Capítulo 24
Eu sempre gostei de ficar passiva no sexo. De deixar a outra pessoa fazer tudo, me servir, se esforçar, enquanto eu só recebia. Era confortável assim. Eu construí isso em mim com o tempo, camada por camada — talvez por preguiça, talvez por medo de errar, talvez porque no fundo eu achava que não precisava me mexer pra ser desejada. Você pode não gostar, achar que é egoísta ou frio, mas era o meu jeito. Eu gostava de ser usada, de ser o objeto do desejo, de ficar quase parada, deixando o outro trabalhar até cansar.
Com meu irmão era diferente. E com algumas outras pessoas que eu vou falar mais pra frente também. Nessas situações eu virava a ativa da história. Eu decidia o ritmo, o quanto, o como. Eu sentava no rosto, eu batia punheta, eu rebolava até gozar, eu mandava. Não era esforço — era controle. E isso me excitava mais do que qualquer coisa.
O alarme dele tocou de repente, um som agudo e irritante que cortou o ar pesado do quarto. Ele esticou o braço pra desligar, resmungando baixo, e virou pra mim com aquele sorriso malandro que eu já conhecia.
— Nicole, a gente podia ficar em casa transando o dia inteiro. O que você acha?
Eu ri baixo, ainda sentada na beirada da cama dele, pernas abertas, camisola amassada na cintura, o corpo satisfeito mas já sentindo o vazio voltar devagar.
— Não, cara… Tá maluco? — Meu senso de responsabilidade falou mais alto, ou talvez fosse medo mesmo. — Se avisarem pros nossos pais que a gente matou aula juntos, a mamãe iria pensar o quê?
Minha mãe era fogo. Ela cogitaria incesto na hora, sem precisar de prova nenhuma. Afinal, tava na Bíblia, logo na cabeça dela era uma possibilidade real, comum, quase esperada em famílias quebradas como a nossa. Embora no nosso caso fosse verdade.
— Garoto, você não aguenta nem mais uma. A gente vai ficar aqui fazendo o quê? Olhando um para cara do outro?
Ele tentou argumentar, voz rouca de sono e tesão, falando de jeitinho malandro, prometendo que dava conta, que era só mais uma rodada, mas eu já estava satisfeita. O corpo leve, a buceta ainda sensível e inchada, o gosto dele na minha boca misturado com o meu. Levantei, ajeitei a camisola, saí do quarto dele sem responder.
No caminho pro meu quarto, me bateu uma ideia. Parei no corredor, olhei pro banheiro do meu pai. Entrei quieta, abri a gaveta dele, procurei o barbeador elétrico — aquele que troca cabeça, pra aparar o cabelo e fazer a barba. Eu era peluda de verdade. Por mais que aparasse com tesoura, ficava feio, volumoso, escapando pelas bordas da calcinha na escola, marcando no jeans largo. Meu irmão já tinha comentado uma vez, de brincadeira, mas o tom era de quem não curtia muito. Fabiano provavelmente também não gostava, só não falava. Eu precisava melhorar isso. Não pra eles — pra mim. Pra me sentir mais limpa, mais no controle.
Levei o barbeador pro meu banheiro. Tirei a camisola, fiquei pelada na frente do espelho grande. Liguei o aparelho — zumbido baixo, cheiro de plástico quente —, verifiquei se estava limpo e carregado. Comecei pelo excesso: corte bem baixo, o máximo que dava sem encostar a pele. Os pelos caíam no chão, pretos e grossos, formando uma pilha pequena. Depois tentei delimitar, deixar só uma faixa fina no monte de Vênus, aparando as laterais dos grandes lábios, deixando a pele mais exposta. O barulho do motor contra a pele arrepiava, o ar fresco batendo onde antes tinha pelo. Eu olhava no espelho e ficava satisfeita. A buceta parecia mais nua, mais acessível, os lábios inchados e rosados aparecendo melhor, o clitóris mais exposto. Gostei.
Queria usar a lâmina do barbeador nos grandes lábios pra deixar lisinho, mas morria de medo de morder a pele fina e me cortar feio. Não dava. Cera? Nem ferrando. Eu nem sabia como usar aquelas tiras, e ir numa clínica era fora de questão. Se minha mãe soubesse que eu tinha ido depilar a buceta, ia ser esporro até Deus sabe lá quando. “Isso é coisa de vadia”, ela ia dizer, com a voz tremendo de raiva e decepção.
Do corredor dava para ouvir meu irmão reclamando de alguma coisa, a voz ecoando pelo apartamento vazio.
— Nicole, o teu livro de matemática do ano retrasado, aquele que tá com respostas, você deixou aqui ou na casa da mamãe?
— Na mamãe! — gritei de volta, ainda no banheiro, barbeador na mão. — Por que eu teria isso aqui?
— Eu não fiz a droga do exercício e agora eu tô fodido! — A voz ia ficando mais alta enquanto ele se aproximava, passos rápidos no piso.
Obviamente ele queria copiar os exercícios que eu fiz quando eu estava na mesma série que ele.
De repente ele surge na porta do banheiro, batendo duas vezes com os nós dos dedos, impaciente. Eu estava nua, pelos pretos espalhados no chão do box como se tivesse tosado um poodle. Olhei em volta rápido — não tinha nada ali que ele já não tivesse visto, lambido, cheirado. Dei descarga por reflexo e abri a porta.
Ele entrou sem cerimônia, olhos indo direto pro meu corpo. Eu empinei a buceta pra frente, mostrando o serviço, como quem exibe um desenho na parede.
— Porra, me ajuda rapidinho a fazer isso? Eu mato o primeiro tempo de aula e termino. — falou enquanto olhava para um caderno com a folha vazia.
— Tá, eu faço pra você, cabeção! — aceitei logo, impaciente, mas já sentindo o calor subir de novo só de ver ele ali, perto, olhando.
Ele se abaixou na minha frente, sem hesitar. O rosto ficou a centímetros da minha pele recém-aparada. Olhou… olhou de novo. Mudou a posição da cabeça, inclinando pra um lado, depois pro outro, como se estivesse avaliando uma pintura cara. Silêncio longo. Eu sentia o ar quente da respiração dele batendo direto nos grandes lábios, arrepiando tudo. O clitóris, ainda sensível do que a gente tinha feito mais cedo, deu uma pulsada involuntária só com a proximidade.
Ele se abaixou mais, quase encostando o nariz. Pinçou uns fios compridos que resistiram ao barbeador — pretos, grossos, rebeldes — e puxou de leve, sem machucar.
— Tá muito melhor que antes — disse finalmente, voz baixa, quase pensativa —, mas tá torto e cheio de pentelho que você não tirou.
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