Capítulo 35

Eu meio que terminei de arrumar o armário quando ouvi a chave na porta. Meu irmão voltou, e junto com ele, o entregador obrigando ele a descer de novo para buscar. Ele não reclamou de nada — só largou a sacola na mesinha da entrada, deu um “já volto” rápido e desceu de novo pra portaria pegar a entrega lá embaixo. Eu corri pra cozinha arrumar a mesa: pratos, talheres tortos e guardanapos. Minha mãe já tava na sala, braços cruzados, olhando pra mim como se eu fosse um problema ambulante.

— Nicole, olha só como você se veste. Já é mulher e parece um homem. Esse jeans largo, essa camiseta velha… e esse cabelo gorduroso! Quando foi a última vez que você lavou direito?

Eu ouvia tudo de costas, dobrando guardanapo em triângulo pra disfarçar. Aquilo já não machucava tanto quanto antes — incomodava, claro, mas eu tinha aprendido a abstrair. Era como se as palavras dela passassem por mim sem entrar de verdade. Eu só murmurava um “tá bom, mãe” baixo, sem olhar nos olhos dela. Quando ela chegou mais perto e soltou, nariz franzido:

— Meu Deus, você tá fedendo. Que cheiro é esse?

Eu quase ri na cara dela. Um riso nervoso, daqueles que sobem pela garganta e ameaçam explodir. Minha vontade era gritar: “Seu filho preferido tá com o mesmo cheiro, mãe. Cheiro de sexo, de buceta molhada, de boca que chupou até agora há pouco”. Mas eu engoli. Meu nariz era bom, mas o dela era divino — católico, afiado pra pecado. Ela sentiu, mas não entendeu. Ainda bem.

Jonathan voltou com as caixas de pizza, largou na mesa e sentou do meu lado. O jantar inteiro foi assim: ele implicando comigo, fazendo coro com a mãe. “É mesmo, Nicole, você podia se arrumar mais”, “olha essa cara de sono, parece que não dorme há dias”. Ele falava com aquele tom de irmão chato de sempre, rindo pelos cantos da boca, olhos brilhando de malícia. Eu entendia na hora. Era teatro. Ele tava se comportando exatamente como sempre fez — perturbando, zoando, sendo o filho extrovertido que ela adorava. Ninguém ia desconfiar de nada. E o pior: ele se divertia de verdade. O maior prazer da vida dele era me ver vermelha, quieta, engolindo seco enquanto ele cutucava.

Minha mãe, no meio da pizza, soltou a bomba:

— Sabe, eu tô me interessando por um homem do trabalho. Um auxiliar administrativo novo. Ele é educado, vai à missa…

Eu parei de mastigar. Olhei pro prato. Não era novidade de namoro, era armadilha. Ela queria que a gente contasse pro pai. Queria ciúme, queria que ele ligasse correndo, implorando pra voltar. Ela disse “interessada”, não “namorando”. Isso denunciava tudo. Ela queria ver meu pai ouvir e sofrer — pelo menos era o que ela queria. Eu só assenti, murmurando um “que bom, mãe”. Jonathan deu um sorrisinho discreto pro meu lado, como quem diz “viu só?”.

O tempo todo eu olhava pra ele de canto, tentando ver se tinha alguma sacolinha de farmácia escondida. Nada. Nem na mão, nem no bolso da calça, nem debaixo da camisa. Será que ele tinha colocado no cós? Ou esquecido? A ideia de esperar mais doía no cu — uma dorzinha fina, ansiosa, que apertava e soltava sozinha. O lubrificante era a única coisa que eu pensava agora. O resto era ruído.

O jantar terminou. Minha mãe foi pra pia lavar a louça, resmungando que “ninguém ajuda nessa casa”. Jonathan largou o prato sujo na mesa e sumiu pro quarto. Eu fui pro banheiro tomar banho. Água quente caindo forte, lavando o suor, o molhado seco nas coxas, o cheiro que ainda grudava na pele. Me ensaboei devagar, dedos passando pelo clitóris sensível — ainda inchado, ainda latejando baixo —, tentei me tocar de novo, afinal banho sem siririca não é banho! Mas, não veio. Não funcionou.

Quando saí do banho, enrolada na toalha velha, minha mãe veio pelo corredor. Me deu um beijo na testa, seco, rápido, e soltou:

— Você precisa ir se confessar, Nicole. Esse peso que você carrega… Deus vê tudo.

Ela foi pro quarto com um copo d’água cheio na mão — remédios. Sabia que em meia horinha ela apagava , TV ligada em algum canal católico, roncando alto .

Agora era esperar.

Vocês devem estar se perguntando: por que não faz isso na casa do seu pai, onde você tem todo o tempo do mundo e fica sozinha quase sempre? Por que aqui, na casa da mãe, com ela do lado?

Porque eu não aguentaria esperar até amanhã.

Esse fogo não espera. Ele queima agora. E quando queima, queima tudo. O cu piscando de antecipação, a buceta ainda úmida, o vazio no peito pedindo pra ser preenchido. Eu precisava. Precisava agora. E meu irmão ia trazer o que eu precisava.

Mais meia horinha. Só isso.

Sentei na beira da cama do nosso antigo quarto, toalha ainda enrolada no corpo, cabelo pingando gotas frias que escorriam pelas costas e molhavam o lençol velho. O silêncio da casa pesava nos ouvidos, quebrado só pelo som da TV no quarto da minha mãe — algum padre falando baixo sobre redenção e tentação, voz monótona que eu já conhecia de cor. Ela sempre assistia uns vinte minutos, bocejava, tomava o último gole d’água com os remédios e apagava. Sempre apagava.

Sequei o cabelo na toalha da melhor forma que dava, sem pressa, sentindo as pontas molhadas grudarem na nuca e nas costas. Larguei a toalha no chão, abri a gaveta de baixo da cômoda e peguei uma camisola — fina, branca, comprida até o meio da coxa, daquelas que a mãe comprava “pra dormir decente” e que eu usava só pra não ouvir sermão. Não vesti calcinha por baixo. Não fazia sentido. O tecido leve colou direto na pele ainda quente do banho, roçando de leve nos grandes lábios inchados que ainda latejavam baixo, no cu que apertava e soltava sozinho toda vez que eu pensava no lubrificante. Cada movimento fazia a camisola subir um pouco pelas coxas magras, o ar fresco batendo na buceta molhada, me deixando mais inquieta sem eu nem precisar tocar.

E a porta abriu.