Capítulo 58

Ele ficou quieto, mas percebi que não acreditou completamente. Preferiu não insistir. Saí do box primeiro, pegando a única toalha limpa que tinha sobrado. Me enrolei nela, o tecido áspero roçando nos bicos ainda sensíveis.

— Espera aí que eu vou pegar uma toalha pra você, tá?

Corri pro quarto, o coração ainda batendo acelerado. Peguei o celular na cabeceira e disparei uma mensagem pro Fabiano antes que ele resolvesse aparecer:

“Desculpa, hoje não vai rolar. Vou ter que estudar com uma amiga e vou ficar presa. Quando acabar eu te ligo.”

Enviei e bloqueei a tela rapidinho e coloquei o celular de volta no lugar, peguei outra toalha no armário e voltei pro banheiro. Felipinho estava lá, pingando, o pau meio mole ainda brilhando de água. Entreguei a toalha pra ele, que secou o corpo devagar, me olhando de canto com aquele sorrisinho curioso.

Enquanto ele se enxugava, eu me apoiei na pia, sentindo o vazio familiar voltar devagar. O tesão nunca dormia de verdade. Mesmo depois de ter sido comida pelo professor, dedada pela Val, fodida pelo Felipinho... ainda tinha espaço pra mais. Meu corpo parecia sempre pronto, sempre pedindo. Fiquei ali quieta, observando ele, o rabo de cavalo molhado colado nas costas, o olhar pesado de sempre.

— Caramba, não parece que foi tão bom pra você. Por que você ficou quieta assim do nada? — ele perguntou, ainda com aquela cara de menino preocupado.

Eu olhei pro lado, evitando os olhos dele. Não sabia o que responder. A verdade era complicada demais pra colocar em palavras.

— Nada... eu já falei, foi ótimo — murmurei, voz baixa. — É que eu sou esquisita. Só tô com vergonha, sei lá.

Mentira. Sempre fui péssima mentindo. Meu tom saiu sem graça, quase robótico. Ele não insistiu, mas eu vi que não engoliu completamente.

Saí do banheiro e vesti um vestido branco simples que eu quase nunca usava. Era de quando eu era mais nova — meu pai tinha me dado num aniversário qualquer, daqueles raros momentos em que ele lembrava que eu existia. Cresci e ele ficou curto, mal cobrindo a metade das coxas magras. Minha mãe surtaria se visse: “vestido de puta”, ela diria, e já teria virado pano de chão. Mas eu gostava dele justamente por ter vindo do meu pai. Era uma das poucas coisas que ele me deu assim diretamente.

Felipinho terminou de se vestir e nós dois nos jogamos na cama, conversando. Ou melhor, ele conversando. Falava de memes, de um universo de internet que eu não conhecia nem ligava. Eu respondia com monossílabos, olhando pro teto, o corpo ainda quente e inquieto. Por fora eu parecia distante, indiferente como sempre. Por dentro, só pensava em quando ia poder dar pra ele de novo. O tesão não tinha baixado nem um pouco.

— Menino... eu não te perguntei. Você tem namorada? — soltei de repente, virando o rosto pra ele.

— Namorada? O que é isso? Isso existe hoje em dia pra pessoas da minha idade? Ninguém tem isso não — respondeu ele, rindo, fazendo piada.

Eu olhei pro rosto dele, cismada, procurando qualquer sinal de mentira. Não encontrei.

— Então... se eu quiser, eu posso te chamar de novo? — disparei, direta.

Ele quase engasgou. Eu era tímida pra caralho no dia a dia, mas quando o assunto era sexo, às vezes saía atrevida sem nem perceber.

— Você tá querendo combinar de transar mais? — perguntou ele, surpreso.

— Sim... eu queria... — falei vacilante, com aquele medo idiota de rejeição apertando o peito.

Ele ficou pensativo um segundo, depois abriu um sorrisinho falso de quem quer parecer descolado:

— Eu posso todos os dias, em qualquer horário.

Eu ri baixo da disponibilidade dele. Gostei. Gosto de homem disponível, que não complica. Mas tinha um problema: eu não queria largar o Fabiano. O pau dele, o jeito bruto, a facilidade com que ele aparecia... era cômodo. Dois era melhor que um. Três, melhor ainda.

Depois de um silêncio longo e desconfortável, eu vi pela cara dele que a pergunta ia vir. E veio.

— E você? Tem namorado?

Era só dizer não. Era verdade. Mas a coisa era bem mais complicada que isso. O silêncio que fiz depois pesou no quarto inteiro. Eu não tinha namorado e não considerava o Fabiano um. E assim, honestamente, eu nem sabia se queria namorar alguém. Eu queria era dar. Ser comida. Não queria aquela coisa romântica, pegajosa, de ter que dar satisfação, de sair pra passear de mão dada, de fingir que era normal.

— Não — respondi por fim, voz baixa, quase sem força. Fiz uma pausa, olhando pro lençol bagunçado. — Eu tenho um carinha que eu saio com ele às vezes.

Felipinho ficou me olhando com os olhos pesados, esperando mais. Eu não conseguia sustentar o olhar dele por muito tempo.

— E você gosta dele?

— Nossa… é difícil explicar isso — murmurei, encolhendo os ombros. — Eu não sei... Não muito, sei lá.

— Então por que você fica com ele se não gosta do cara?

Eu poderia dizer que ele não entenderia que uma mulher tem necessidades. Mas na real, nem eu mesma entendia direito por que mantinha o Fabiano. No fundo, talvez eu quisesse que ele fosse um namorado de verdade. Mas eu nunca aceitava as obrigações de um relacionamento. Não era porque ele não queria — pelo contrário, o Fabiano vivia enchendo o saco pra me apresentar pros amigos, pra falar com meu pai, pra tornar aquilo oficial. Eu que não queria. Eu fiz ele de marmita, e não o contrário.

— Eu não sei… honestamente, eu não sei — falei quase sussurrando, o olhar baixo, dedos mexendo na barra do vestido curto.

Ele se levantou um pouco, sentando melhor na cama, e soltou uma risada baixa, quase incrédula. A frase que veio em seguida me pegou de surpresa:

— Eu não ligo de dividir você, não.

Fiquei quieta, processando. Meu coração deu uma batida mais forte, mas por fora eu mal mexi. Só levantei os olhos devagar, aquele olhar pesado de sempre, sem expressão clara. Por dentro, o calor subiu rápido. A ideia de não ter que escolher, de poder ter os dois… de ser usada por mais de um sem drama… fez minha buceta pulsar de leve por baixo do vestido.