Capítulo 14

Ele me olhou, respiração acelerada, olhos de menino. Enquanto ria que nem bobo, sem entender direito o que eu queria, eu me encostei na parede fria, costas arqueadas de leve, pernas abrindo só um pouco.

Só fiquei ali, quieta, olhando pra ele com olhos pesados, esperando.

— Me come — falei baixo, seca, pra não deixar dúvida.

Ele deu uns passos lentos, vencendo a distância curta entre nós. Colocou uma mão gelada na minha cintura, dedos tremendo, e me beijou. O beijo dele era lento, cheio de tensão, o ar saindo pesado pelas narinas, como se cada respiração doesse de culpa.

Eu me colei nele, envolvendo-o num abraço que era mais esfrega-esfrega do que carinho. Ele devolveu apertando minha bunda com força, dedos cravando na carne por cima do jeans. O aperto me fez sorrir por dentro — me senti levemente dominada, e gostei.

Me soltei do beijo, abri o zíper da calça dele com as duas mãos, já caindo de joelhos no chão frio. O pau saltou pra fora, médio, grosso na base, a pele morena esticada, veias saltadas, cabeça rosada brilhando de um líquido que pingava da ponta. Era de cheiro forte de homem sujo, pele quente, um pouco salgado.

Não dei tempo nem pra olhar direito. Abocanhei tudo de uma vez, a boca enchendo com o calor grosso, a cabeça batendo no céu da boca. Chupei forte, língua rodando na glande, sentindo o gosto salgado misturado com suor. Ele gemeu baixo, mão indo pro meu cabelo, puxando o rabo de cavalo de leve, sem forçar.

Eu não mexia a cabeça rápido. Só chupava devagar, deixando ele deslizar na boca, sentindo cada veia pulsar na língua. A saliva escorria pelos cantos, molhando o queixo. Ele tremia inteiro, coxas duras, respirando pesado.

— Caralho, Nicole… — saiu rouco, voz quebrada.

Eu não respondi. Só continuei, boca cheia, olhos fechados, sentindo o pau inchar mais na minha boca, a pele quente esticada pulsando contra a língua. A buceta latejava vazia entre as pernas, implorando pra ser preenchida. Mas eu ainda não queria. Ainda não.

O tesão dele subia devagar, eu sentia em cada tremor das coxas dele contra meus ombros, em cada respiração que ficava mais curta e pesada. Ele tentava se controlar, mas os quadris empurravam sozinhos, pequenos movimentos que iam ficando mais gananciosos. E ali, de joelhos no chão frio, com a boca entupida de pau, eu percebi uma coisa nova, clara como um flash: era eu quem mandava.

Não era ele que me usava. Era eu que permitia. Eu que tinha pedido. Eu que tinha aberto a boca e dito “me come”. Ele só aceitou porque eu deixei. E isso — só isso — já me enchia a buceta d’água de um jeito que eu nunca tinha sentido antes. Queria rir, rir alto com aquele pau grosso me entalando a garganta, porque de repente entendi: o poder não estava na força dele, nem na grossura do pau, nem nos xingamentos. Estava em mim. Em eu decidir que queria aquilo. Em eu decidir o quanto, o quando, o como. Bastava eu querer, e acontecia. Simples. Fácil. E era bom pra caralho.

Ele perdeu o resto do controle. As mãos grandes agarraram minha cabeça com força, dedos cravados no couro cabeludo, puxando o rabo de cavalo como se fosse rédea. Começou a meter de verdade. Forte. Fundo. Cada estocada batia no fundo da garganta, me fazia engasgar, os olhos lacrimejavam, o estômago se contraía em espasmos querendo vomitar. Ele não parava. Fazia aquele som sibilante entre os dentes, xingava baixo, voz rouca e suja:

— Puta… vadia… tu gosta de rola, né, piranha?

As palavras batiam nos ouvidos como tapas quentes. Eu amava. Cada sílaba me fazia apertar as coxas uma contra a outra, esfregando o clitóris inchado por dentro da calcinha encharcada. Queria mais. Mais forte. Mais duro. Mais rápido. Mais. Mais. Mais. Mais. Mais.

Eu não mexia a cabeça. Não precisava. Ficava parada, boca aberta, deixando ele foder minha garganta como quisesse. A saliva escorria pelos cantos, pingava no queixo, molhava a camiseta velha, caía no chão. Meu nariz batia na virilha dele a cada estocada funda, o cheiro forte de suor e macho me sufocava e me excitava ao mesmo tempo. A buceta pulsava tanto que doía, pedindo algo para apertar.

Mas eu ainda controlava. Mesmo engasgando, mesmo com lágrimas escorrendo, mesmo com a garganta ardendo, eu controlava. Porque eu podia parar a qualquer momento. Podia cuspir ele pra fora, levantar e ir embora. Ou podia deixar continuar. Ou podia pedir mais. A escolha era minha. E saber disso me deixava ainda mais molhada, ainda mais acesa, ainda mais dona de mim mesma.

Ele gemia alto agora, sem filtro, o som ecoava pelos andares e logo alguém iria ver que barulho era aquele. O pau inchava mais na minha boca, pulsando forte na língua, as veias latejando contra os lábios. Eu sentia ele chegando no limite. Mas eu não queria que acabasse ali. Não na boca.

Tirei ele de repente, com um som molhado e obsceno, cuspi no chão, olhei pra cima com olhos pesados, boca inchada e brilhando de saliva.

— Dentro — falei rouca, voz arranhada de tanto engasgar. — Bota em mim.

Agora.

Ele não pensou. Me puxou pelo braço com força, me levantou como se eu fosse nada, virou meu corpo de costas pra ele. Abriu meu jeans largo com uma mão só, baixou junto com a calcinha até os joelhos num puxão bruto. Eu me encostei na parede fria, bunda empinada, pernas abertas o quanto o jeans permitia, mãos apoiadas no espelho embaçado. Senti a cabeça do pau roçando na entrada, quente, escorregadia de saliva e pré-gozo.

Ele entrou de uma vez. Fundo. Sem aviso. A ardência rasgou por dentro, misturada com um prazer tão intenso que meus olhos se fecharam sozinhos. O pau grosso esticava tudo, batia no fundo, preenchia cada centímetro vazio. Ele segurou meus quadris magros com força, dedos cravando na pele, e começou a meter rápido, descontrolado, coxas batendo na minha bunda com som seco e ritmado.

Eu fiquei parada. Quase imóvel. Só recebia. Cada estocada mandava ondas quentes subindo pela barriga, pelos seios pequenos que balançavam de leve sob a camiseta, pelos braços que tremiam apoiados no espelho. A buceta apertava em volta dele sozinha, molhada demais, o som molhado ecoando no espaço pequeno. Eu não gemia alto. Só respirava pela boca aberta, olhos semicerrados no reflexo: eu, magra, comum, cabelo bagunçado, rosto vermelho, boca inchada, sendo fodida como se fosse só um buraco.

E era perfeito. Porque eu tinha pedido. Porque eu tinha permitido. Porque eu decidia.

O prazer subiu como uma maré sem aviso. O ventre apertou de repente, as coxas tremeram, a buceta contraiu forte em volta do pau dele, pulsando, ordenhando. Gozei quieta, corpo inteiro travando um segundo, depois tremendo em ondas lentas e profundas que me deixaram tonta. Ele sentiu, gemeu rouco, meteu mais fundo ainda, segurou meus quadris com força e gozou dentro, jatos quentes enchendo tudo, pulsando lá no fundo.

Ficamos assim uns segundos. Ele ofegante nas minhas costas, eu mole contra a parede, sentindo o sêmen quente escorrer devagar pelas coxas, misturado com o meu molhado.

Eu nem me mexi de imediato. Fiquei ali encostada na parede, respirando fundo, sentindo aquele vazio gostoso que sempre vem depois — o corpo leve, mole, satisfeito por uns minutos apenas. Subi a calcinha devagar, depois o jeans largo, sem nenhuma pressa, sentindo o sêmen quente ainda escorrendo pelas coxas internas, misturado com o meu molhado, pegajoso, deixando uma sensação úmida e quente que eu sentia a cada movimento pequeno.

— Acabou? — perguntei baixinho, voz rouca, enquanto ajeitava a cintura da calça e olhava pra baixo, pra camiseta velha toda grudada no peito, molhada de baba e lágrimas.

Ele ainda ofegava, encostado do outro lado, calça meio aberta, cara vermelha e suada.

— Foi bom demais… você é louca.

Eu não respondi. Só estendi a mão, palma pra cima.

— Pega meu telefone. Se quiser mais, me liga.

Ele pegou o celular do bolso de trás com dedos trêmulos, digitou rápido o número que eu falei. Nesse momento ouvi sons vindo de cima — passos no corredor, talvez alguém descendo as escadas, vozes abafadas. Meu estômago deu um aperto rápido, nervoso, mas o risco só me deixou mais acesa por dentro.

— Tchau — falei baixo, já virando as costas.

Saí corredor afora, pernas moles, o jeans roçando na pele das coxas. O elevador estava lá, portas abertas, como se me esperasse. Entrei, apertei o botão do andar, e as portas se fecharam devagar.

No espelho, minha cara parecia deformada. Olhos vermelhos e inchados, como se eu tivesse chorado por horas. Bochechas molhadas de lágrimas que eu nem senti cair. A camiseta grudada, transparente em manchas, suja de baba, de gozo de homem, de tudo que escorreu da boca. Cabelo bagunçado no rabo de cavalo frouxo, fios colados na testa suada. Pele clara mais vermelha nas bochechas e no pescoço, marcas leves dos dedos dele.

E eu ri.

Um riso baixo, doido, que saiu arranhado da garganta dolorida e subiu até o peito. Não era riso feliz. Era riso de quem acabou de entender uma coisa: eu parecia uma bagunça total, uma menina comum que acabou de ser usada na escada como se não valesse nada, e ainda assim… eu me sentia no controle. Porque eu podia.