Capítulo 22
Não muito depois do meu orgasmo na boca do meu irmão, meu pai resolveu andar pela casa e começar uma faxina noturna. Daquelas limpezas impulsivas que ele fazia de madrugada, vassoura batendo no chão, cheiro de desinfetante invadindo o corredor. A gente congelou na hora. Meu irmão ergueu o rosto entre minhas pernas, boca ainda brilhando, olhos arregalados. Eu só fiz um gesto rápido com a cabeça e ele entendeu. Levantou devagar, limpou a boca com as costas da mão, me deu um beijo curto na testa — daqueles que não eram exatamente de irmão — e saiu pro quarto dele em silêncio, pé ante pé, antes que um gemido mais alto qualquer entregasse tudo.
Eu não dava ainda pro meu irmão. Assim, estou falando de penetração propriamente dita. O motivo era bobo, confuso e difícil de explicar até pra mim mesma. Não era exatamente medo de perder a virgindade — essa já tinha ido embora faz tempo com o vidro de perfume. Era outra coisa. Uma barreira idiota que minha cabeça criava. Talvez porque, no fundo, eu ainda quisesse guardar alguma parte de mim intocada, algo que não tivesse sido contaminado pela culpa que sempre vinha depois. Porque quando terminava, a culpa batia forte. Sempre batia. A voz da minha mãe ecoava na cabeça: “pecado mortal”, “vagabunda”, “Deus tá vendo”. Eu me sentia suja, errada, pequena. O corpo ficava leve por uns minutos, mas a mente virava um peso morto. Eu chorava sozinha no banheiro ou ficava olhando pro teto até o sono vir. Por muito tempo o sexo entre a gente foi só oral mesmo. Boca na boca, boca na buceta, boca no pau.
E era suficiente, bom e mais seguro.
Aquela noite eu nem me masturbei. Depois que ele saiu, fiquei deitada, pernas ainda abertas, corpo mole, o cheiro dele misturado com o meu na pele. Apaguei feliz. Um sono pesado, sem sonhos, daqueles que engolem a noite inteira sem deixar rastro. Quando acordei, era fim de madrugada. Ouvi o barulho familiar: meu pai arrastando a mala de viagem pelo corredor, o zíper da jaqueta, o tilintar das chaves. Ele ia viajar de novo. Alguns dias fora. Isso significava que a gente seria mandado pra casa da minha mãe — eles não gostavam de deixar a gente sozinhos por muito tempo. Mas ela era plantonista. Dobrava turno, dormia no hospital, voltava só pra trocar de roupa e sair de novo. Na prática, a gente ficava sozinho mesmo. Só que na casa dela, com regras mais apertadas, com a cruz na parede da sala e o terço pendurado na cabeceira.
Ouvi o clique da porta da sala se fechando. O silêncio que veio depois foi pesado, quase palpável. Meu coração disparou na hora. Acordei cheia de energia, como se o corpo soubesse antes da cabeça: pai fora, mãe no plantão, casa vazia. E no quarto ao lado tinha um rapazinho que chupava bem pra caramba. E queria muito mais uma rodada daquilo.
Me levantei devagar, o corpo ainda pesado e quente do que tinha rolado mais cedo, e saí pelo corredor como um gato espreitando uma vítima. Pé ante pé, sem fazer barulho. Fui até a sala, passei o trinco por dentro — caso o pai resolvesse voltar de repente por algum esquecimento bobo — e voltei direto pro quarto do Jonathan. A porta estava só encostada, pra minha sorte. O sol começava a clarear lá fora, luz rosa entrando pela fresta da cortina, mas ele dormia pesado, de barriga pra cima, boca entreaberta, lençol embolado na cintura, como se o mundo não existisse e o colégio fosse só uma sugestão distante.
“Hoje alguém vai pra escola depois de transar…”, pensei, e ri baixo, um riso rouco que mal saiu. A ideia me deu um arrepio gostoso.
Cheguei devagar, me abaixei no chão ao lado da cama sem balançar o colchão. Ele nem se mexeu. O pau dele estava mole, descansando sob uma cueca de seda, pele quente, cheiro de sono e de homem misturado. Eu gostava disso — da intimidade crua, sem pressa, sem precisar pedir permissão.
Me inclinei, apoiei os braços na beirada da cama, puxei para fora lentamente e comecei devagar. Primeiro só a respiração quente roçando a cabeça, depois a língua saindo pra lamber de leve, só a pontinha, provando o gosto salgado de pele acordando. Chupei mole, sem força, só envolvendo a cabeça com os lábios, deixando a boca quente e úmida abraçar ele inteiro. Ele ainda dormia, mas o pau começou a responder sozinho: inchou devagar na minha boca, endurecendo centímetro por centímetro, a pele esticando, as veias aparecendo. Eu continuei no mesmo ritmo lento, chupando suave, língua rodando preguiçosa em volta da glande, sentindo ele crescer, pulsar, ficar mais pesado na minha língua.
Foi quando ele acordou.
Um gemido baixo escapou dele, rouco de sono. Os olhos abriram devagar, confusos, depois focaram em mim: eu ajoelhada no chão, boca cheia dele, olhando pra cima com olhos pesados. Ele arregalou os olhos, o corpo inteiro deu um estalo, mas não se mexeu pra afastar. Só ficou olhando, respiração acelerando.
Aí eu mudei.
Abri mais a boca, engoli tudo de uma vez. Fundo. Sem parar. O pau dele já duro bateu no céu da minha boca, depois na garganta. Eu forcei, empurrando a cabeça pra frente, sentindo o esticamento, o engasgo que vinha e eu não deixava sair. Lágrimas encheram os olhos na hora, rímel borrando de novo, mas eu não parei. Subia e descia rápido, forte, boquetaço sem dó, garganta se abrindo pra receber ele inteiro. Cada vez que engolia tudo, o nariz batia na virilha dele, o cheiro forte de macho me sufocava e me deixava mais molhada entre as pernas. Eu não usava as mãos quase — só a boca, só a garganta, forçando os limites, testando até onde conseguia ir sem vomitar, sem parar.
Ele gemeu alto, mão indo pro meu cabelo, segurando o rabo de cavalo sem puxar, só acompanhando o movimento. “Caralho, Nicole…”, saiu rouco, voz tremendo. Ele estava impressionado. Os olhos vidrados, boca entreaberta, coxas duras de tensão. Eu via ele lutando pra não gozar rápido, músculos contraídos, respiração curta.
Eu acelerei mais. Chupava forte, língua pressionando embaixo da cabeça toda vez que subia, garganta apertando quando engolia tudo. Saliva escorria pelos cantos da boca, pingava no lençol, molhava o queixo. Eu não parava. Queria que ele sentisse que eu mandava, que eu decidia o ritmo, que eu aguentava tudo.
Veio rápido.
O pau inchou na minha boca, pulsou forte contra a língua. Ele tentou avisar, “vou…”, mas não terminou. Gozou dentro da minha garganta, jatos quentes, grossos, direto pro fundo. Eu não recuei. Engoli tudo, sentindo o líquido viscoso descer, salgado, amargo, cremoso, enchendo a boca e a garganta. Pulsos atrás de pulsos, o pau latejando contra o céu da boca, eu chupando devagar agora, ordenhando cada gota, limpando a cabeça com a língua até ele tremer inteiro e amolecer um pouco na minha boca.
Tirei devagar, com um som molhado, lambi os lábios inchados, olhei pra ele. Ele estava ofegante, olhos escuros, cara vermelha, olhando pra mim como se eu fosse outra pessoa. Impressionado. Assustado. Excitado.
Eu sorri de leve, boca ainda brilhando, voz rouca:
— Bom dia.
Ele riu baixo, sem ar, mão ainda no meu cabelo.
— Se seu contar na escola que uma garota me acordou com um boquete, ninguém vai acreditar.
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