Capítulo 59

Aquele menino mais novo que eu era diferente. Ou ele era muito maduro pra idade dele, ou um completo pervertido. Quando ele disse que não ligava de me dividir, eu achei que fosse brincadeira, que ele só queria me fazer rir ou parecer descolado. Mas não. Ele continuou, sério.

— Olha, eu tô falando sério. Eu não ligo mesmo. Nunca que eu teria chance com uma gata como você. Se eu puder ficar com qualquer migalha, pra mim tá ótimo.

Eu ri baixinho, um som tímido que saiu quase sem querer. Gostei dele. Era disponível, aceitava as circunstâncias sem drama… era exatamente o que eu precisava. Dessa vez fui eu que me mexi, me levantando um pouco na cama e olhando curiosa pra ele, o vestido curto subindo quase deixando tudo de fora.

— Tá… e se ele bater na porta agora e disser que é a vez dele, que você tem que sair? O que você faz?

Ele parou, sentou de vez na cama com as pernas cruzadas e respondeu sem titubear:

— Eu diria: eu posso ficar vendo?

— Vendo o quê? Eu… com outro cara? — perguntei, sentindo o rosto esquentar.

Ele riu, aquele sorrisinho safado.

— Não era bem só vendo que eu estava pensando…

Fiquei meio vermelha, mas a conversa estava me deixando cada vez mais molhada. A buceta vibrava devagar. Respirei fundo e soltei o verbo, com a voz baixa e vacilante:

— Você ia querer ver o cara me comendo? Não ia ficar com ciúmes?

— Acho que não… sinceramente eu não sei. Eu não sou seu namorado, não tenho compromisso com você. Nem poderia ter ciúmes, né?

Eu parei e pensei nas possibilidades. O Fabiano nunca tinha falado nada parecido. Por um segundo, imaginei a cena: eu de quatro, Fabiano metendo forte atrás de mim enquanto o Felipinho assistia, pau na mão, olhando tudo de perto. A imagem me deixou quente. Dei vontade de enfiar a mão entre as pernas ali mesmo e tocar uma siririca enquanto conversava com ele, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, fomos interrompidos.

Dois batidas leves na porta.

— Possoooo entraaaarrrr? — era a voz da Val, animada.

— Pooodeee — gritei de volta, voz um pouco rouca.

A porta abriu e entraram meu irmão e a Val, os dois com cara de quem tinha feito arte. Felizes, suados, olhos brilhando. Jonathan tinha aquele sorrisinho convencido de sempre, e Val estava com as bochechas vermelhas, cabelo bagunçado, tentando disfarçar o riso.

Felipinho, ainda sentado na cama ao meu lado, sussurrou no meu ouvido:

— Por um instante pensei que fosse ele. Que susto.

Eu caí na gargalhada baixa, quase sem som, cobrindo a boca com a mão. Foi nervoso e alívio ao mesmo tempo.

Eles fediam. Uma nuvem com cheiro de suor e sexo entrou junto com eles no quarto.

Amiga, quer uma toalha? — perguntei, voz baixa como sempre.

— Ah Nicole, eu ia te pedir isso… Seu irmão disse que não sabe onde tem toalha em casa, pode isso? — Val respondeu rindo, ainda ofegante.

Olhei pro Jonathan com cara de revolta. Ele só deu de ombros, rindo. Fui até o guarda-roupa, peguei uma toalha limpa e puxei Val pelo braço pro banheiro, fechando a porta atrás de nós. Eu não sentia ciúmes dela, eu sentia uma pontadinha de ciúmes do meu irmão, mas o que dominava mesmo era aquela curiosidade mórbida, quase doentia, de saber todos os detalhes.

Assim que entramos no banheiro, Val não fez cerimônia. Tirou a roupa toda na minha frente, ficando completamente nua. A calcinha estava enrolada no bolso do short — molhada, amarrotada, com cheiro forte. Ela ligou a água e enquanto lavava a calcinha na pia do banheiro e começou a contar tudo, entre risos, gemidos baixos de recordação e delírios.

— Caralho, Nicole… seu irmão é foda. Sério. Ele prestou atenção em tudo. Me comeu devagar no começo, depois forte pra caralho. Eu gozei três vezes, amiga. Três! Ele ficava olhando pra minha cara o tempo todo, segurando meu quadril, mudando de posição… ele é muito observador, sabia exatamente onde apertar. Foi perfeito.

Eu fiquei encostada na pia, quietinha, ouvindo. O olhar pesado, sem dizer quase nada. Por fora, parecia só uma amiga curiosa. Por dentro, minha buceta latejava forte de novo, imaginando a cena: meu irmão metendo nela, o corpo dele suado, o jeito que ele gosta de dar prazer. Aquela pontadinha de ciúme misturava com tesão. Eu apertava as coxas devagar por baixo do vestido curto, sentindo o molhado voltar.

Val continuou falando, elogiando ele sem parar. Fazia sentido. Meu irmão sempre foi assim — atento, curioso, gostava de ver a reação das pessoas. Diferente de mim, que sou preguiçosa, se bem que hoje eu agi diferente indo pra cima do menino.

Eu ouvia tudo em silêncio, mas com a mente fervendo. Pensando em como seria se os quatro ficassem juntos. Ou se eu conseguisse ter os dois meninos e o Fabiano… me usando quando eu quisesse.

— Seria louco fazer um surubão, né? Você pensou nisso? — soltei de repente, sem pensar no impacto das palavras.

Val me olhou completamente surpresa, como se eu tivesse falado a coisa mais absurda do mundo.

— Ahn?! Mas eu não curto mulher… e você vai pegar seu irmão? Não rola, né?

Fiquei quieta por um segundo. Depois lembrei do que tinha acontecido mais cedo no banheiro da escola e falei, voz baixa:

— Você tá me devendo uma chupada.

Ela ficou sem graça na hora, o rosto ficando ainda mais vermelho.

— Gente, eu não acredito que eu deixei você fazer isso, Nicole… Mas amiga, eu posso até tentar um dia, mas eu não curto.

E, sem pensar, levantei a barra do meu vestido branco curto, mostrando minha buceta ainda inchada e molhada pra ela.

— Quer tentar agora?

Val olhou pra mim, completamente sem graça. Na hora eu percebi que tinha dado uma bola fora. Eu nem queria tanto uma chupada naquele momento. O que me excitava mesmo era o “errado” da coisa — saber que ela não gostava de verdade, que nunca tinha feito, que eu estava meio que corrompendo ela. Era um tesão sujo, egoísta.

— Aí amiga… outro dia eu tento, pode ser? — ela respondeu, claramente desconfortável.

Eu não falei mais nada. Só baixei o vestido devagar, sentindo o rosto queimar de leve. Deixei ela entrar no chuveiro e fiquei ali parada no banheiro, meio sem graça pelo toco. Enquanto a água caía, eu só observava em silêncio, o olhar pesado, sem expressão.

— Vou colocar sua calcinha na varanda pra secar — murmurei por fim, pegando a calcinha molhada e enrolada que ela tinha deixado no canto.

Saí do banheiro sem fazer barulho, fechando a porta atrás de mim. Levando a calcinha e a minha vergonhar para secar no varal.