Capítulo 28
Eu estava muito feliz, mas muito mesmo. Eu tinha feito uma amiga nova! Val. Alguém que sabia do meu segredo e não fugiu correndo, não me chamou de suja, não contou pra ninguém. Ela até me chamou pra fazer algo juntas, coisas que pessoas normais fazem. Era um feito pra mim. Eu, que mal conseguia trocar duas frases com alguém sem sentir que estava atrapalhando, tinha conseguido trocar números, mensagens, risadas. Tinha conseguido ser vista.
Mas tinha algo que não deixava tudo bem.
O tesão descomunal crescendo no meio das minhas pernas como se tivesse vida própria. Sabe quando você tá apertada, e quanto mais perto você chega do vaso mais vontade dá? Era isso. Quanto mais perto eu chegava de casa, de me trancar no quarto, mais o corpo pediam latejava, molhava. O clitóris inchado roçando na costura do jeans largo, a calcinha grudando na pele, o calor subindo pela barriga toda vez que eu dava um passo. Eu queria dar. Queria me tocar. Queria gozar até esquecer que existia mundo lá fora.
E aí tinha o Lucas.
Ele andava do meu lado, mochila no ombro, falando do trabalho como se fosse a coisa mais importante do mundo. Eu olhava pra ele de canto e pensava: se ele falasse a menor gracinha, se ele encostasse em mim sem querer, se ele olhasse pra baixo e visse que eu estava respirando diferente… eu ficava pelada na hora. Colocava ele pra me comer ali mesmo, no sofá da sala, na cama do meu quarto, no chão se precisasse. Lembrei do Gustavo, daquele dia na escada, do jeito que eu me ajoelhei sem pensar duas vezes. Se o Lucas desse o menor sinal, eu fazia igual. Ou pior.
Mas ele não queria saber de mim. Falava do trabalho, do computador, da namorada que cobrava demais. Eu assentia, sorria de leve, mas por dentro o vazio crescia junto com o tesão. Ele não via. Ninguém via.
Saímos os dois da aula. Lanchamos perto da minha casa — um salgado murcho e refrigerante quente —, e chegamos no meu apartamento. Ele percebeu na hora que eu estava sozinha. Jonathan tinha ido pra casa da minha mãe, e o pai ainda viajava. A casa vazia, silenciosa, cheiro de desinfetante que meu pai deixou antes de sair. Lucas olhou em volta, meio sem graça.
— Seus pais não estão?
— Meu pai viajou, meu irmão tá na casa da minha mãe — respondi, tentando soar casual enquanto o coração batia na garganta.
Ele assentiu, mas eu vi o olhar dele mudar um pouquinho. Não era desejo, era só curiosidade, talvez desconforto. Mas pra mim era o suficiente pra imaginar tudo. Imaginei ele me encostando na parede do corredor, mão por baixo da camiseta, apertando meus seios pequenos. Imaginei eu abrindo as pernas na mesa da cozinha, deixando ele entrar fundo, sem esforço da minha parte, só recebendo. Imaginei o gozo dele dentro de mim, quente, viscoso, e depois o vazio que sempre vinha.
Mas ele não fez nada. Só perguntou onde era o computador.
Eu mandei mensagem pro Jonathan rápido, antes que ele chegasse:
“tô com um amigo do colégio fazendo trabalho. Se a mãe perguntar, diz que eu tô com amigas rezando ou sei lá”.
Ele respondeu com um “kkk pode deixar”, e um emoji de joinha. Ele sempre encobria.
Lucas sentou na cadeira da minha escrivaninha, abriu o notebook com aquele ar sério que ele sempre tinha quando falava de escola. Eu fiquei de pé atrás dele, bem perto, o suficiente pra sentir o calor do corpo dele subindo e misturando com o meu. Olhava a tela por cima do ombro dele, mas não via nada. Meu corpo inteiro pulsava. O tesão não ia embora. Só crescia e latejava forte entre as pernas, o clitóris gritando a cada respiração mais funda. Eu não sabia se queria que ele percebesse ou se queria que ele continuasse fingindo que não via. Talvez as duas coisas.
Ele era focado. Falava de como fazer melhor o trabalho, sobre o que pesquisar, digitava rápido, parava pra explicar alguma coisa da pesquisa. Nas pausas falava da namorada — que ela cobrava demais, que brigava por besteira, que não entendia o jogo dele. Eu assentia, murmurava um “é mesmo?”, mas minha cabeça estava longe. O vazio no peito misturado com o fogo lá embaixo. O corpo pedindo alívio. Pedindo toque.
Sem pensar muito, enfiei a mão direita por dentro do jeans. Devagar. O tecido largo facilitava. A calcinha já estava encharcada, grudando na pele. Passei os dedos por cima do clitóris inchado, por cima da calcinha mesmo, e comecei a circular devagar. Leve e ritmado. Cada volta mandava uma onda quente subir pela barriga, arrepiar os seios pequenos sob a camiseta larga. Eu mordia o lábio inferior pra não deixar escapar som nenhum. A respiração ficava curta, quente, pela boca aberta. Ele continuava digitando, falando baixo sobre fontes de pesquisa, sem virar. Ele não percebia, ou fingia que não percebia. Eu não sabia.
Aumentei a pressão. Deslizei os dedos pra baixo, sentindo a entrada molhada através do tecido fino. A calcinha grudava, escorregadia. Eu pressionava mais forte, esfregando o clitóris em círculos lentos, depois mais rápidos, depois lentos de novo. O quadril se mexia sozinho, de leve, empurrando contra a mão. Os grandes lábios inchavam, o molhado escorrendo pela calcinha, molhando a parte interna das coxas. O prazer subia preguiçoso, quente, concentrado ali no meio. Eu apertava mais, circulava mais rápido, sentindo o corpo inteiro se preparar, os músculos das coxas tremendo, a barriga contraindo devagar.
Ele parou de falar por um segundo. Virou levemente a cabeça, como se tivesse sentido algo.
Eu criei coragem. A voz saiu baixa, rouca, quase sussurrada:
— Lucas… você trairia sua namorada?
Ele congelou. Virou a cadeira um pouco, me olhando por cima do ombro, mas sem ver onde minha mão estava. Ele se espantou com a pergunta, mas era o assunto favorito dele, falar da namorada. Então, começou um monólogo automático — “não sei, depende, ela é legal mas às vezes… eu acho que não, tipo, eu gosto dela, mas se rolasse uma situação…” — palavras saindo em sequência, como se ele precisasse se convencer.
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