Capítulo 7
Eu sempre achei interessante quando um homem imaturo goza cedo, a reação dele na busca desesperada de explicar o motivo do fracasso que ele acha que teve. Como ele, eu vi muitos outros naquela mesma situação depois. Da minha parte, eu ficava feliz de ter feito uma pessoa gozar, me sentia desejada por isso, mesmo naquela época, eu já era mulher o suficiente pra entender a biologia dos corpos e saber que bastava esperar um pouco que tesão voltaria.
Ele ficou sem graça, cara vermelha, olhos fugindo dos meus, e começou a falar de forma incessante, enrolando palavras nervosas. Lembrou de compromissos inventados na hora, que o pai estava pra chegar, que a mãe queria ver ele de cara nos livros pro vestibular quando chegasse em casa, qualquer coisa pra justificar a saída rápida.
Enquanto ele se arrumava, eu fiquei ali sentada na cama, pernas cruzadas no lençol bagunçado, escorrendo tudo que estava dentro pro colchão. E confesso que sentir aquilo foi algo interessante, a dinâmica dos fluidos quentes escorrendo devagar pela minha vagina, algo primitivo, sexual, que me deixava ainda mais acesa por dentro, como se o corpo lembrasse sozinho que queria mais.
— Foi muito bom, eu adorei — ele gaguejava nervoso, sem graça, vestindo a camisa de qualquer jeito e andando pra porta, sinalizando que ia embora mesmo.
— Quando a gente pode fazer de novo?
Ele me olhou espantado, parando no meio do passo, talvez achando que eu nunca ia querer ver ele novamente depois do fracasso dele.
— Não sei… Por mim quando você quiser.
— Pode ser hoje mais tarde, quando você estiver livre?
Por mim ele nem saía dali. Eu queria mais daquilo logo, queria continuar, queria que ele voltasse e terminasse o trabalho incompleto, que preenchesse de novo aquela paz quente que tinha começado tão bem e parado no meio. O corpo ainda pulsava baixinho, molhado, ansioso, como se nada tivesse acabado.
Eu levei ele até a porta de saída, andando devagar pelo corredor, o corpo ainda quente e mole por dentro. Ele se inclinou pra um beijo rápido de despedida, boca na minha, língua tentando entrar de novo, mas aquilo me constrangeu muito, um aperto no peito esquisito, como se fosse algo que não combinava com o que tinha acontecido. Meu irmão na sala, fingindo jogar videogame, olhos fixos na TV, mas eu sabia que ele estava com a atenção em nós.
Quando a porta se fechou com um clique baixo, eu já pensando em voltar pro quarto e finalizar o trabalho sozinha, tocar até gozar de verdade, meu irmão resolveu se pronunciar.
— Tá namorando, hein?
Era mais uma afirmação que uma pergunta, voz cheia de deboche sarcástico, como se ele soubesse tudo e eu fosse boba. Na hora o sangue subiu pro rosto, uma vergonha terrível que queimava as orelhas, o peito apertando, as mãos suando frio. Eu queria sumir, evaporar dali.
— Cala a boca, garoto!
Falei baixo, voz tremendo um pouco, tentando soar brava, mas saindo fraca. Meu irmão pausou o game, virou pra mim com aquela cara odiosa, tentando conter uma gargalhada que balançava os ombros.
— Olha, deu pra ouvir tudo daqui!
O constrangimento bateu mais forte, o rosto pegando fogo, as pernas moles como se fossem ceder. Eu queria só desaparecer, entrar no chão, qualquer coisa pra não encarar aquilo. E perguntei sem querer perguntar, pra confirmar o que eu já sabia, como se aquilo fosse mudar algo.
— Você ouviu tudo?
— Tudinho — ele respondeu, cara de quem sabia demais, sorriso malicioso. — As paredes são finas demais.
Eu saí correndo pro quarto, pés batendo no chão, coração disparado de vergonha, sem olhar pra trás. Não fazia ideia do que ele tinha ouvido exatamente — os gemidos baixos do Fabiano? O som das coxas batendo? Meu silêncio todo? Mas eu era grandinha, e meu irmão era adolescente, ele sabia o que era sexo, claro. Mas era meu irmão, né? Que coisa horrível, constrangedora, o pensamento rodando na cabeça como um peso.
Cheguei no quarto, bati a porta sem trancar direito, tirei a calcinha antes mesmo de deitar, deixando cair no chão. Me joguei na cama de costas, pernas abertas, o corpo ainda pulsando por dentro, quente, inacabado. A vergonha misturava com o desejo que não tinha ido embora, a mão já descendo devagar entre as pernas, tocando o molhado, pronto pra finalizar o que o Fabiano tinha começado.
No meu primeiro toque, tudo se acendeu de novo na memória. Eu lembrava do calor da pele dele se esfregando na minha, do peso do corpo dele em cima, na mão forte me apertando contra ele, fazendo eu me sentir pequena, protegida de um jeito torto, como se eu fosse só um objeto pra ele usar e isso, por algum motivo, me deixasse calma, preenchida. Nas vezes que eu tentava me mover um pouco, só por instinto, e ele me retia presa ali, mão no quadril ou nas costas, me segurando no lugar, sem deixar eu participar muito. Do pau dele entrando duro, forte, batendo fundo em lugares que eu nem sabia que existiam, acendendo tudo por dentro, ondas que subiam pela barriga, pelos seios, pelas pernas, me deixando ligada demais, viva, sem vazio nenhum por aqueles segundos.
De repente minha mente se distraiu e eu imaginei meu irmão atrás da porta ouvindo tudo aquilo. Imediatamente me lembrei de alguns eventos estranhos na casa: calcinhas minhas mudando de posição no varal sem ninguém mexer, ou sumindo por uns dias e aparecendo de volta lavadas. E os olhares que meu irmão me dava quando eu andava de calcinha e sutiã pelo apartamento, quando estava me arrumando para sair. Ele sempre apontava pros meus pentelhos que apareciam um pouco embaixo da calcinha, ria e me chamava de suja ou pentelhuda. Eu ficava quieta, sem graça, mas guardava aquilo para mim.
Meu psicólogo dizia que isso não significava nada ruim, era só um menino adolescente entendendo a diferença dos corpos, curioso com a dinâmica feminina, explorando o que via em casa porque não tinha outro lugar. Não necessariamente tesão em mim propriamente, só confusão normal da idade. Eu acreditava nele, ou tentava acreditar. Mas ali, tocando em mim com a memória fresca do Fabiano, o pensamento veio mesmo assim, misturando vergonha com uma inquietação esquisita que eu não queria nomear. A mão parou um segundo entre as pernas, o corpo ainda quente, mas a cabeça rodando. Eu respirei fundo, fechei os olhos, e voltei a tocar devagar, empurrando o pensamento pra longe. O prazer voltou, quieto, preenchendo de novo. Era o que importava. O resto eu deixava pra depois, ou pra nunca.
Mas se ele estiver me ouvindo agora de novo atrás da porta? A ideia veio rápida, como um sussurro, enquanto minha mão já deslizava entre as pernas, dedos encontrando o clitóris inchado, molhado do que sobrou do Fabiano e do meu corpo respondendo sozinho. Será que eu vou ficar paranóica com isso? Honestamente, eu não me importava muito dele ouvir — o som baixinho dos dedos circulando devagar, escorregadios, a respiração ficando mais funda, o lençol se mexendo um pouco com as coxas abrindo mais sem eu mandar. Mas era meu irmão, né? Adolescente, curioso demais, e eu não sabia se isso seria bom pra cabeça dele, se ia bagunçar algo que não devia.
O pensamento passou, mas não parou a mão. Apertei mais o clitóris entre o polegar e o indicador, circulando firme, devagar no começo, sentindo ele pulsar quente, sensível depois de tudo. Era bom. Muito bom. O calor subia quieto da barriga pros seios pequenos que formigavam, pros pés que se contraíam no colchão. Enfiei o dedo médio dentro devagar, sentindo o resto quente escorrendo, depois dois dedos, abrindo um pouco, batendo fundo no ponto que acendia tudo por dentro. Me mexi pouco, só o suficiente pra sentir o atrito molhado, imaginando um pau qualquer me usando de novo, forte, sem eu precisar fazer esforço nenhum.
A mão acelerou aos pouquinhos, dedos entrando e saindo mais rápido agora, o polegar rodando no clitóris com pressão certa, escorregadio, latejando. O prazer crescia profundo, preenchendo o vazio que tinha voltado depois que ele saiu, ondas subindo pelas costas, arrepiando a pele toda, me deixando mole, calma. Eu não gemia alto, só respirava pelo nariz mais forte, olhos fechados, o corpo inteiro relaxando naquela paz que só isso dava, sem pensar no irmão, na porta, em nada além do calor crescendo, crescendo.
Veio rápido, intenso. O ventre apertou forte, as coxas tremendo, o corpo travando um segundo antes de pulsar tudo por dentro, ondas fortes que me deixaram tonta, gozando quieta, dedos apertados lá no fundo sentindo cada contração, o clitóris latejando sob o polegar. Fiquei ali parada depois, mão ainda encostada, molhada, sentindo os últimos tremores, o corpo leve, satisfeito de verdade pela primeira vez naquele dia.
Se ele ouviu, ouviu. Eu não ia parar por causa disso. O desejo acalmava um pouco, mas eu já sabia que voltava logo.
Sempre voltava.

