos e achei esquisito, mas era o que tinha, e continuei.
Agora deslizava melhor. Circulava devagar, sentindo ele endurecer, pulsar de leve a cada volta. Cada movimento trazia uma onda quietinha de prazer que soltava o corpo inteiro, como se eu estivesse suspirando um suspiro que prendia há anos. A tensão da escola, as brigas dos meus pais na cabeça, aquele vazio constante… tudo ia derretendo. Pela primeira vez em muito tempo, eu sentia paz. Uma paz morna, preguiçosa, que nascia ali embaixo e subia devagar até o peito, até a mente.
As pernas amoleceram, os joelhos caíram pro lado sozinhos. A respiração ficou funda, lenta. Fechei os olhos um segundo, depois abri pra ver no espelho: tudo rosado, inchado, brilhando. O dedo seguia no mesmo ritmo calmo, às vezes apertando de leve. Quando acertava o lugar certo, vinha uma fisgadinha gostosa que arrepiava o corpo todo, mas de um jeito tranquilo, como onda na praia que vem e vai.
Eu não queria que acabasse nunca. Naquele momento, sozinha no quarto, eu me sentia livre de um jeito que nunca tinha sentido antes. Sem problema nenhum, sem peso no peito, como se o mundo lá fora — a escola, os pais, a igreja, tudo — tivesse simplesmente desaparecido. Só existia eu, a cama, o calor subindo devagar.
Eu me experimentava, ficando mais ousada aos pouquinhos. Corria a mão pelo corpo inteiro, devagar, como se estivesse descobrindo que ele era meu de verdade. Passei pelos seios pequenos, apertei de leve os bicos, que endureceram na hora e mandaram um arrepio direto pra baixo. Depois subi a mão pro rosto, acariciei minha bochecha, o pescoço, e levei os dedos à boca — provei meu próprio gosto, salgado, meio doce, e isso deixou meus lábios sensíveis, formigando quando eu passava a língua neles.
Fechei as coxas devagar, apertando o calor entre elas, e foi tão gostoso aquele atrito quente, úmido, que eu soltei um suspiro baixo. Aí comecei a rolar na cama, me esfregando em mim mesma — coxa contra coxa, barriga contra o lençol, o clitóris roçando na própria pele. Era como se o corpo inteiro tivesse virado uma coisa só, quente e mole, procurando mais daquele prazer calmo que não parava de crescer.
Eu me contorcia devagar, sem pressa, sentindo cada pedacinho responder. Os quadris subiam sozinhos, as mãos voltavam pra baixo de vez em quando, mas agora eu deixava o corpo fazer o que queria. Era paz misturada com uma urgência quieta, como se eu estivesse me abraçando por dentro. E, pela primeira vez, eu não tinha vergonha de mim mesma. Só queria mais.
E o orgasmo, eu conto no próximo.

