Capítulo 34
Uma pessoa normal quase sendo pega pela mãe dando pro irmão — se é que isso pode ser chamado de “normal” — ficaria gelada na hora. O tesão evaporaria, o coração ia disparar de pavor, as pernas iam travar de vergonha. Eu não.
O risco não cortou nada. Pelo contrário: jogou lenha na fogueira que já tava queimando baixo. Quanto mais perto ela chegava da porta trancada, mais meu corpo respondia com choques quentes subindo pelas coxas, o cu piscando vazio, a buceta contraindo sozinha como se quisesse chamar atenção. Não era tesão por ela, nem por ser pega pelos meus pais — isso seria doentio até pra mim. Era só… a adrenalina pura. A possibilidade crua de ser vista no meio do ato, sem filtro, sem mentira, sem poder esconder o que eu realmente sou. E eu não odiava aquilo. Não me dava nojo. Não me dava medo de verdade e só aumentava tudo.
A porta não podia mais ser trancada de novo. Minha mãe já tinha entrado no corredor, voz alta, reclamando do cheiro, do armário bagunçado, de qualquer coisa que desse pretexto pra chegar mais perto. Eu ainda escorria pelas pernas — um fio grosso e quente descendo pela parte interna da coxa direita, pingando devagar no chão de taco. O clitóris latejava exposto dentro da calcinha embolada, os grandes lábios inchados roçando no jeans mal fechado. Meu corpo inteiro dava tremedeira fina, choques elétricos que subiam da barriga até a nuca. Eu precisava terminar. Precisava gozar de novo, nem que fosse rápido, nem que doesse.
Olhei pros lados desesperada, procurando qualquer canto, qualquer brecha. Debaixo da cama? No guarda-roupa? No banheiro? Nada fazia sentido. Ela ia ouvir. Ia sentir o cheiro. Ia perceber que eu tava ofegante, pálida, com as pupilas dilatadas e o jeans manchado na virilha.
Meu irmão, por outro lado, nunca perde a linha. Enquanto eu ficava ali paralisada feito bicho acuado, ele já tinha ligado o modo sobrevivência. Olhou rápido pra porta entreaberta, calculou algo mentalmente, e falou baixo, num sussurro afiado:
— Esquisita, corre pro banheiro agora. Termina sozinha rápidinho. Eu dou um migué, falo que vou comprar refrigerante pra acompanhar a pizza. Passo na farmácia no caminho e trago o lubrificante. Tá?
Eu pisquei, ainda zonza, o corpo tremendo de antecipação e frustração.
— Tá… mas não demora.
Ele já tava pegando as chaves e o cartão na cômoda, enfiando no bolsa da bermuda com pressa.
— Depois que a gente comer, ela vai tomar os remédios, reclamar do pai, deitar no sofá e apagar em meia hora. Só não pode ser escandalosa, Nicole. Se gemer alto, acabou a brincadeira.
Ele abriu um sorriso torto, daqueles que misturam safadeza e cumplicidade, e gritou pro corredor antes mesmo de eu responder:
— Mãe! Já volto, vou pegar um refrigerante gelado ali na padaria!
A voz dela veio da cozinha, meio irritada, meio aliviada:
— Compra de dois litros, não vem com latinha que não dá pra ninguém! E traz um pudim também!
Ele piscou pra mim uma última vez — rápido, cúmplice — e sumiu porta afora. O barulho dos chinelos dele ecoou no corredor vazio.
Fechei a porta do quarto com cuidado, sem trancar. Corri pro banheiro do corredor na ponta dos pés, tranquei por dentro e encostei as costas na pia fria. O espelho embaçado devolveu uma versão minha que eu mal reconhecia: olhos vidrados, boca entreaberta, bochechas vermelhas, testa suada, jeans aberto na frente com uma mancha escura crescendo na virilha.
Baixei tudo de novo — calça, calcinha, tudo embolado nos tornozelos. Abri as pernas o máximo que o espaço permitia, uma delas apoiada na borda da pia. A buceta ainda pulsava, vermelha, inchada, brilhando de molhado. O cu apertava e soltava sozinho, lembrando do vazio que o dedo do Lucas tinha deixado mais cedo.
Enfiei três dedos de uma vez na frente, sem preliminar, sem dó. A buceta se abriu fácil, escorregadia, quente, apertando em volta deles como se tivesse saudade. Curvei forte, batendo no ponto que me fazia ver faíscas. A outra mão foi pro clitóris — polegar pressionando, circulando rápido, quase com raiva.
Eu mordi o antebraço pra abafar o gemido. O som molhado dos dedos entrando e saindo era alto demais pro banheiro pequeno. O prazer subiu rápido, violento, misturado com o medo de ela bater na porta a qualquer segundo.
“Vai, vai, vai…” — pensei, quadril empurrando contra a mão, coxas tremendo.
O orgasmo veio em menos de um minuto. Curto, mas forte o suficiente pra me deixar tonta por uns segundos. A buceta contraiu em espasmos secos, apertando meus próprios dedos até doer um pouco, o clitóris latejando sob o polegar como se quisesse explodir de novo. Molhado escorreu pela palma da mão, grosso e quente, pingou no chão frio do banheiro em gotas que fizeram barulhinho discreto. As costas arquearam sozinhas, a cabeça bateu de leve no espelho embaçado. Um gemido rouco escapou entre os dentes, abafado pelo antebraço que eu mordia com força pra não deixar nada vazar pro corredor.
Quando o tremor passou, tirei os dedos devagar, sentindo cada centímetro deslizar pra fora, as paredes internas ainda pulsando em espasmos vazios. O vazio voltou maior que antes, como sempre voltava. Olhei pro teto rachado do banheiro, ofegante, pernas moles, o jeans embolado nos tornozelos. Por um segundo quase me senti saciada. Quase. Mas aquilo nunca durava mais que uns minutos. A cabeça já viajava: Lucas e o pau pequeno que não chegava no fundo certo, Gustavo me comendo de pé na escada do condomínio sem dizer uma palavra, Fabiano com aquele cheiro de suor e graxa de moto que me deixava idiota, e agora meu irmão — o jeito que ele olhava pra mim quando a gente ficava sozinhos, a boca ainda molhada do meu gosto, o pau duro marcando na calça só de falar em lubrificante. Não via a hora dele voltar. O cu piscava sozinho, ansioso, lembrando do dedo dele mais cedo, da pressão cheia que me fez gozar de um jeito novo e sujo.
Olhei pro espelho e vi o estrago. Cabelo desgrenhado saindo do rabo de cavalo, rosto vermelho, olhos vidrados, bochechas suadas, uma espinha inflamada na testa que eu nem tinha notado antes. Jeans com mancha escura na virilha, calcinha grudada na pele, coxas brilhando de molhado. Um lixo completo. Me limpei como deu: papel higiênico áspero roçando o clitóris sensível demais, me fazendo dar um estalo baixo de dor misturada com tesão residual. Joguei o papel no vaso, lavei as mãos rápido, subi a calcinha e o jeans sem me importar se tava limpo ou não. Precisava voltar pro quarto, terminar de arrumar aquela bagunça de roupas no armário antes que a mãe entrasse de novo reclamando do cheiro ou da bagunça.
Quando cheguei no quarto, o celular vibrou na cama. Val. Claro que era ela. Abri rápido só pra ver:
“olha esse vídeo, a mina goza gritando igual você no banheiro, risos”
Ri baixo, daqueles risos sem som, só o ar saindo pelo nariz. Respondi com três emojis de risada e um “sua doida”. Nem abri o vídeo. Sabia que se visse ia ficar pior. Já tava com o corpo quente de novo, o clitóris dando uma pulsadinha fraca só de imaginar o que tinha lá dentro. Aquilo ia foder minha vida. Me deixar com mais vontade exatamente agora, num momento que eu não estava bem, que eu precisava respirar, tomar banho decente, fingir normalidade antes da pizza chegar e da mãe apagar no sofá depois dos remédios.
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