Capítulo 11
Eu não falei nada. Me despedi de Fabiano com um beijo rápido na boca — lábios secos agora, sem vontade — e entrei atrás do Jonathan. O elevador estava vazio, luz fraca, espelho refletindo nós dois: eu com o short largo grudado nas coxas quentes, rabo de cavalo frouxo bagunçado, rosto sem expressão; ele com os ombros tensos, olhando pro painel como se o botão do nosso andar fosse o mais importante do mundo.
Subimos em silêncio. Eu ainda sentia o tesão do que tinha acontecido lá atrás, o molhado frio entre as pernas, o gosto salgado ainda na boca, a paz quente que tinha vindo e ido embora rápido demais querendo se transformar em euforia presa. Meu irmão estava esquisito, cara fechada, querendo falar alguma coisa, e eu não entendia direito o que tinha acontecido para ele falar com o Fabiano daquele jeito. Ele não me olhou nos olhos nem uma vez. Estava emburrado e só quando as portas abriram no nosso andar, ele murmurou baixinho, quase pra si mesmo:
— Você sabe o que eles estavam falando de você? — perguntou como se tivesse me desafiando.
Ele estava com muita raiva e por isso eu não respondi. Entrei em casa atrás dele, sentindo o vazio voltar devagar, como sempre voltava depois. O pai estava na sala, olhando TV sem prestar atenção, e nem perguntou onde a gente tinha ido. Eu fui direto pro quarto e me joguei na cama, minha vontade era de tirar aquela calcinha encharcada e de tocar meu corpo de novo, gozar mais uma vez, mas ele veio atrás fechando a porta e disparando.
— Todo mundo ali sabe que ele te comeu, Nicole.
Aquilo era uma coisa que eu deveria me importar, eu sabia disso, mas a apatia não deixava. Eu sabia que isso poderia acontecer, toda mulher sabe, caras são babacas. Mas eu precisava falar algo para acalmar meu irmão, ou ele poderia querer escalar a situação. Eu nem queria imaginar se ele começasse a agir como alguém da idade dele e fofocasse pro meu pai na sala, e se esse contasse pra minha mãe, era cinto de castidade e convento ao mesmo tempo.
— Eu imaginei que isso poderia acontecer, homem é bicho babaca, mas ninguém vai acreditar nele, fica tranquilo tá?
Tentei falar calma. Mas ele se sentia ofendido por mim.
Ele começou um monólogo, contando como quando a outra garota falou sobre o Fabiano estar me comendo e como a menina que estava dependurada nele se referia a mim como vadia. Ele fazia caras e bocas de raiva e eu quieta observando ele colocar o ódio pra fora. Eu admirava ele, estava crescendo e se tornando um homem bonito, sempre foi mais vaidoso que eu, cabelinho sempre cortado, cheiroso, sair sem um perfume era o mesmo que sair nu pra ele. E o corpo dele estava amadurecendo, ficando mais quadrado e com músculos.
— Sabe o que eu tô pensando aqui? — falei interrompendo a ladainha dele.
— O quê?
— Que você tá com ciúmes de mim porque tô saindo com outro cara! — eu ri. — Nosso relacionamento é aberto, esqueceu?
O ódio dele foi embora na mesma hora, a expressão de raiva virou rapidamente um sorriso e ele balançou cabeça como se não acreditasse em mim, talvez no fato de eu não estar dando tanta importância.
— Agora que o senhor me ajudou, eu vou te ajudar com a menina, tá bem? Por que você não liga e chama ela pra vir jogar videogame?
Cheguei mais perto dele, passei o braço por cima do ombro dele e senti ele se aninhando, colando em mim.
— A mãe dela não deixa — soltou em sofrimento pelo fracasso da ideia.
— Eu posso pedir pra mamãe ligar. Eu falo que você quer converter ela.
Eu ri, mas isso seria um motivo pra minha mãe passar a mão no telefone e ligar na mesma hora. O que acontecia é o seguinte: eles são do mesmo grupo da escola desde a infância, e essa menina não deve ser do grupo dele, se fosse nem precisava pedir. A mãe dela deve prender mais por ela ser autista, isso se for mesmo, porque eles se intitulam assim, autista TDAH, mas laudo que é bom nada. E se um adulto ligasse ia ter que se comprometer em buscar e levar, e a gente não queria isso para não atrapalhar a pegação deles
— Não tem jeito, vou morrer virgem, cara! — ele falou rindo, mas tinha um fundinho de medo na voz. — Eu só queria um peitinho, irmã, saber como é, sabe?
Eu, que não presto pra essas coisas, segurei um seio por cima da blusa e apontei, apertando de leve na direção dele.
— Vai, toma, aperta, mas só três segundos porque você é meu irmão! — falei rindo tanto que mal conseguia terminar a frase, a voz saindo cortada.
Ele arregalou os olhos, fingindo horror.
— Tá maluca? E por acaso eu quero apertar esses peitos murchos?
Eu me afastei dele na hora, dei um tapão bem dado no braço dele, rindo ainda mais.
— Murcho onde? Onde que meu peito é murcho, garoto? — Uni os dois, me empinando reta, segurando com as mãos fazendo esforço para formar algum volume e mantendo o perfil pra ele ver. — Olha, eles são durinhos, tá? Meus peitos são lindos.
— Eu já vi teus peitos, Nicole!
— Viu onde? No máximo você viu quando eu era mocinha e você muito criança. Eu não passo sem sutiã na sua frente.
Ele deu uma gargalhada alta, balançando a cabeça.
— Sutiã né? De adamantium pra conseguir segurar eles no alto.
— Meu peito nem dá pra cair porque é pequeno, seu idiota — revidei, ainda rindo, dando outro tapinha nele. — Esses aqui ficam no lugar sozinhos.
A gente riu mais um pouco, ele desviando dos meus tapões falsos, eu fingindo raiva. Era bobo, infantil, mas pela primeira vez em muito tempo a gente ria junto sem forçar, como se o divórcio e o silêncio da casa tivessem dado uma pausa. Eu me sentia leve, quase normal, mesmo com o desejo rodando baixinho no fundo da barriga, esperando a próxima vez.
Mas aí veio o silêncio incômodo que eu não esperava.
— Eu posso mesmo? Você tá falando a verdade?
Eu fiquei muda. Em nenhum momento eu tinha cogitado deixar ele fazer aquilo de verdade. Mas com ele, eu sentia um conforto tão grande, e na hora me deu uma coisa, um troço errado, uma adrenalina de quem tá roubando um banco e saltando de paraquedas ao mesmo tempo.
— O quê? Apertar meu peito? — perguntei incrédula, pra confirmar se ele não estava brincando. — Você quer mesmo?
Ele acenou sério, um movimento mudo, olhos fixos nos meus. O ar do quarto ficou pesado, tinha um clima de tensão, algo errado muito forte, como se o mundo inteiro tivesse parado pra assistir.
Eu me levantei devagar, indo até a porta pra trancar, e no caminho tirei o sutiã por baixo da blusa, o tecido deslizando pelas costas, os bicos já duros roçando a camiseta fina. Meu coração batia forte no peito, um latejar nervoso que subia pela barriga e se concentrava entre as pernas me fazendo tremer.
— Olha, é rapidinho, e nada de esquisitice, tudo bem?
Voltei até ele caminhando apressada, olhando em volta com o sentimento de estar sendo observada, o corpo inteiro latejando de nervoso e tesão. Parei na frente dele, que estava sentado na beirada da cama, pernas abertas, respirando fundo.
— Pronto?
Levantei a blusa devagar, deixando o ar fresco do quarto tocar minha pele clara. Os seios pequenos apareceram, durinhos, bicos rosados endurecidos pelo frio e pela excitação. Eu vi o rosto dele mudar completamente — os olhos escurecendo, a boca entreabrindo, como se estivesse vendo a coisa mais bonita da face da terra. Ele engoliu em seco, as mãos tremendo um pouco no colo.
Eu mordi o lábio inferior pra não deixar o tesão transparecer no rosto, mas o corpo traía: a respiração acelerada, a barriga subindo e descendo rápido, o calor entre as pernas pulsando forte. Ele estendeu a mão devagar, como se tivesse medo de quebrar algo, e tocou. Primeiro só a palma aberta, cobrindo um seio inteiro, a pele quente contra a minha. Depois apertou de leve, o polegar roçando o bico, mandando um arrepio direto pro meu ventre.
Era experimental, primeira vez, mas o toque dele era cuidadoso demais, quase reverente. Ele apertou de novo, mais firme, sentindo a firmeza, o peso pequeno, e soltou um suspiro baixo, rouco. Eu fechei os olhos um segundo, sentindo o prazer subir quieto, a pele arrepiando inteira, o corpo inteiro respondendo ao olhar dele, à mão dele, àquele momento errado e perfeito. O tesão era tão forte que eu apertava as coxas sem querer, molhada já, o coração disparado.
— Tá bom… três segundos — murmurei, voz baixa, rouca, mas não me mexi pra afastar.
Ele não contou. Só continuou, devagar, como se o tempo tivesse parado.
E eu deixei.

