Capítulo 40

Dar a bunda virou a minha nova obsessão.

Eu havia descoberto um buraco perfeitamente funcional, quente, apertado e insaciável, capaz de me dar um prazer que eu nunca imaginei que existia. Naquela primeira semana, eu dava o cu pelo menos duas vezes por dia. De manhã ou à noite, pro meu irmão e pro Fabiano. Gustavo apareceu uma única vez e também comeu minha bunda sem cerimônia. Dei pra todos eles, sem hesitar, sem pudor.

Com o Jonathan era mais fácil e mais viciante. Não precisava de preliminares longas, nem de conversa. A gente trancava a porta, eu chupava ele até ficar duro ou ele me chupava rápido só pra me deixar molhada o suficiente. Depois eu ficava de quatro, empinava a bunda e ele metia direto. Uma foda só, bruta, sem enrolação. Quando ele gozava dentro, quente e grosso, eu me sentia momentaneamente satisfeita. O vazio voltava em poucas horas, mas por aqueles minutos… eu respirava.

Só que na segunda semana tudo começou a mudar.

Jonathan ficou diferente. Distante. Quando eu chegava perto dele, roçava a mão na coxa dele ou sussurrava que estava molhada, ele dava desculpas. “Tô ocupado”, “Tenho treino”, “Depois”. E passou a sair mais de casa, voltando tarde, cansado, sem aquele brilho safado nos olhos de antes. Eu percebi rápido: ele não queria mais me comer como antes. Agora parecia que estava me fazendo um favor. Um favor que começava a pesar.

Não aguentei. Um dia, na casa do pai, eu o cerquei no quarto dele. Entrei, fechei a porta e virei a chave. Não dei rota de fuga pro malandro.

— Jonathan… o que houve? — perguntei baixo, encostada na porta. — Você não tá querendo mais transar comigo? Tá se sentindo mal?

Ele estava sentado na cama, jogando no celular. Levantou o olhar devagar, quase culpado. Suspirou.

— Não sei, Nicole… sei lá. Eu tô começando a ficar cansado. Você quer duas vezes por dia… se eu deixar, vira três, quatro… e eu canso, caralho. Você não enjoa nunca?

A pergunta ficou suspensa no ar.

Se eu enjoava?

Na minha cabeça a resposta foi imediata, cristalina e assustadora: não. Eu não enjoava. Pelo contrário. Quanto mais eu fazia, mais eu queria. Não era só quantidade. Eu estava entrando numa fase em que precisava de mais. Do diferente, de coisas novas, de ser desafiada, de mais.... gente. Qualquer cara que eu via na rua, no ônibus, na padaria… eu imaginava o pau dele. Imaginava ele me comendo, me arrombando, gozando dentro de mim. E o resultado era sempre o mesmo: a calcinha encharcada, o clitóris latejando, o cu piscando de desejo.

Engoli seco. Era a primeira vez que eu falava aquilo em voz alta.

— Irmão… eu acho que eu sou doente. Eu fico com vontade o dia inteiro.

As palavras saíram roucas, quase um sussurro. Eu nunca tinha confessado aquilo pra ninguém. Nem pra mim mesma com tanta clareza.

Jonathan me olhou com uma mistura de pena e surpresa. Ficou em silêncio por alguns segundos, processando. Depois coçou a nuca, como sempre fazia quando não sabia direito o que dizer.

— Então… a gente tem que arrumar alguém que dê conta de você. Porque pelo visto o Fabiano também não tá aguentando.

Eu soltei um riso curto, sem graça.

— Coitado… ele não aguenta nada mesmo. Você aguenta mais que ele.

— Sério? — ele perguntou, meio bobo, o peito inflando de orgulho masculino idiota.

— Uhum.

Confirmei, balançando a cabeça devagar.

Na verdade os dois eram iguais. Nenhum dos dois dava conta de mim de verdade. Meu irmão só era mais do meu jeito: obediente, disponível, carinhoso na hora certa. Mas mesmo ele já estava chegando no limite.

— Na tua escola não tem ninguém afim de você? Você é bonita, irmã!

Ele falou aquilo com um sorriso fácil, daqueles que ele dava quando queria me animar ou quando queria fugir do assunto sério. Eu baixei os olhos pro chão do quarto dele, sentindo o peso familiar daquilo que todo mundo já tinha me dito alguma vez ou outra. Bonita. Talvez. Mas bonita de um jeito que ninguém reparava. Sem graça. Sem sal. Sem nada que fizesse os garotos virarem a cabeça duas vezes.

As meninas da turma me zoavam pelas costas — ou às vezes na cara mesmo — porque eu não pintava o cabelo, não usava batom, não ria alto das piadas idiotas delas, não postava selfie de biquíni no Instagram. Eu era a “esquisita quieta”, a que sentava na frente e nunca pedia pra ir ao banheiro junto. E isso afastava os garotos. Eles preferiam as barulhentas, as que davam risada fácil, as que mostravam um pouco mais. Eu não mostrava nada. Nem precisava. Meu corpo era magro demais, sem curvas que chamassem atenção, seios pequenos que mal marcavam na camiseta larga, quadris estreitos que sumiam dentro do jeans folgado. Eu era invisível. E gostava de ser, na maior parte do tempo. Mas quando o desejo batia, aquela invisibilidade virava um vazio que doía.

— Não tem ninguém, não que eu saiba — respondi baixo, sem olhar pra ele.

O Lucas nem contava mais. Depois que eu dei um chá de buceta bem dado e soltei uma maldade enorme, ele nunca mais sentou do meu lado na sala. Nem olhava na minha cara. Coitado. Mas eu não sentia culpa.

Agora eu não andava mais tão sozinha na escola só porque tinha a Val. Ela era diferente. Não me julgava. Não perguntava demais. Só ficava ali, trocando mensagem safada de vez em quando, rindo baixo quando eu contava alguma coisa suja. Era o mais próximo que eu tinha de uma amiga. Mas amiga não enchia o cu nem gozava na minha boca. Amiga não resolvia o fogo que queimava o dia inteiro.

Jonathan ficou em silêncio um tempo. Fez aquela cara dele: sobrancelha franzida, boca torcida de lado, pensando alto. Era a cara de quando ele bolava um plano e tentava calcular todos os riscos antes de abrir a boca. Depois de uns segundos ele suspirou, coçou a nuca e falou:

— Irmã, o problema é que meus amigos são todos virjolas. Se um deles te come, vai contar pro colégio inteiro em menos de uma hora. E isso vai ser um problema.

Problema?