Capítulo 42

Quando senti que estava perto, parei um segundo. Tirei os dedos devagar, sentindo cada centímetro deslizar pra fora, as paredes internas ainda pulsando em espasmos vazios. Eles brilhavam, grossos de molhado, fios transparentes pendurados entre os dedos. Sorri sozinha, tímida, satisfeita. Peguei o celular da mochila com a mão esquerda, abri a câmera, enquadrei os dedos molhados contra a luz fraca da cabine. Clique. A foto ficou perfeita: dedos brilhando, pele clara, gotas escorrendo. Mandei pra Val na hora, com uma legenda curta:

“achei um lugar melhor pra tocar siririca hoje. escola vazia, ninguém pra atrapalhar. olha o estrago kkk”

Enviei. Guardei o celular no bolso do moletom e voltei pros dedos. Agora mais rápido. Polegar no clitóris circulando forte, dois dedos entrando e saindo ritmados, curvando pra bater no ponto certo. O prazer subiu rápido dessa vez, apertado, quase doloroso de tão intenso. A barriga contraiu, os seios doeram de tão duros, a nuca arrepiou inteira.

Meus gemidos saiam baixos, contidos pela garganta fechada: “ah… hmm… ahh…” — moles, curtos, abafados no ombro que eu mordia de leve. O corpo travou por um segundo inteiro. Depois veio o orgasmo, silencioso mas violento. A buceta apertou forte em volta dos dedos, pulsando em espasmos profundos, molhado jorrando quente pela palma, escorrendo pelas coxas magras até pingar no chão frio. As pernas tremeram, as costas arquearam sozinhas contra a divisória, um calor subiu rápido do ventre pra nuca, pros bicos latejando, pros olhos marejados de prazer. Fiquei ali parada, ofegante, sorrindo mole, feliz por uns segundos. Feliz de verdade com o meu lugar secreto. Só existia aquela sensação boa, quente, presente.

Mas aí veio a voz.

— Ei! Tem alguém aí dentro? Se veste e sai da cabine agora!

A voz de homem ecoou no banheiro inteiro de forma alta e autoritária.

Meu coração disparou na garganta. Um medo gelado misturado com vergonha queimando o rosto. Os dedos ainda dentro de mim, molhados, escorregadios. Tirei eles rápido sentindo o vazio foi imediato quase cruel. Levantei tremendo, subi a calcinha e o jeans às pressas, o tecido grudando na pele úmida, na buceta sensível. Ajeitei o moletom, prendi melhor o rabo de cavalo com as mãos suadas. O cheiro subia forte: molhado, doce, sexo puro.

Abri a porta da cabine devagar, olhos baixos, rosto vermelho, bochechas queimando. O professor Celso estava lá fora, braços cruzados, olhando feio.

— O que você tá fazendo aqui sozinha, eu posso saber?

Eu engoli em seco, a garganta seca como papel de lixa. Tentei falar alguma coisa, qualquer coisa, mas as palavras travaram na boca. O corpo inteiro tremia — nervoso, medo, tesão misturados num nó apertado no peito. As coxas ainda úmidas, o clitóris latejando baixo dentro da calcinha grudada, o coração batendo tão forte que eu sentia na garganta.

— Pega suas coisas e me segue.

A voz dele saiu baixa, firme, sem gritar. Eu obedeci na hora. Sempre obedecia quando alguém mandava. Peguei a mochila do gancho com as mãos ainda trêmulas, o tecido áspero roçando nos dedos molhados. Saí da cabine atrás dele, olhos baixos, passos curtos e rápidos, como se qualquer movimento errado pudesse fazer tudo desabar.

O professor Celso era um quarentão alto, pele bronzeada e ressecada de sol, corpo forte de quem ainda joga bola todo fim de semana. Barba bem feita, cabelo curto bagunçado, e aquela calça de tactel cinza apertada que ele insistia em usar nas aulas. O volume marcava grosso, evidente, e as meninas mais velhas — as que gostavam de homem feito — cochichavam sobre isso nos intervalos. Eu nunca tinha olhado direito antes. Agora não conseguia parar.

Ele foi andando pro lado oposto dos banheiros, embaixo da arquibancada. Ali tinha uma salinha apertada que os professores de educação física usavam como estoque e escritório improvisado. Portas velhas, cheiro forte de borracha de bola, couro de bola de vôlei, suor antigo. Equipamentos empilhados nos cantos: cones laranja, cordas, colchões finos de ginástica, uma mesa pequena com papéis amassados. Ele apontou uma cadeira de plástico em frente à mesa e encostou a porta sem trancar. O clique baixo ecoou no espaço pequeno.

— Nicole, seu nome, né?

— Sim, senhor — respondi baixinho, olhos grudados no chão rachado. Morrendo de medo que ele ligasse pra minha mãe, que contasse que me pegou no banheiro feminino me tocando, que a culpa católica dela me engolisse de vez.

— O que você estava fazendo na cabine? Não mente pra mim. Eu ouvi muito bem.

Eu não era burra. Ele não ia me acusar sozinho. Protocolo da escola: homem não entra sozinho em banheiro feminino. Se desconfiasse de algo errado, chamava uma mulher, uma coordenadora, alguém. Se ele me trouxe pra cá, porta encostada, sem ninguém por perto… não era pra me punir.

Era pra outra coisa.

Olhei de relance pra porta. Olhei pro volume na calça dele — grosso, marcando mais agora que ele estava parado, respirando pesado. O tesão venceu o medo num segundo. Sorri por dentro, sem deixar transparecer. Deixei o desejo falar mais alto.

— Eu estava tocando uma siririca quando o senhor entrou. E tinha gozado duas vezes sabe? E ainda quero a terceira. — Falei do jeito mais puta que eu sabia.

As palavras saíram baixas, roucas, sem gaguejar. Eu olhei direto nos olhos dele pela primeira vez. Ele ficou mudo. Boca entreaberta, pupilas dilatadas, o peito subindo e descendo rápido. Não esperava isso. Ninguém esperava de mim — a menina quieta, invisível, de jeans largo e moletom folgado.

Ele engoliu em seco. Mudo. A mão dele foi pro volume na calça, apertando de leve como se quisesse confirmar que aquilo era real. O silêncio pesou no ar quente da salinha e ele ficou mudo.

— Se o senhor quisesse me punir teria me levado para a secretaria do colégio, me trouxe para cá por que? o senhor quer comer uma aluninha?

Eu gostei demais de ver aquilo. O grandalhão, aquele professor forte que todas as meninas olhavam de canto de olho, agora estava intimidado. Por mim. A magrela mirrada, olhando pra cima com olhos pesados e um sorriso que mal aparecia. O xeque-mate tinha sido perfeito. Ele tentou se recompor, mas a voz saiu fraca, quase choramingando:

— Eu vou ligar pros seus pais.