Capítulo 13
Meu irmão e eu sempre fomos fisicamente próximos, daqueles que dormiam embolados na mesma cama quando pequenos, pele colada na pele. Quando a adolescência chegou pra mim, isso rareou bastante, mas o carinho ficou — um toque rápido no ombro, um abraço desajeitado ao passar pelo corredor, nada que chamasse atenção. Foi o que rolou no meu quarto que acendeu a faísca, mas o que acelerou tudo, transformando a coisa numa bagunça quente e errada, foi minha mãe.
Semanas depois daquele dia, a rotina seguia igual: acordava com o corpo pesado, mão já descendo entre as pernas antes mesmo de abrir os olhos direito, dedos circulando devagar no clitóris ainda quente do sono, aliviando o vazio pra conseguir levantar da cama. Ia estudar, mas agora com uma diferença pequena: no colégio, entre uma aula e outra, eu escapava pro banheiro uma ou duas vezes, trancava a porta, baixava o jeans largo, tocava rápido, sentindo o formigamento subir pelas coxas magras. Às vezes nem gozava, mas eu precisava de sentir aquele toque.
Era como se o meu remédio — o Fabiano — estivesse perdendo força, e estava mesmo. Ele aparecia toda tarde, de forma mecânica, pau entrando fundo sem ritmo, suor pingando na minha pele, me usando rápido antes de sumir, sem ligar se eu eu estava com tesão ou não, se eu gozava ou ficava no meio do caminho.
Ele até tentou ser um namorado de verdade, admito. Me chamava pra sair, ficava comigo no sofá, mãozinha no meu joelho, tentando conversar. Mas eu só queria aquilo: dar pra ele, sentir o pau dele dentro. E a gente transou foi em tudo que é lugar que dá pra imaginar — elevador vazio do condomínio, piscina à noite com água gelada, ou na casa dele quando os pais saíam, até no carro dos pais dele estacionado num canto escuro da garagem.
E foi numa sexta que eu estava com ele, deitada completamente pelada na cama, esperando o pau dele ganhar vida novamente para um segundo turno, quando um amigo bateu na porta de surpresa. Fechei a cara na hora — aquela interrupção empatando meu alívio — mas Fabiano brigou comigo, olhos bravos:
— Você tem que se socializar, Nicole. Tô cansado dessa tua atitude quando tem gente por perto
Sentei no sofá com eles, sorriso forçado, pernas cruzadas sentindo o molhado esfriar devagar na calcinha. Eu escutava o papo de moto e futebol, assentindo de vez em quando, mas por dentro só contava os minutos. Eu sempre fui bicho do mato, tinha muita dificuldade em me sociabilizar com pessoas — as palavras travavam na garganta, o olhar fugia, e o corpo inteiro pedia pra sumir. Estava ali somente pelo medo de perder o pau que me salvava o dia, o remédio que me fazia funcionar. Por isso fiquei de boas, quieta, ouvindo os dois, esperando o amigo ir embora pra poder transar de novo.
Mas aí, eu não sei de onde veio isso, mas me deu um estalo enorme na cabeça. O amigo do Fabiano era bonitinho, Gustavo era o nome dele. Cabelo curto bagunçado, pele morena, sorriso fácil, corpo de quem malhava sem exagerar. Ele ria alto, gesticulava falando da moto nova, e eu reparei na forma como a camiseta marcava o peito, no braço forte quando ele se inclinava pra frente. E de repente veio a pergunta, limpa, na minha cabeça: será que ele não comeria eu também?
Foi como se o mundo tivesse aberto uma janela nova. Se o Fabiano quis, se ele me pegou assim, rápido sem conversa, por que não esse? Por que não outros? Eu era comum, magra, sem graça, mas parecia que alguém gostava. Existiam tantos outros caras por aí — no condomínio, na escola, na rua, na igreja até — que talvez quisessem. Que talvez olhassem pra mim, pra minha pele clara, pros meus peitinho mirrados, e quisessem me pegar, me usar, me preencher sem eu precisar pedir ou me esforçar. A ideia me acertou como um soco gostoso no estômago: eu não precisava ser bonita ou interessante. Bastava estar ali, passiva, disponível. E eles viriam.
O tesão subiu rápido, o clitóris latejando de novo, os bicos endurecendo de novo roçando o tecido. Eu apertei as coxas, respiração mais curta, olhando pro amigo do Fabiano sem ele notar. Ele ria de alguma piada, e eu imaginava ele me prensando contra a parede, mão subindo por baixo da camiseta, boca no meu pescoço, pau duro entrando fundo sem demora. O vazio que o Fabiano não completava voltou, mas agora com uma fome nova: não era mais só de um pau amigo. Era de todos os paus que eu pudesse ter.
Fabiano me olhou de canto, como se sentisse algo.
— Tá tudo bem?
Eu sorri tímida, meio de lado.
— Tudo. Só... pensando.
Ele não perguntou mais.
Não passou dez minutos depois disso e o Gustavo anunciou que precisava ir. Levantou do sofá, bocejou e esticou os braços depois se coçando como se estivesse com sono.
— Valeu pela resenha, Fabes. Vou nessa, amanhã tem rolê cedo.
Fabiano assentiu, mas eu vi a oportunidade ali, clara como a luz da tarde que ainda entrava pela janela. Meu corpo estava nervoso, mas o desejo não esfriava — só mudava de alvo. Sem pensar muito, me levantei junto, como se fosse normal.
— Eu vou descer também — falei baixo, voz neutra, como se fosse só coincidência.
Fabiano estranhou, sobrancelha levantada, mas não disse nada. Ele já sabia que eu era esquisita, que às vezes fazia coisas sem explicar. Gustavo riu, dando um tapa no ombro dele.
— Então eu te dou carona, Nicole. Vamo nessa!
Saímos os três pro corredor, o elevador demorando como sempre. Fabiano ficou na porta do apartamento dele, acenando, mas eu senti o olhar dele nas minhas costas, pesado, questionador, como se soubesse que algo estava errado. Quando as portas se fecharam, só nós dois dentro do espaço pequeno, o ar ficou mais pesado, quente, carregado com o cheiro dele — ele tinha um cheiro de homem que me deixava tonta.
Eu respirei fundo, o coração batendo quieto, mas firme, e olhei pro Gustavo de lado, olhos pesados, sem piscar muito.
— Você tem namorada?
A pergunta saiu seca, direta, sem rodeio. Ele virou o rosto pra mim, com uma surpresa no olhar, depois um sorriso lento, como se tivesse entendido o jogo de repente, o canto da boca subindo devagar.
— Não, por quê
Eu não respondi na hora. Só apertei as coxas, sentindo o calor subir de novo, devagar, quente, o clitóris latejando baixo sob o jeans largo. Continuei olhando ele fixamente, olhos pesados, sem piscar muito, como se o silêncio pudesse dizer tudo que eu não conseguia.
— Quer transar comigo?
A pergunta saiu seca, direta, voz baixa mas firme, sem tremer. Ele me olhou atônito, boca entreaberta, só piscando nervoso, sem conseguir falar direito.
— Como assim, Nicole? Você é namorada do Fabiano...
— Sou não. — eu não tinha uma reação sequer na face que desse alguma pista do que eu pensava, uma máquina de sexo querendo o que foi programada para fazer — Quer ou não quer?
O cara passou a mão no cabelo, bagunçando mais, ficou pensando. Eu parei o elevador no andar errado, portas abertas pro corredor vazio. O tempo se estendeu uma eternidade, o zumbido da luz fraca, o vento da noite entrando pela porta, arrepiando minha pele clara dos braços. Meu coração batia quieto, mas forte, o corpo inteiro pulsando, molhado, pronto, esperando só ele dizer sim pra eu deixar acontecer.
— Queria sim, mas o Fabiano...
— Onde você mora? — Interrompi o choramingo que ele ia começar.
— Minha casa não dá, esquece, tem gente em casa.
Eu puxei ele pelo braço saindo do elevador e pegando a escada de incêndio. O lugar era uma penumbra cinza com cheiro de concreto úmido e poeira. A porta se fechou atrás de nós com um baque pesado, ecoando no silêncio.
E quando ele entrou, eu dei um passo em sua direção antes que ele falasse qualquer coisa.
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