Capítulo 10

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é chupar. Qualquer coisa. Posso ficar horas fazendo isso enquanto minha boca aguentar o cansaço e a dormência, sentindo o calor, o peso, o gosto mudando devagar na língua. Nessa época eu não era boa como sou hoje — hoje eu faço um homem ou uma mulher gozar em segundos, sei exatamente onde apertar, onde lamber, onde parar —, mas eu tinha o instinto. Algo dentro de mim já sabia como fazer aquilo ser bom pra quem recebia. E eu sei que você ficou curiosa sobre mulheres, mas a gente chega nessa parte já já.

O rapaz ali era só gemidos baixos, roucos, as coxas tremendo de leve enquanto eu mantinha o ritmo devagar, boca cheia, língua pressionando embaixo da cabeça toda vez que subia. Ele se retesava inteiro, segurando pra não gozar rápido, músculos das pernas contraídos, respiração curta e pesada. De repente, ele segurou meu rosto com as duas mãos, dedos firmes nas bochechas, me obrigando a olhar pra cima. Nossos olhos se encontraram no escuro, meu olhar pesado como sempre, o dele vidrado, quase desesperado.

— Deixa eu gozar na sua boquinha, bebe meu leitinho?

O jeito que ele falou me fez querer rir. Sério, diminutivo, “leitinho”, como se eu fosse criança e aquilo fosse um docinho. Eu nunca imaginei que alguém falasse assim na vida real, só em pornô ruim de internet antiga. Ri de volta, um riso baixo, abafado com o pau ainda na boca, e assenti com a cabeça. Eu achava que todas as mulheres bebiam o esperma dos caras, que era parte do pacote, e eu estava curiosa pra caramba pra sentir como era de verdade. Soltei um “uhum” molhado, sem tirar ele da boca, vibrando o som direto na cabeça.

Aí eu acelerei. Uma mão na base, punhetando firme e ritmada, a outra indo pro saco, apertando de leve, massageando as bolas que eu gostava tanto de tocar — quentes, macias, cheias, pulsando debaixo dos dedos. Ele gemeu mais alto, um som gutural que ecoou baixo no muro atrás de mim, quadris empurrando pra frente sem força, só instinto.

Veio rápido. O pau inchou na minha boca, latejando forte contra a língua, e o primeiro jato quente bateu no céu da boca, grosso, viscoso, salgado com um toque amargo que subiu direto pro nariz. Eu não recuei. Mantive a boca fechada em volta da cabeça, chupando suave enquanto os pulsos vinham um atrás do outro, enchendo tudo. O sabor era forte, meio metálico, meio doce no fundo, cremoso como leite condensado misturado com algo cru e animal. Textura grossa, pegajosa, escorrendo devagar pela língua quando eu engolia. Engoli tudo de uma vez, em goles lentos, sentindo o líquido descer pela garganta quente, deixando um rastro morno que demorava pra sumir. Não tinha nojo, não tinha nada. Só curiosidade misturada com uma satisfação quieta.

Quando ele terminou, tremendo inteiro, pau amolecendo devagar na minha boca, eu tirei devagar, lambendo a cabeça uma última vez pra limpar o resto. Olhei pra cima de novo, boca ainda molhada, gosto dele impregnado na língua, e sorri de leve. Me senti… feliz. Feliz de verdade, por uns segundos. Porque eu tinha feito ele gozar, tinha bebido tudo, tinha sido útil, desejada, safada o suficiente pra merecer aquilo. Era como se, por aquele momento, o vazio não existisse. Eu valia alguma coisa. Ele respirava pesado, mão ainda no meu cabelo, olhando pra mim como se eu fosse a melhor coisa que tinha acontecido naquela noite. E eu, ajoelhada ali no chão sujo, com o gosto dele na boca, só sentia aquela paz quente se espalhando de novo, devagar, preenchendo tudo.

— Ele demora pra ficar duro?

Ele fez uma cara de surpresa, tipo quem não esperava a pergunta tão direta, e logo começou a dar desculpas, rindo sem graça, voz baixa:

— Você quer meter, maluca? E se aparecer gente? Você nem de saia tá!

Eu não respondi com palavras. Levantei devagar do chão, limpei os joelhos sujos de poeira e concreto com as mãos, sentindo a ardência leve nas coxas. Olhei pra ele sem expressão, só com aquele olhar pesado que eu sempre tenho, e abaixei o short jeans largo junto com a calcinha até o meio das coxas. O ar fresco da noite bateu direto na pele molhada, arrepiando tudo, mas o calor lá embaixo não parava. Fiquei ali parada, pernas ligeiramente abertas, esperando.

— Vai. Se não tem pau pra me comer, usa os dedos ou a boca. Você escolhe.

Ele hesitou um segundo, olhando pros lados como se o condomínio inteiro pudesse aparecer de repente. Pelo jeito que torceu a boca, não gostava muito de chupar — dava pra ver no rosto. Sem falar nada, meteu a mão na frente, dedos grossos abrindo caminho devagar. Uma mão na frente, circulando o clitóris inchado com pressão certa, a outra atrás, dois dedos entrando fundo na buceta ainda sensível do que tinha rolado mais cedo. Ele ia penetrando forte, ritmado, enquanto o polegar da mão da frente não parava de rodar no clitóris.

Eu não me mexi quase nada. Só deixei. Braços frouxos ao redor do pescoço dele, rosto enfiado no peito suado, cheirando o perfume misturado com suor, sentindo o coração dele bater rápido contra minha bochecha. O corpo dele me segurava de pé, me prensando contra o muro, enquanto os dedos faziam tudo. Era forte, rápido demais, os dedos entrando e saindo com barulho molhado, pingando pelas coxas no chão sujo. O calor subia em ondas, o clitóris latejando sob o polegar dele, a buceta apertando os dedos que batiam fundo, acertando o ponto que fazia tudo contrair.

Eu gozei fraco, quieta. Um tremor que começou nas pernas, subiu pela barriga, apertou o ventre inteiro, mas não explodiu como eu queria. Foi um alívio morno, parcial, que deixou o corpo mole, mas ainda inquieto. Ainda doía um pouco lá dentro, ardência da primeira vez misturada com o atrito forte dos dedos, mas eu não falei nada. Não queria que ele parasse, não queria explicar. Só fiquei ali, rosto no peito dele, respirando pesado, sentindo o molhado escorrer devagar pelas coxas enquanto ele tirava os dedos, lambendo eles rápido como se fosse nada.

Quando ele viu que eu tinha gozado, ele se arrumou primeiro, subindo o short, ajeitando a camiseta. Eu subi a calcinha e o short devagar, sentindo tudo grudado, molhado, frio agora com o vento. Não falei nada. Ele também não. Só trocamos um olhar rápido, ele com um sorriso torto, satisfeito, eu com a sensação que dava para continuar mais.

No caminho de volta ele veio falando nervosamente, tagarelando sem parar sobre como estava pilhado, que tinha gozado rápido demais, que precisava de um tempo pra recarregar. Eu sabia que ele tinha tentado me largar na mão — gozou na minha boca e pronto, missão cumprida, sem interesse em me dar nada em troca. Pra disfarçar que era um merda, começou a falar do carro que tava consertando na oficina, de como surfava altas ondas ali na praia do condomínio, de rolês que ele fazia com os amigos. Nada daquilo me interessava. Eu ouvia com monossílabos baixos, “aham”, “legal”, olhando pro chão, sentindo o gosto dele ainda grudado na língua e umidade na calcinha com a ardência leve lá dentro que não ia embora.

Quando chegamos na reta onde o pessoal ainda estava reunido perto da piscina, o clima mudou. Um silêncio mais denso se formou, como se todo mundo tivesse parado de falar ao mesmo tempo. As risadas baixaram, os olhares desviaram rápido, e meu irmão veio na minha direção com uma cara estranhamente séria. Aquilo me despertou um alerta no peito — Jonathan nunca ficava sério assim, sempre era o palhaço da família, o extrovertido que ria de tudo.

— Irmã, vamos subir. Papai tá chamando.

Ele falou baixo, mas firme, e virou pra entrar no saguão do nosso prédio sem esperar resposta. Antes de dar o primeiro passo, parou e alfinetou Fabiano por cima do ombro, voz carregada de desprezo:

— E tu não podia ser mais babaca, né, irmão?

Eu me assustei com a reação dele. Jonathan nunca falava assim com ninguém, muito menos na frente de um grupo. Meu coração acelerou um pouco, não de medo, mas de uma confusão quieta. O que ele sabia? O que ele tinha visto ou ouvido? Fabiano riu sem graça, deu de ombros como se não ligasse, murmurou um “valeu, maluco” e se afastou pro grupo, voltando pra menina que tava pendurada nele antes.

Continua.