Capítulo 9

Nessa época, foi quando eu comecei a tomar os remédios, de forma nenhuma eles me faziam bem. Eu me sentia apática com as coisas, como se nenhuma emoção ou prazer me afetasse de verdade, um nevoeiro constante na cabeça que apagava tudo. O sexo entrou nessa história acho que por causa disso — os picos de prazer pareciam vencer a barreira anestésica que a medicação causava, furando o vazio, me deixando sentir algo forte, real, mesmo que por pouco tempo. Depois eu vou falar mais sobre isso, sobre como os remédios viraram inimigos e o desejo virou o único remédio que funcionava.

Desci com meu irmão pelo elevador, rindo baixo do plano dele, um riso tímido que saía sem eu forçar muito. Eu achava bonitinho ele mentir pro papai só pra eu ver o menino, me cobrindo daquela forma, como se fosse o irmão mais velho me protegendo. Eu ainda estava dolorida de hoje mais cedo, uma ardência leve entre as pernas que lembrava do pau dele entrando fundo, rápido, me preenchendo de um jeito que eu queria de novo logo. Mas estava pronta pra mais uma rodada se rolasse, o corpo já quente por dentro, pulsando baixinho, mesmo que eu não estivesse animada pra ver o Fabiano de novo. Estranho, né? O desejo era por aquilo, pelo alívio, não pela pessoa. Eu estava seguindo meu irmão mais pelo esforço dele, afinal ele me ajudando, eu ajudaria ele depois. Ele é um tratante, daqueles que sorriem enquanto planejam bagunça.

— Então, é isso? Temos um relacionamento aberto? — perguntei enquanto apertava o botão do térreo, voz baixa, quase sussurrando, o elevador descendo devagar.

Meu próprio namorado me empurrando pra outros homens, onde já se viu. Claro que eu brincava, e ele parecia adorar a brincadeira, rindo alto, bagunçando meu cabelo preso no rabo de cavalo frouxo.

— Manda mensagem pra ele logo e manda ele ir te encontrar.

Mas nem precisou. Tão logo chegamos na recepção e o vento da noite bateu no rosto da gente, fresco e úmido, arrepiando minha pele clara debaixo da camiseta fina, todo mundo do condomínio estava ali no pátio, um grupo maior agora, risadas ecoando na piscina vazia. Quando nos viram, parecia que tinha algo muito estranho na gente — eles se entreolhavam, riam abafado, como se soubessem de um segredo que eu não tinha contado. Fabiano estava com a mesma menina dependurada nele, braço no ombro dela, mas quando me viu, riu sem graça, tentando disfarçar, soltando ela devagar e vindo na nossa direção com passos hesitantes.

Eu fiquei parada, quieta, olhando pra ele sem expressão, o desejo subindo devagar na barriga, quente, mesmo com o vento frio. Meu irmão do lado, fingindo casual, mas eu sabia que ele observava tudo, pronto pra cobrir se precisasse.

— E aí gata? Tudo bem? — ele me deu um beijo curto nos lábios, que eu respondi como se ele fosse meu namorado, boca aberta, deixando a língua dele entrar sem eu saber direito o que fazer com a minha. O cheiro dele ainda o mesmo, suor da noite misturado com perfume barato, e o braço tatuado apertando minha cintura de leve.

Ele apontou pra menina dependurada nele mais cedo, ainda no grupo, rindo de alguma coisa.

— Olha aquela ali é minha amiga, nada a ver tá?

Eu poderia dizer a ele que eu não me importava nem um pouco, e era verdade — ciúme era algo que eu não conseguia sentir, como se meu cérebro não tivesse espaço pra isso no meio da fome constante que rodava na barriga. Mas dizer em voz alta seria grossa, e eu sempre evitei isso. Eu sei que ele esperava algum ciúme de mim, uma reação de namorada normal, mas isso era algo que eu não conseguia fingir.

— Não, tudo bem, relaxa… — falei meio rindo sem graça, um som baixo que saiu sozinho, sem saber como agir direito.

Eu sempre fui uma porcaria pra lidar com pessoas, sempre fui envergonhada, e confrontos geralmente não eram a minha praia pois sempre acabavam mal pra mim — eu congelava, gaguejava, ou simplesmente sumia. Melhor ficar quieta, deixar rolar, como sempre.

— Vamos dar um rolê!

Ele me puxou pelo braço e foi me guiando condomínio afora, mão firme no meu pulso, passos rápidos como se soubesse exatamente pra onde queria ir. A intenção dele era clara: conforme andávamos, o condomínio ficava mais deserto e escuro, longe das luzes da piscina e do grupo rindo ao fundo. Paramos no fim do último bloco, onde as quadras de tênis estavam em reformas, cercadas por tapumes velhos e cheiro de poeira. Ninguém parecia ir ali à noite, o lugar vazio, só o som distante de um carro passando na rua lá fora.

Ele encontrou um canto longe de qualquer olhar, entre o muro e um poste quebrado, e me prensou contra a parede sem pedir, corpo inteiro contra o meu, mão subindo pela camiseta, boca de novo no pescoço. Eu não deveria ter gostado daquilo — era brusco, sem conversa, no escuro de um lugar abandonado —, mas eu gostei. Gostei muito. O peso dele me esmagando de leve, o cheiro forte de suor e perfume misturados, a mão apertando sem cuidado, tudo aquilo fazia o calor subir rápido entre as pernas, molhado já, o corpo respondendo sozinho.

Sua boca me tomou pelo pescoço, depois a língua veio forte na minha boca, quente, invadindo tudo. Minha buceta deu sinal na hora, um calor forte subindo rápido, molhado escorrendo já pela calcinha. A mão dele, enquanto a língua circulava a minha, apertava minha bunda com força, me puxando contra ele. Eu sentia o volume endurecendo, pressionando meu ventre por cima do short largo, latejando contra mim. Aquele beijo começava a tirar meu ar, a excitação de estar me pegando com alguém ali, sob o céu aberto, mesmo que levemente encoberta pela noite, era bom demais.

Eu agarrei o short dele, puxei pra baixo deixando o pau saltar pra fora, duro, quente, veias pulsando na pele. Agarrei com a outra mão, sorrindo de leve, sem graça, mas sentindo uma coisa boa no peito. Ele riu de volta, com uma carinha bonita, e soltou baixo entre os dentes:

— Garota, você é muito safada, sabia?

— Sou? — respondi surpresa, voz baixa.

Eu entendi aquilo como um elogio. Gostei. Me senti boa em alguma coisa pela primeira vez em muito tempo. Alguém me vendo, me chamando de safada como se fosse algo positivo, como se eu tivesse valor nisso. Agora eu queria ser mais safada ainda, pra provar que merecia o elogio, que eu podia ser boa nisso.

Olhei brevemente pros lados, procurando movimento, certificando que ninguém nos veria. O condomínio estava quieto ali atrás, só o som distante da piscina e do vento.

— Vigia aí…

E me abaixei.

Me ajoelhei devagar no chão frio e sujo, o concreto áspero roçando meus joelhos. O pau dele ficou na altura do meu rosto, quente, cheirando forte a suor da noite misturado com perfume e algo mais cru, masculino. Eu segurei na base com uma mão, sentindo as veias pulsarem debaixo da pele macia, e aproximei a boca devagar. Primeiro só lambi a cabeça, língua saindo pra provar o gosto salgado, um pouco amargo, o pré-gozo escorrendo na ponta. Era estranho, novo, mas bom. Meu corpo respondeu na hora, um pulsar quente entre as pernas, molhado..

Abri a boca e coloquei a cabeça dentro, chupando suave, língua rodando em volta devagar. Ele gemeu baixo, mão indo pro meu cabelo, segurando o rabo de cavalo frouxo sem puxar forte, só guiando um pouco. Eu deixei. Não sabia direito o ritmo, então ia devagar, chupando mais fundo aos poucos, sentindo o pau encher minha boca, a pele se movendo quando eu subia e descia. Às vezes os dentes roçavam de leve, e ele soltava um “devagar” baixinho, mas eu ajustava e continuava. Lambi da base até a ponta, devagar, sentindo cada centímetro, depois voltei pras bolas, lisas, cheirando mais forte ali, lambendo com a língua plana.

Eu não olhava pra cima. Mantinha os olhos semicerrados, focada na sensação: o calor na boca, o peso na língua, o gosto salgado enchendo tudo, o pau pulsando contra o céu da boca. Era bom. Não porque eu quisesse agradar ele de verdade, mas porque aquilo me fazia sentir desejada, útil, viva. Cada gemido baixo dele era como um elogio a mais, preenchendo o buraco que sempre ficava vazio. Minha mão livre apertava a coxa dele, só pra me apoiar, enquanto a outra segurava a base, masturbando devagar no mesmo ritmo da boca.

O pau ficava mais molhado com minha saliva, escorregadio, entrando e saindo mais fácil. Eu acelerava um pouco quando sentia ele tremer, chupando mais forte, língua pressionando embaixo da cabeça. Ele respirava pesado, mão apertando meu cabelo, quadris se movendo de leve, empurrando mais fundo na minha boca. Eu não engasgava, não recuava. Deixava acontecer, quieta, passiva, só sentindo o calor subir pelo meu corpo inteiro, o clitóris latejando sem eu tocar, e minha calcinha ficando quente.

Era paz. Uma paz quente, suja, que apagava o nevoeiro dos remédios, o vazio da casa, a culpa da mãe. Só existia aquilo: a boca cheia, o pau pulsando, o elogio ecoando na cabeça, e a sensação de que, pelo menos por alguns minutos, eu valia alguma coisa.