Capítulo 36

Ele entrou como um gato na ponta dos pés, embora nem precisasse — a gente dividia aquele quarto desde que ele nasceu. Mas ele tinha aquela cara de quem tá fazendo travessura grande, olhos semicerrados, boca meio torta num sorriso que não chegava a ser inocente. Parou na porta, espiou o corredor escuro, ouviu o ronco baixo e ritmado que vinha do quarto da mãe — aquele som que a gente já conhecia de cor, sinal de que os remédios tinham feito efeito. Só então se esgueirou pra dentro, fechou a porta devagar e virou a chave na fechadura. O clique foi baixo, mas ecoou no silêncio como se fosse alto demais.

Veio até mim, sentou na beira da cama. Levantou a barra da blusa velha que usava como pijama e tirou um tubo pequeno de dentro da cueca boxer. Entregou pra mim como se fosse um troféu.

— Aqui.

Eu peguei, sentindo o plástico frio na palma da mão. Olhei pra ele, surpresa.

— Jonathan, você tá com isso na cueca esse tempo todo?

Ele riu baixo, daqueles risos roucos que saem pelo nariz.

— Não, sua burra. Nós contrabandistas temos as nossas técnicas. Eu tenho anos de experiência trazendo coisas escondidas pra dentro de casa.

— E onde tava isso então? Por que não entrou com isso logo?

— Então… sabe a caixa de correio do apartamento que os velhos que moravam lá morreram? Eu escondo lá. Quando a coisa aqui tá limpa, eu vou lá e pego.

Esse era o meu irmão. Malandro que só. Sempre um passo à frente, sempre com um plano B, C e D. Eu ri sem som, balançando a cabeça, mas o riso morreu rápido na garganta quando ele mudou o tom.

— E aí, como vai ser? — perguntou, voz pesada de repente, olhando direto nos meus olhos. Achando que talvez eu desistisse no último segundo.

Eu olhei pro tubo, fingindo ler a embalagem com atenção. “Gel lubrificante íntimo. À base de água. Sem parabenos.” Letrinhas miúdas que eu mal conseguia focar porque o coração batia na cara. Pra mim era simples: era só enfiar. O mundo — os vídeos, as conversas que eu ouvia de canto, as fofocas da Val — dizia que tinha técnica, posição certa, preparação, respiração, relaxamento, um monte de coisa que eu não fazia ideia. Eu não sabia nada daquilo. Nunca tinha precisado saber. Sempre foi só abrir as pernas e deixar acontecer.

— Sei lá… a gente descobre — respondi, esticando o pescoço pra olhar a porta trancada. — Ela dormiu?

— Se não dormiu, tá quase, dá para ouvir uns roncos. — Ele ficou quieto um segundo, depois soltou, meio malicioso: — A gente pode ir começando até ela empacotar de vez.

Eu ri de novo, mas dessa vez o riso saiu acompanhado de um estalo quente no meio das pernas. Não foi daqueles acesos devagar, quando você vê um menino bonito passar ou lembra de algo rápido. Foi como se alguém tivesse aberto uma comporta. Uma cartada inteira escorrendo de uma vez só. A buceta ligou na velocidade máxima, molhou tudo num segundo, latejando forte, os grandes lábios inchando contra a camisola fina, o clitóris pulsando como se tivesse vida própria. O corpo inteiro deu um arrepio longo, da nuca até os pés. A camisola já grudava na pele úmida entre as coxas, o tecido leve virando uma segunda pele escorregadia.

E uma coisa rápida, que eu sei que vocês estão achando estranho: eu nunca beijei meu irmão na boca. Nunca. E por quê? Não era porque eu achava errado — pecado, incesto, essas coisas de moral. Não. Era simplesmente porque não me dava vontade. Zero. Ele era meu irmão. O cheiro dele, o jeito dele, o corpo dele me excitavam pra caralho quando a coisa era sexo puro, mas beijo na boca? Nada. Era como se aquela parte ficasse bloqueada. Eu tinha pensado nisso várias vezes, sozinha no quarto, e sempre chegava na mesma conclusão: na hora, se bater a vontade, eu faço. Dessa vez, ou não bateu, ou a ansiedade não deixou espaço pra esperar. O fogo já tava alto demais.

Corri pra porta na ponta dos pés, verifiquei a tranca duas vezes — chave virada, clique firme —, e voltei rápido. Parei na frente dele, voz baixa, mas firme dando a ordem:

— Anda! Cadê? Coloca ele pra fora…

Meu irmão sorriu torto, daqueles sorrisos que começam no canto da boca e vão subindo pros olhos. Tirou a bermuda e a cueca boxer juntos num movimento só, jogou no chão e se sentou mais confortavelmente na cama, encostado na cabeceira, pernas abertas. Eu prendi o cabelo no rabo de cavalo simples, olhando ele se despir inteiro. Fiquei parada um segundo, admirando. Adorava o pau dele quando ainda tava mole. Grosso, pesado, pendurado entre as coxas, a pele macia, a cabeça rosada meio escondida. Sabia que em poucos segundos ele ia crescer na minha mão, pulsar, pingar aquela gotinha clara na ponta, cheirar a sabonete misturado com o cheiro dele — quente, masculino, familiar.

Me ajoelhei na cama, aninhei entre as pernas dele, mãos apoiadas nas coxas firmes. Comecei devagar, beijos leves: primeiro na virilha, pele quente e macia, depois no saco, sentindo os pelos curtos roçando meus lábios. Subi pro membro ainda mole, beijando devagar da base até a cabeça, língua saindo só pra provar o gosto salgado que já começava a aparecer. Ele deu um suspiro baixo, mão no meu cabelo, não puxando, só segurando o rabo de cavalo como quem diz “vai no teu ritmo”.

Interrompi só pra olhar pra cima, olhos pesados e pedir:

— Irmão… não goza, tá? Guarda pra gozar na minha bunda?

Ele riu baixo, rouco, o pau dando um pulinho na minha mão só de ouvir aquilo.

— Você acha que eu ia negar, esquisita?

Eu tinha ficado com aquilo na cabeça o dia inteiro. Gostava de sentir gozo dentro de mim — o homem tremendo, desfalecendo, o pau pulsando forte enquanto jorrava quente, tirando toda a sensibilidade de uma vez. Depois, quando diminuía devagar, escorria pra fora, deixando um rio viscoso, grosso, descendo pelas minhas coxas, pingando no lençol. Era delicioso. O calor, o cheiro, a sensação de estar marcada por dentro. Eu amava aquilo. E agora queria no cu. Queria sentir o jato ali, fundo, enchendo, escorrendo devagar quando ele saísse.