Capítulo 25
A minha depilação ia ficar pra depois. Terminei o melhor que pude com aquilo — curto, aparado, uma faixa fina no monte de Vênus, laterais limpas — tomei um banho rápido, a água morna escorrendo pela pele agora mais lisa ali embaixo, o jato batendo direto no clitóris sensível e me fazendo arrepiar de novo, mesmo sem querer. Saí do banho, me enxuguei, vesti jeans largo, camiseta básica, moletom por cima, tênis surrado. Prendi o cabelo num rabo de cavalo simples. Olhei no espelho: a mesma garota de sempre. Comum, invisível. Mas por dentro já sentia o calor subindo de novo, devagar, insistente.
No café da manhã ajudei o Jonathan com o dever de casa. Ajudei não, melhor: eu fiz tudo e deixei ele copiando. Ele sentou do lado, rabiscando rápido no caderno enquanto eu tomava café com leite e mordia um pão murcho. Íamos chegar atrasados na escola, então decidimos matar o primeiro tempo. Era mais fácil assim. Ninguém ia estranhar.
Chegamos na segunda aula, depois de explicar o atrasado na coordenação — “meu pai viajou cedo, as coisas atrasaram, mala, táxi, correria... Vocês sabem como são essas coisas...”. Essa desculpa era comum, ninguém questionava mais. Sentei no meu lugar de sempre, do lado do Lucas. Ele já estava lá, mochila aberta, caderno aberto, caneta na mão. Acho que ninguém mais reparou que eu estava atrasada ou algo do tipo. Eram poucas as pessoas que falavam comigo além de educação ou necessidade.
Ele, como sempre, começou a falar da namorada. Que ela isso, que ela aquilo. Em geral era reclamando dela — que ela cobrava demais, que ela brigava por besteira, que ela não entendia nada de jogo. Eu só ouvia, cabeça baixa, olhando pro caderno como se estivesse anotando alguma coisa. Não tinha muito a acrescentar. Nunca tive um relacionamento de verdade. Nunca tive alguém pra reclamar ou pra defender. Só ouvia, assentia de vez em quando, e por dentro imaginava como seria ter alguém que me tocasse do jeito que eu precisava, sem reclamar, sem cobrar. Mas eu não falava nada. Só escutava.
Quando o terceiro tempo terminou, eu senti aquela velha necessidade. O corpo pedindo pra ser tocado, a inquietação subindo do ventre pras coxas, o clitóris latejando baixo sob o jeans largo. Geralmente eu tinha um truque: colocava a mochila no colo, um braço entre as pernas e apertava devagar. Quem visse nunca ia imaginar que eu estava me apertando na frente de todo mundo. Eu gostava de fazer aquilo. Da sensação de perigo. Do risco de ser pega, mas ninguém percebendo. O professor ainda estava na sala, arrumando as coisas na mesa. Alguns colegas saíam, conversando alto. Eu fiquei sentada, mochila no colo, braço direito enfiado entre as coxas, apertando de leve contra o tecido grosso do jeans. O volume da mochila escondia tudo. Eu pressionava o monte de Vênus recém-aparado contra o braço, sentia o clitóris inchado roçando no tecido interno da calça, e aquilo mandava ondas quentes pela barriga.
Eu estava sentada do lado do Lucas. Ele ainda falava alguma coisa sobre a namorada, mexendo no celular, sem nem olhar pra mim. Eu apertava mais forte, devagar, sentindo o calor se espalhar, a buceta molhando a calcinha de novo. O jeans era grosso, mas eu conseguia pressionar o suficiente pra sentir cada pulsada. Mordi o lábio inferior, olhei pro quadro como se estivesse prestando atenção na lição que já tinha acabado. O perigo era bom. O risco de alguém virar e ver o braço no lugar errado, de alguém perceber que eu estava respirando mais rápido, que minhas bochechas estavam coradas. Mas ninguém percebia. Nunca percebiam.
Eu continuei apertando, devagar, ritmada, sentindo o prazer subir preguiçoso, morno, enquanto o Lucas continuava falando do lado, alheio a tudo. E eu pensava: se ele soubesse o que eu faço aqui do lado dele, bem na cara dele, o que ele ia fazer? Provavelmente nada. Ele nem notava que eu existia além de ser a menina quieta que sentava em uma posição esquisita. E isso, de algum jeito, me deixava ainda mais molhada.
Eu me levantei e sinalizei pro professor que ia ao banheiro e beber água. Ele mal olhou, só acenou com a cabeça, entediado com os alunos barulhentos. Eu sempre escolhia o banheiro do andar de baixo, aquele que o pessoal do meu andar — mais velho ou da mesma idade — nunca usava. Era mais vazio e mais seguro por que os mais novos não podiam ficar zanzando como a gente pela escola. Eu escolhia sempre a mesma cabine: a penúltima. Dentro do banheiro só tinha meninas bem mais novas, do fundamental, que me olhavam com aquele misto de admiração e curiosidade. Eu era a “mais velha”, a do ensino médio, e elas me achavam bonita, alta, madura. Eu conhecia bem aquele olhar — eu mesma já tinha olhado assim pras meninas mais velhas quando era menor. Mal sabiam elas que eu ia tocar uma bela siririca no banheiro delas.
Entrei na cabine, tranquei a porta com o trinco enferrujado. Baixei o jeans só até o meio das coxas, folguei a calcinha sem tirar, sem me sentar no vaso. Fiquei de pé, pernas um pouco abertas, uma mão apoiada na porta pra impedir que alguém forçasse a entrada. A outra mão desceu devagar entre as pernas. Os pelos recém-aparados roçavam na palma, a pele mais sensível do que o normal. Eu já estava úmida — o dia inteiro de pensamentos, o aperto na sala, o cheiro do Jonathan ainda na memória. Coloquei dois dedos sobre o clitóris, por cima da calcinha, e comecei a circular devagar.
No começo era só pressão leve, ritmada, sentindo o pontinho inchar sob o tecido fino. Cada volta mandava um arrepio morno subir pela barriga, arrepiar os seios pequenos dentro do moletom. Eu mordia o lábio inferior pra não deixar escapar som nenhum. A respiração ficava curta, pela boca, quente contra a porta. Aumentei um pouco a pressão, deslizando os dedos pra cima e pra baixo, agora sentindo a entrada molhada através da calcinha. O tecido grudava, escorregadio, e eu pressionava mais forte, esfregando o clitóris em círculos lentos, depois mais rápidos, depois lentos de novo.
O prazer subia preguiçoso, quente, concentrado ali no meio. Meu quadril se mexia sozinho, de leve, empurrando contra a mão. Os grandes lábios inchavam, a calcinha molhada colava na pele, e eu sentia cada pulsada do clitóris contra os dedos. Um calor se espalhava pela barriga, subia pros seios, endurecia os bicos contra o tecido. Eu apertava mais, circulava mais rápido, sentindo o corpo inteiro se preparar, os músculos das coxas tremendo, a barriga contraindo devagar. Estava perto. Muito perto. O clitóris latejava forte, a buceta pulsava no vazio, molhada escorrendo pela calcinha, molhando a parte interna das coxas.
Eu ia gozar. Ia gozar ali mesmo, de pé, no banheiro do fundamental, com a mão enfiada entre as pernas, o jeans na metade da coxa, o coração batendo na garganta. O prazer subia rápido, apertado, quase insuportável. Eu mordia o lábio com mais força, os olhos fechados, a testa encostada na porta fria. Mais um pouco. Mais um círculo. Mais uma pressão. Estava chegando. Estava quase lá. O corpo inteiro travou por um segundo, esperando o estalo final, a onda que ia me derrubar.
E então...
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